DESAFIOS DA CULTURA SURDA NO PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR FRENTE À CULTURA OUVINTE

Publicado em 27/10/2025 - ISBN: 978-65-272-1779-4

Título do Trabalho
DESAFIOS DA CULTURA SURDA NO PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR FRENTE À CULTURA OUVINTE
Autores
  • Adriano de Oliveira Gianotto
  • Geony Ezequiella Ribeiro Oliveira Carvalho
Modalidade
Capítulo de livro
Área temática
AT01: Educação Inclusiva e Políticas Públicas
Data de Publicação
27/10/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conedi-congresso-nacional-educacao-diversidade-inclusao/1229227-desafios-da-cultura-surda-no-processo-de-inclusao-escolar-frente-a-cultura-ouvinte
ISBN
978-65-272-1779-4
Palavras-Chave
Cultura surda; Inclusão; Compreensão.
Resumo
RESUMO: O presente trabalho contribui para o reconhecimento da cultura surda e a compreensão das dificuldades inclusivas em face da cultura ouvinte. O objetivo é identificar e refletir sobre a cultura, identidade e língua usada pelo povo surdo, visando contribuir na inclusão do surdo no espaço escolar, tendo em vista os direitos adquiridos ao longo dos anos. A inclusão começou a acontecer, por meio de políticas que foram desenvolvidas para a comunidade surda. Que reconheceu a Libras como a Língua Brasileira de Sinais. Esta pesquisa é teórica, sendo que a abordagem metodológica adotada para este trabalho é bibliográfica exploratória descritiva qualitativa. Muitos alunos surdos têm enfrentado desafios na aprendizagem, desde pequenos, por não terem acesso e estímulos para poderem desenvolver a sua língua natural materna. Espera-se que esta pesquisa disponibilize conteúdo que promova conhecimento e discussões sobre a inclusão do aluno surdo, possibilitando alcançar um entendimento, que acabe com todos os tipos de preconceitos e discriminação existentes, que acaba afastando ou colocando um humano contra o outro. Ademais, ressalta-se a importância do ensino de Libras para os surdos desde pequeno no seu ambiente familiar e nas escolas bilíngues de surdo, assim como para os ouvintes, que tenham um aprendizado que realmente promova a inclusão Palavras-chave: Cultura surda; Inclusão; Compreensão. 1. INTRODUÇÃO Refere-se a presente pesquisa sobre os desafios que envolvem o processo de inclusão da cultura surda pela cultura ouvinte. A partir disso, problematizou-se o embate que foi identificado entre essas duas culturas formando então as seguintes polêmicas: Qual a identidade da cultura surda? Que língua usa? Quais os desafios enfrentados pelo aluno surdo no ambiente escolar? Como incluí-lo no desenvolvimento das atividades escolares? Como socializá-lo com os demais alunos? A hipótese principal da pesquisa consiste no embate entre as culturas, que foi causada pela imposição da língua dos ouvintes aos surdos, resultando em uma busca pelas comunidades surdas ao direito de ter a língua de sinais como a primeira e a língua do ouvinte como segunda. O objetivo geral é conhecer as dificuldades inclusivas da cultura surda e ouvinte no ambiente escolar, por meio de pesquisas com base teórica bibliográfica, partindo dos desafios e anseios da pessoa surda em ser compreendida pela sociedade e como o ambiente escolar, quando se encontra preparado para receber o aluno surdo, pode favorecer a inclusão das culturas. Os objetivos específicos desta pesquisa são conhecer a diferença entre as duas culturas surdas e ouvintes; identificar as características do sujeito surdo, a identidade e a língua de sinais; além de valorizar e contribuir através dessa pesquisa na inclusão do aluno surdo no ambiente escolar. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica exploratória, pautada em artigos, livros e revistas científicas. A abordagem metodológica adotada para este trabalho é bibliográfica exploratória descritiva qualitativa. Portanto, este trabalho abordará a cultura surda e a importância de sua inclusão pela cultura ouvinte, a começar do ambiente escolar comum, identificando assim os principais desafios e propondo soluções para facilitar o processo de inclusão, afastando por consequência qualquer tipo de pré-conceito de ambas as culturas. 2. CULTURAS SURDAS E OUVINTES Justifica-se a pesquisa com a identificação do conflito das culturas, em que os surdos se esforçam para conseguir interagir com os ouvintes e esses, por sua vez, não se esforçam tanto, causando uma segregação, a qual tenta impor a língua oral ao indivíduo surdo, cuja primeira língua é a de sinais, dificultando sua compreensão. E isso, desde os primeiros anos de formação do indivíduo no ambiente escolar. Labourit (1994, p. 39) afirma que “Estou enjoada de ser prisioneira desse silêncio que eles não procuram romper. Esforço-me o tempo todo, eles não muito. Os ouvintes não se esforçam. Queria que se esforçassem". Por serem os surdos minoria, por vezes, os ouvintes acabam por desprestigiar a convivência com eles, sob a alegação de que não conseguem interagir sem um grande esforço isso desde o período escolar. Conforme Santana e Bergamo (2005, p.2 apud Foucault, 1970, p.10 e 11). “[...] Todo aquele que, por intermédio da linguagem, não fosse considerado possuidor de atributos humanos”, "[...] aquele cujo discurso não pode circular como o dos outros: pode ocorrer que sua palavra seja considerada nula e não seja acolhida, não tendo verdade nem importância [...]". A palavra cultura remete a um modo de agir, costumes e um conjunto de práticas simbólicas de um grupo social ou comunidade. Para se compreender a cultura surda e ouvinte, faz-se relevante entender o que é cultura. Cultura são aspectos aprendidos pelo ser humano ao longo de sua convivência social dentro de um grupo específico pertencente, com valor étnico, língua, regras, religião, entre outros. Segundo MOREIRA & SILVA (1995, p. 27), a “cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social, é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos”. Logo, compreende-se que a cultura é muito além de apenas um mero patrimônio da humanidade em sua história, mas uma luta diária para manter sua existência. Além disso, o conceito de cultura é muito abrangente e tem diferentes comunidades cada uma com suas especificidades: Os diferentes conceitos de cultura estão aí para se compreenderem as di-ferentes posições de cultura. Há conceitos unitários de cultura; conceitos de alta cultura e baixa cultura; conceitos referentes a múltiplas culturas. Há algumas posições mais radicais diante das culturas, por exemplo, de grupos que compartilham da afirmação de uma cultura universal onde legitimam a dominação das outras culturas. [...] Na temporalidade pós¬-moderna, perdemos o “conforto” de pensar a cultura como algo global, único em conceitos de diferentes culturas ou múltiplas culturas. O que significa a cultura no espaço pós-moderno presente, na temporalidade em que vivemos? O conceito pós-moderno coloca o problema como sempre: diferenças culturais, múltiplas culturas. O conceito de cultura igualmente muda e mesmo pode oscilar, sendo entendido dentro de novas tramas epistemológicas. Entramos, portanto, na presença de diferenças culturais, diferentes culturas, cada uma com sua emergência, sua história, seus usos, suas particularidades (PERLIN, 2004, p. 74-75). Diante disso, em uma mesma sociedade existem diferentes grupos sociais, com hábitos, normas e práticas múltiplas que geram discriminação, justamente em virtude dessas diferenças. Não é de agora que as culturas surdas e ouvintes têm enfrentado desajustes, causados pelo modo de comunicação, por serem suas linguagens distintas, resultando em um embate injusto, por conta que os ouvintes são maioria. A cultura ouvinte é baseada pela audição e a fala, ou seja, linguagem oral. A cultura surda por outro lado é de forma visual-gestual com uma linguagem visual, por meio de sinais. Diante dessas diferenças da forma de comunicação os ouvintes também ficam constrangidos por não compreenderem a língua de sinais. Teve uma ouvinte que fez um relato de como ela se sentiu, em uma festa junina na comunidade surda. Foi uma experiência diferente: entrei na festa e de repente me vi no meio de cerca de dois mil surdos - eu nunca tinha visto tantos surdos juntos – e ali eu que era o estranho! Não falava como eles, não entendia o que diziam, sentia-me caminhando por urna tribo cuja língua eu não conhecia, cujos costumes me eram alheios. Sequer sabia qual era a etiqueta: como é pedir desculpas, na língua de sinais, quando a gente esbarra em alguém? No início, essa dificuldade causou um certo constrangimento, de acordo com (STROBEL, 2008, p. 22). Através desse relato, percebe-se que não são somente os surdos. Que se constrangem diante das diferenças linguísticas, os ouvintes também ficam constrangidos. Por não conseguirem dialogar ou compreender a língua de sinais. A cultura surda se faz presente no interior da cultura ouvinte porque é uma cultura que está dentro da sociedade contemporânea, a qual deve ser compreendida e notada, através de um olhar multicultural, sendo assim, vista como um processo diário de significações, que deve ser entendida como uma política de identidade. Os sujeitos surdos utilizam uma comunicação espaço-visual como principal forma de conhecer o mundo. A audição e a fala são substituídas por uma característica própria deles, a habilidade visual, manual, corporal e gestual. Sendo definida assim: Cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de torná-lo acessível e habitável, ajustando-o com as suas percepções visuais, que contribuem para a definição das identidades surdas e das “almas” das comunidades surdas. Isto significa que abrange a língua, as ideias, as crenças, os costumes e os hábitos do povo surdo (STROBEL,2008, p. 24). OS ouvintes, no geral, desconhecem as necessidades dos surdos e acabam por atribuir a essa cultura, por desconhecimento, um defeito que precisa ser consertado, comparando o nascimento de criança surda ao do ouvinte. [...] o nascimento de uma criança surda é uma catástrofe porque estão acostumados com o padrão “normalizador” para interagir à vida social e também desconhecem o “mundo dos surdos”. Por outro lado, na maioria das vezes, o povo surdo acolhe o nascimento de cada criança surda como uma dádiva preciosa e não agem como os pais ouvintes que sofrem exageradamente o desapontamento inicial de gerarem seus filhos surdos, isto é evidenciado nas várias gerações de famílias com todos os membros surdos da família, (STROBEL, 2008, p. 23). 2.1. A LÍNGUA DE SINAIS Muitas pessoas perguntam o que é língua de sinais? É uma língua própria e natural das pessoas surdas, usada por muitos cidadãos brasileiros surdos e até mesmo por ouvinte, “a língua brasileira de sinais é uma língua visual-espacial articulada por meio das mãos, das expressões faciais e do corpo. É uma língua natural usada pela comunidade surda brasileira” Quadros (2004, p.19), a qual é denominada como Libras. A par disso, a libras é uma língua brasileira de sinais, reconhecida desde 2002, que não é mimica, usada na falta da língua oral. É uma fala do povo surdo visando à interação social, na qual tem regras, estruturas, sintaxe, semântica e pragmática própria não podendo ser confundido com a linguagem que é um mecanismo de transmissão das nossas ideias que pode ser verbal ou não verbal. A língua não se confunde com linguagem, pois ela é somente uma parte determinada, essencial dela, indebitamente, sendo ao mesmo tempo, um produto social faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para possibilizar o exercício dessa faculdade nos indivíduos (DIZEU e CAPORALI, 2005, p.586). A língua de sinais é de grande importância para a comunicação da comunidade surda que desde pequenos eles começam a desenvolver uma linguagem única deles. Segundo, Fernandes (2003, p.38), “a garantia do domínio de uma língua desde os primeiros meses de idade é fator fundamental para o desenvolvimento natural do indivíduo”. Os surdos tiveram que lutar em defesa a aquisição da língua de sinais para que fosse reconhecida como a língua materna do surdo. Essa língua trata- se: Em primeiro lugar, o fato de a linguagem de sinais ser um sistema linguístico estruturado, com uma coerência interna e um sistema de regras capazes de produzir todo tipo de expressões e significados. Em segundo lugar, a presença de uma comunidade de pessoas surdas que utilizam a linguagem de sinais como uma linguagem própria. Conforme (MARCHESI, 2004, .189). A língua de sinais é diferente da língua oral dos ouvintes, cada uma delas tem suas gramaticas próprias, ou seja, a oral usa o português e a de sinais se baseia essencialmente pela comunicação visual-espacial, comunica- se com as mãos e com as expressões faciais. “As línguas de sinais são denominadas línguas de sinais de modalidade gestual-visual (ou espaço- visual), pois a informação linguística é recebida pelos olhos e produzida pelas mãos”. Segundo, (QUADROS e KARNOPP, 2004, p.47). A diferença entre essas duas línguas. Trata-se da estrutura simultânea de organização dos elementos existente na língua de sinais. Os sinais podem ser vistos como composicionais e não holísticos e, que os sinais apresentam uma estrutura dual, isto é, que podem ser analisados em termos de um conjunto de propriedades distintivas sem significado e de regras que manipulam tais propriedades. Conforme (KARNOPP, 2001, p.384). Para analisar a formação de sinais, existe um esquema linguístico estrutural que forma a decomposição de sinais na ASL em três parâmetros que não traz significados isolados. Que é a “Configuração de mão (CM), locação da mão (L) e o Movimento da mão (M)”. Segundo (KARNOPP, 2001, p. 384). A estrutura dessa língua é caracterizada a partir dos níveis linguísticos que são fonológico, morfológico, sintático, semântico e pragmático. Na língua de sinais há uma modalidade de língua, que possibilita a integração na comunicação do surdo com a sociedade. Os surdos são pessoas e, como tais, dotados de linguagem assim como todos nós. Precisam apenas de uma modalidade de língua que possam perceber e articular facilmente para ativar seu potencial linguístico e, consequentemente, os outros 3. IDENTIDADE E LÍNGUA DO POVO SURDO A identidade dos sujeitos pode ser considerada como pertencimento a uma cultura a que se faz parte por meio dos significados e representações que tem dentro dela, então identidade não é algo fixo e imutável, em circunstância ao espaço. [...] o sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas [...]. A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente. (HALL, 2006, p.13) Os surdos não possuem uma identidade homogênea, a construção da identidade deles é cultural, através de experiências visuais. Sendo esse um ponto de partida para identificar as demais identidades surdas. As identidades surdas são construídas dentro das representações possíveis da cultura surda, elas moldam-se de acordo com o maior ou menor receptividade cultural assumida pelo sujeito. E dentro dessa receptividade cultural assumida pelo sujeito. E dentro dessa receptividade cultural, também surge aquela luta política ou consciência o posicional pela qual o indivíduo representa a si mesmo, se defende da homogeneização, dos aspectos que o tornam corpo menos habitável, da sensação de invalidez, de inclusão entre os deficientes, de menos-valia social. (STROBEL, 2016, p.29 apud PERLIN, 2004, p.77-78). A identidade surda tem muitas características culturais baseadas na vivencias visuais, sendo definidoras para seu comportamento. Portanto, “as identidades surdas são multifacetadas, fragmentadas, em constantes mudanças; jamais se encontra uma identidade mestre, um foco. Os surdos passam a serem surdos através da experiência visual, de adquirir certo jeito de ser surdo”. (PERLIN, 2006, p. 138). A cultura e identidade são compostas por diversas pessoas. Que compartilham os mesmos interesses e características, no qual faz do sujeito parte de uma comunidade. Primeiro conceito da comunidade é conjunto de habitantes de um mesmo Estado ou qualquer grupo social cujos elementos vivam numa dada área, sob um governo comum e irmanados por um mesmo legado cultural e histórico. [...] conjunto de indivíduos que utilizam o mesmo idioma. [...] Agrupamento de pessoas que, num período específico do tempo, usam a mesma língua ou o mesmo dialeto; essa comunidade pode coincidir com uma nação, se esta for monolíngue, ou pode ser o conjunto de povos que têm a língua em comum, ou grupos regionais, profissionais, etc. [...] conjunto de indivíduos que, em razão de fatos de natureza social - geográficos, históricos, culturais, raciais, etc. têm em comum certas características que os distinguem de outros grupos no mesmo meio e na mesma ocasião. Conforme (GIANOTTO, 2020, p. 20 apud HOUAISS 2005). O povo surdo é formado por um grupo de sujeitos surdos. Que tem os mesmos objetivos, regras, valores, costumes, história, língua, cultura, em diversas regiões do país. O povo surdo pode ser formado por surdos da zona rural, surdos da zona urbana, índio surdos, mulheres surdas, surdos sinalizados, surdos oralizados, surdos com implante coclear, surdocegas, surdo com múltiplas deficiências, surdos afrodescendentes, surdos homoafetivos (LGBTQI+) e outros que identificam com povo surdo apenas não pertencem à mesma comunidade surda. Segundo (GIANOTTO, 2020, p.22). A comunidade surda como podemos ver não é constituída apenas por sujeitos surdos, mas também por sujeitos ouvintes, membros da mesma família, amigos, surdo-cegos, codas, tradutores, intérpretes, professores, associações, federações, entre outros, pessoas que usam a mesma língua de sinais, que foram unidas pelo mesmo proposito e busca pelos seus direitos. Uma comunidade surda é um grupo de pessoas que vivem num determinado local, partilham os objetivos comuns dos seus membros, e que por diversos meios trabalham no sentido de alcançarem estes objetivos. Uma comunidade surda pode incluir pessoas que não são elas próprias Surdas, mas que apoiam ativamente os objetivos da comunidade e trabalham em conjunto com as pessoas Surdas para os alcançar. (GIANOTTO 2020, p. 21. apud PADDEN E HUMPHRIES 2000, p.5). Desse modo, a identidade surda consiste nas pessoas surdas e ouvintes que utilizam e levam com elas as características da língua de sinais e da cultura surda, que se aceitam e se comportam como tal, integrando-se na comunidade por meio do contato, compartilhamento de experiências e comunicação no canal visual. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A inclusão não é algo simples, trata-se na busca de um modo de como se relacionar com a outra pessoa de cultura, costume e língua distinta, sem que haja imposição ou restrições que façam o outro se sentir discriminado. Esse tema é muito refletido e pesquisado na contemporaneidade, até para esclarecer sobre como devemos nos portar para convivermos e entendermos a realidade cultural do outro. A educação dos alunos surdos é um tema polêmico que trás muito debate, especialmente pelas dúvidas quanto às diferenças linguísticas, identidade e a maneira única de ver o mundo. Os surdos muitas vezes ficam aflitos com a inclusão frente a da cultura ouvinte, que por sinal se sentem intimidado pelas diferenças. Essa pesquisa foi uma discussão sobre as formas de convivência dos seres humanos, que nas suas diferenças, todos têm direitos e devem ser valorizados e respeitados, mediante a compreensão do outro, sendo o melhor caminho para a aprendizagem educacional e social. A inclusão com certeza é o melhor caminho tanto para os surdos quanto para os ouvintes, que precisam se acolher e dar espaço além das diferenças, buscando o conhecimento e aprendizado, pois, cada uma das culturas tem algo importante para compartilhar. A criança surda desde pequena deve ter seus direitos garantidos, pois, é importante que elas desde cedo usem a língua natural Libras, desenvolvendo a sua comunicação, como também é importante que haja nas escolas o incentivo para que os ouvintes aprendam a língua de sinais visando que a inclusão realmente aconteça. 5. REFERÊNCIAS BRASIL, CORDE. Declaração de Salamanca e linhas de ação sobre as necessidades educacionais educação especiais. Brasil, 1994. _______, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Direito à educação: subsídios para a gestão dos sistemas educacionais - orientações gerais e marcos legais. Brasília: MEC/SEESP, 2006. _______, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LDB 9.394, de 20 de dezembro de 1996. _______, regulamenta a Lei nº 10.436, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm. 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Título do Evento
CONEDI - Congresso Nacional de Educação, Diversidade e Inclusão
Título dos Anais do Evento
Anais do Conedi - Congresso Nacional de Educação, Diversidade e Inclusão.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GIANOTTO, Adriano de Oliveira; CARVALHO, Geony Ezequiella Ribeiro Oliveira. DESAFIOS DA CULTURA SURDA NO PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR FRENTE À CULTURA OUVINTE.. In: Anais do Conedi - Congresso Nacional de Educação, Diversidade e Inclusão.. Anais...Quintana(SP) sp, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/Conedi-congresso-nacional-educacao-diversidade-inclusao/1229227-DESAFIOS-DA-CULTURA-SURDA-NO-PROCESSO-DE-INCLUSAO-ESCOLAR-FRENTE-A-CULTURA-OUVINTE. Acesso em: 01/04/2026

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