O PARADOXO DA “DROGA DA ATENÇÃO”: O EFEITO DO METILFENIDATO EM PACIENTES QUE NÃO POSSUEM TDAH

Publicado em 20/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2354-2

Título do Trabalho
O PARADOXO DA “DROGA DA ATENÇÃO”: O EFEITO DO METILFENIDATO EM PACIENTES QUE NÃO POSSUEM TDAH
Autores
  • Adelmo Lowe Pletsch
  • brenda paula holz pletsch
  • Gabriela Ceccato Pedroni
  • Joao Gabriel Santini
  • Laura Helena Picoli Tomazoni
  • Lucas Aita Coronel
  • Maria Fernanda Santini
Modalidade
Resumo
Área temática
Originais em saúde coletiva
Data de Publicação
20/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conciam-523357/1296220-o-paradoxo-da-droga-da-atencao--o-efeito-do-metilfenidato-em-pacientes-que-nao-possuem-tdah
ISBN
978-65-272-2354-2
Palavras-Chave
Metilfenidato, Aprimoramento Cognitivo, Uso não prescrito.
Resumo
INTRODUÇÃO: O cloridrato de metilfenidato (MPH) é um psicoestimulante, estruturalmente relacionado às anfetaminas, estabelecido como tratamento de primeira linha para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Conquanto, seu uso não prescrito tem se tornado popular em pessoas saudáveis, as quais o utilizam como um “aprimorador cognitivo”, buscando melhores desempenhos. Esta prática insere-se em um contexto de medicalização de desafios cotidianos, onde dificuldades de concentração e cansaço são reenquadradas como problemas médicos passíveis de uma solução farmacológica. O cerne da questão reside em um paradoxo: a crença subjetiva dos benefícios do fármaco contrasta com a ausência de evidências científicas que comprovem um aprimoramento cognitivo real em indivíduos sem TDAH, ao mesmo tempo que os expõe a riscos significativos. OBJETIVOS: Analisar, por meio de uma revisão de literatura, o uso de metilfenidato por indivíduos sem diagnóstico de TDAH, comparando a percepção subjetiva de melhora no desempenho com os resultados objetivos de estudos científicos, e descrevendo, assim, os riscos associados a essa prática. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Foram realizadas buscas nas bases PubMed/Medline, SciELO e Lilacs, utilizando os descritores "metilfenidato" (methylphenidate), "uso não médico" (non-medical use) e "aprimoramento cognitivo" (cognitive enhancement), combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos estudos originais, estudos clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem o uso de metilfenidato em indivíduos sem diagnóstico de TDAH. Excluíram-se relatos de casos, trabalhos que se restringiam a pacientes com TDAH e trabalhos que tangenciam o objetivo da revisão. A seleção ocorreu em duas etapas: triagem de títulos/resumos e leitura integral. Dos 187 artigos iniciais, 24 preencheram os critérios e compuseram a revisão. RESULTADOS: A literatura analisada indica que o uso de metilfenidato em indivíduos sem diagnóstico de TDAH está associado a uma discrepância entre a percepção subjetiva de benefício e achados objetivos de desempenho cognitivo. De acordo com a revisão, os usuários sem TDAH apontam maior concentração, disposição e rendimento acadêmico. Entretanto, ensaios clínicos controlados não demonstram ganhos consistentes em domínios cognitivos -memória, atenção sustentada e funções executivas. Esses efeitos estão, na verdade, relacionados ao aumento da sensação individual de bem-estar, sem um genuíno aprimoramento das capacidades mentais. A literatura descreve, ainda, um perfil de risco relevante: além de efeitos adversos, como insônia, cefaleia, e taquicardia, observaram-se complicações graves, incluindo eventos cardiovasculares, sintomas ansiosos, paranoia e episódios psicóticos. Destaca-se, também, o elevado potencial de abuso e dependência -decorrente da ação dopaminérgica do fármaco-, que aproxima seu uso à outros psicoestimulantes com capacidade aditiva. CONCLUSÃO: A análise da literatura evidencia que o uso de metilfenidato por indivíduos sem TDAH para aprimoramento cognitivo é um paradoxo que se sustenta em uma percepção subjetiva, porém sem dados objetivos. A sensação de melhora relatada pelos usuários parece derivar de efeitos sobre o humor e a motivação, sem um real aumento da cognição. Em troca desse benefício ilusório, os usuários se expõem a um espectro de riscos bem documentados, que vão de efeitos colaterais incômodos à dependência e a complicações psiquiátricas e cardiovasculares graves.
Título do Evento
Conciam
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do Conciam
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PLETSCH, Adelmo Lowe et al.. O PARADOXO DA “DROGA DA ATENÇÃO”: O EFEITO DO METILFENIDATO EM PACIENTES QUE NÃO POSSUEM TDAH.. In: Anais do Conciam. Anais...Curitiba(PR) AMP, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conciam-523357/1296220-O-PARADOXO-DA-DROGA-DA-ATENCAO--O-EFEITO-DO-METILFENIDATO-EM-PACIENTES-QUE-NAO-POSSUEM-TDAH. Acesso em: 23/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes