GEODIVERSIDADE E CANTARIA NA PAISAGEM CULTURAL DOS CAMPOS GERAIS (PR): IDENTIFICAÇÃO DE ROCHAS EM EDIFICAÇÕES HISTÓRICAS DOS SÉCULOS XVIII E XIX

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
GEODIVERSIDADE E CANTARIA NA PAISAGEM CULTURAL DOS CAMPOS GERAIS (PR): IDENTIFICAÇÃO DE ROCHAS EM EDIFICAÇÕES HISTÓRICAS DOS SÉCULOS XVIII E XIX
Autores
  • Christopher Vinicius Santos
  • Marcela Cristina Bettega
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1483251-geodiversidade-e-cantaria-na-paisagem-cultural-dos-campos-gerais-(pr)--identificacao-de-rochas-em-edificacoes-hi
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Geodiversidade; Cantaria histórica; Paisagem cultural; Geoturismo; Campos Gerais do Paraná.
Resumo
A paisagem cultural resulta da interação histórica entre sociedade e natureza, manifestando-se materialmente nas formas construídas que incorporam recursos disponíveis no território. Nesse contexto, a geodiversidade exerce papel fundamental na configuração das paisagens culturais ao fornecer matérias-primas que condicionam práticas construtivas e técnicas tradicionais. Nos Campos Gerais do Paraná, a tradição da cantaria em rochas locais constitui um importante testemunho dessa relação, evidenciando como a disponibilidade de materiais geológicos influenciou a construção de edificações históricas e infraestruturas associadas aos processos de ocupação regional, como apontam estudos anteriores (LICCARDO; PIEKARZ, 2017). Este trabalho tem como objetivo identificar e caracterizar as rochas utilizadas em elementos de cantaria em edificações históricas dos séculos XVIII e XIX nos Campos Gerais, discutindo sua contribuição para a leitura da paisagem cultural e seu potencial de valorização no âmbito do geoturismo. A pesquisa foi desenvolvida a partir de levantamentos de campo sistemáticos e da identificação macroscópica das litologias empregadas nas estruturas construtivas, seguindo roteiro de observação petrográfica em campo. Foram analisados três conjuntos representativos do patrimônio construído regional: a Capela Santa Bárbara (1729), no município de Ponta Grossa; a Igreja de Santo Antônio (1784), no município da Lapa; e as pontes históricas em cantaria sobre os rios Papagaios e Monjolo, no município de Palmeira (1876 e 1879, respectivamente). Na Capela Santa Bárbara foram observados muros e estruturas executados com blocos de arenito da Formação Furnas, evidenciando o aproveitamento direto de materiais disponíveis no contexto geológico local e sua adaptação às práticas construtivas tradicionais no período colonial. Na Igreja de Santo Antônio observou-se o emprego predominante de arenito conhecido regionalmente como Arenito Lapa, associado a unidades do Grupo Itararé, material amplamente utilizado em edificações históricas da região devido à sua aptidão ao talhe. Já nas pontes históricas de Palmeira identificou-se o uso de blocos de arenito da Formação Furnas, unidade devoniana amplamente distribuída nos Campos Gerais e frequentemente empregada em obras de cantaria. Os resultados demonstram que a escolha dessas litologias reflete não apenas a disponibilidade de recursos geológicos regionais, mas também saberes técnicos associados às práticas tradicionais de cantaria e aos modos históricos de ocupação do território. A utilização recorrente de rochas locais reforça a estreita relação entre geodiversidade e cultura material, configurando elementos fundamentais da paisagem construída dos Campos Gerais e evidenciando o papel da geologia na formação do patrimônio cultural regional. Nesse sentido, observa-se que a disponibilidade e as propriedades físico-mecânicas das rochas sedimentares locais, especialmente os arenitos, favoreceram o desenvolvimento de uma tradição regional de cantaria, na qual o substrato geológico condicionou técnicas construtivas, soluções arquitetônicas e a própria configuração da paisagem edificada. Além de seu valor histórico e cultural, tais elementos apresentam potencial para integração em estratégias de interpretação do patrimônio e geoturismo, contribuindo para a valorização da geodiversidade e para iniciativas de geoconservação em escala regional (JORGE; GUERA, 2016). Dessa forma, o estudo evidencia a importância de abordagens interdisciplinares que articulem geociências, patrimônio cultural e planejamento da paisagem, reconhecendo a geodiversidade como componente essencial na construção e gestão das paisagens culturais.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Christopher Vinicius; BETTEGA, Marcela Cristina. GEODIVERSIDADE E CANTARIA NA PAISAGEM CULTURAL DOS CAMPOS GERAIS (PR): IDENTIFICAÇÃO DE ROCHAS EM EDIFICAÇÕES HISTÓRICAS DOS SÉCULOS XVIII E XIX.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1483251-GEODIVERSIDADE-E-CANTARIA-NA-PAISAGEM-CULTURAL-DOS-CAMPOS-GERAIS-(PR)--IDENTIFICACAO-DE-ROCHAS-EM-EDIFICACOES-HI. Acesso em: 31/08/2026

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