NEURO-CHAGAS NA AMAZÔNIA LEGAL: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE UM AGRAVO NEUROLÓGICO NEGLIGENCIADO DA DOENÇA DE CHAGAS EM POPULAÇÕES RIBEIRINHAS DO ESTADO DO AMAPÁ

Publicado em 20/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2354-2

Título do Trabalho
NEURO-CHAGAS NA AMAZÔNIA LEGAL: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE UM AGRAVO NEUROLÓGICO NEGLIGENCIADO DA DOENÇA DE CHAGAS EM POPULAÇÕES RIBEIRINHAS DO ESTADO DO AMAPÁ
Autores
  • Fernanda Távora Dos Santos
  • Isabela Calandrini Serruya
  • Luiza Pinon Nery de Oliveira
  • Leticia lani teixeira das chagas
  • Ádria Juliana Auzier Duarte
  • Manoel Siebra Lopes Neto
  • Brenda Letícia Amaral de Souza
  • Joseli da Silva Calandrini Sidônio Serruya
  • Marco Aurélio da Costa Serruya
Modalidade
Resumo
Área temática
Epidemiológico
Data de Publicação
20/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conciam-523357/1325573-neuro-chagas-na-amazonia-legal--perfil-epidemiologico-de-um-agravo-neurologico-negligenciado-da-doenca-de-chagas
ISBN
978-65-272-2354-2
Palavras-Chave
Doença de Chagas, Neurologia, Amazônia.
Resumo
INTRODUÇÃO: A Doença de Chagas persiste como enfermidade negligenciada no Brasil, sobretudo na Amazônia Legal, onde a transmissão adquire contornos singulares, principalmente pela via oral, associada ao consumo cotidiano do açaí, elemento cultural e nutricional central, contaminado pelo Trypanosoma cruzi. Embora a cardiopatia chagásica seja amplamente reconhecida, suas manifestações neurológicas – abrangendo distúrbios cognitivos até acidentes vasculares cerebrais (AVC) – seguem pouco exploradas no contexto amazônico. A análise epidemiológica sistemática de notificações e hospitalizações pode elucidar a magnitude desse agravo neurológico em populações ribeirinhas vulneráveis, notadamente no Estado do Amapá. OBJETIVOS: Descrever o perfil epidemiológico da Doença de Chagas com enfoque em manifestações neurológicas em populações ribeirinhas do Amapá, correlacionando dados de notificação e hospitalização com variáveis sociodemográficas e geográficas, no período de 2013 a 2023. MÉTODOS: Estudo descritivo, retrospectivo, baseado em dados secundários extraídos do SINAN (Doença de Chagas Aguda, CID B57) e do SIH/SUS (internações por acidentes cerebrovasculares, I64; epilepsia, G40; e demência, F03) via Tabnet/DATASUS, nos municípios da Amazônia Legal, com ênfase no Amapá. Foram analisadas as variáveis: município de residência, faixa etária, sexo, escolaridade e raça/cor. Avaliou-se a distribuição espacial dos casos notificados de Doença de Chagas aguda e sua sobreposição com a incidência de internações por agravos neurológicos não especificados nos municípios endêmicos. O período estudado compreendeu janeiro de 2013 a dezembro de 2023. RESULTADOS: Entre 2013 e 2023, o SINAN registrou 1.284 casos de Doença de Chagas aguda na Amazônia Legal, dos quais 412 (32,1%) ocorreram no Amapá, com predomínio em áreas ribeirinhas do Baixo e Médio Rio Jari. A análise sociodemográfica revelou maior incidência em indivíduos entre 20 e 49 anos (56,7%), do sexo masculino (61,2%), com baixa escolaridade (=4 anos: 48,5%) e pertencentes a populações autodeclaradas pardas (72,9%). No mesmo período, o SIH/SUS registrou 863 internações por agravos neurológicos compatíveis com complicações crônicas da Doença de Chagas no Amapá, sendo 37,4% por AVC não especificado, 22,8% por epilepsia e 11,6% por demência. A sobreposição espacial evidenciou correlação direta entre municípios com maior notificação de casos agudos (Laranjal do Jari, Mazagão, Macapá) e maior taxa de hospitalizações neurológicas, sugerindo relação causal epidemiológica. CONCLUSÃO: O estudo demonstra que a Doença de Chagas na Amazônia ribeirinha do Amapá ultrapassa a dimensão cardiológica, assumindo expressão neurológica frequentemente invisibilizada. A elevada incidência de acidentes vasculares cerebrais, epilepsia e declínio cognitivo em áreas endêmicas sustenta forte associação entre a infecção crônica pelo T. cruzi e complicações neurológicas incapacitantes, frequentemente subdiagnosticadas nos serviços locais. A vulnerabilidade social, a dependência cultural do consumo artesanal de açaí e a carência de especialistas intensificam sobremaneira o impacto desta enfermidade. Conclui-se ser imprescindível a inclusão sistemática da Neuro-Chagas nos protocolos diagnósticos diferenciais de síndromes neurológicas em municípios amazônicos, a incorporação de estratégias de rastreio precoce em unidades básicas, o fortalecimento da vigilância epidemiológica integrada e a implementação de políticas públicas que contemplem, de forma efetiva, tanto a realidade sociocultural das populações ribeirinhas quanto a necessária formação médica alinhada aos determinantes regionais de saúde.
Título do Evento
Conciam
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do Conciam
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Fernanda Távora Dos et al.. NEURO-CHAGAS NA AMAZÔNIA LEGAL: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE UM AGRAVO NEUROLÓGICO NEGLIGENCIADO DA DOENÇA DE CHAGAS EM POPULAÇÕES RIBEIRINHAS DO ESTADO DO AMAPÁ.. In: Anais do Conciam. Anais...Curitiba(PR) AMP, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conciam-523357/1325573-NEURO-CHAGAS-NA-AMAZONIA-LEGAL--PERFIL-EPIDEMIOLOGICO-DE-UM-AGRAVO-NEUROLOGICO-NEGLIGENCIADO-DA-DOENCA-DE-CHAGAS. Acesso em: 30/05/2026

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