A CONSTRUÇÃO DOS PATRIMONIOS NO CHILE - ENTRE MONUMENTALIDADE E GESTÃO TERRITORIAL

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
A CONSTRUÇÃO DOS PATRIMONIOS NO CHILE - ENTRE MONUMENTALIDADE E GESTÃO TERRITORIAL
Autores
  • Emmanuelle Mosqueira Seixas
  • Prof. Dr. Leonardo Barci Castriota
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1482513-a-construcao-dos-patrimonios-no-chile--entre-monumentalidade-e-gestao-territorial
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Chile, Gestão Patrimonial, Identidade, Patrimonio Cultural
Resumo
A formação do patrimônio cultural no Chile articula-se através de uma política estatal que, desde o século XX, privilegiou determinadas narrativas nacionais em detrimento de outras. A criação do Conselho de Monumentos Nacionais, em 1925, estabeleceu as bases para uma seleção estratégica de bens culturais que refletiam uma identidade nacional específica. O patrimônio funciona como dispositivo na construção e atualização contínua da nação, operando na seleção e legitimação de referentes identitários. Compreender como o Estado chileno definiu quais elementos mereciam proteção revela as escolhas políticas e ideológicas subjacentes à formação dessa identidade. A evolução da legislação patrimonial chilena acompanha as transformações nas concepções sobre o que deve ser preservado. A Lei nº 17.288 de 1970 ampliou as categorias de proteção , embora hoje se mostre desajustada frente às demandas contemporâneas. Em paralelo, a Lei Indígena de 1993 reconheceu a necessidade de proteger os patrimônios dos povos originários. Mais recentemente, a criação do Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio, em 2018, sinalizou uma tentativa de descentralização e de maior participação. Contudo, a implementação dessas políticas revela lacunas entre a intenção normativa e a prática, particularmente no que concerne aos direitos de gestão das comunidades indígenas. Os descompassos estruturais da legislação interna evidenciam-se na atuação do Estado, que, mesmo buscando maior inclusão por meio do Ministério das Culturas , esbarra em um arcabouço obsoleto e centralizador, incapaz de acompanhar as transformações territoriais. Os conflitos contemporâneos no patrimônio chileno evidenciam tensões ainda não resolvidas. A luta do povo Mapuche por reconhecimento territorial e a demanda do povo Rapa Nui por autonomia na gestão de seu patrimônio ilustram como as comunidades indígenas disputam narrativas e o controle sobre seus próprios bens culturais. Além disso, a valorização turística de sítios históricos tem gerado processos de mercantilização que beneficiam atores externos, reforçando desigualdades pré-existentes. Estudos de caso, como a tramitação do Projeto de Lei de Patrimônio Cultural (Boletim 12712-24), revelam falhas recorrentes na consulta aos povos indígenas, preconizada pela Convenção 169 da OIT, resultando em bloqueios legislativos. Da mesma forma, o “Estallido Social” de 2019 deixou as marcas de uma sociedade sem consenso sobre suas narrativas históricas, transformando monumentos em patrimônios dissonantes. A pesquisa em andamento busca compreender como essas políticas patrimoniais se materializam territorialmente e quais são as suas implicações para as comunidades envolvidas. Permanece em aberto a questão de como avançar em direção a uma gestão verdadeiramente participativa do patrimônio, que reconheça as múltiplas narrativas e os interesses em jogo. Este trabalho pretende contribuir para essa reflexão, analisando as brechas entre as políticas formais vigentes e as realidades sociais que as cercam.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SEIXAS, Emmanuelle Mosqueira; CASTRIOTA, Prof. Dr. Leonardo Barci. A CONSTRUÇÃO DOS PATRIMONIOS NO CHILE - ENTRE MONUMENTALIDADE E GESTÃO TERRITORIAL.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1482513-A-CONSTRUCAO-DOS-PATRIMONIOS-NO-CHILE--ENTRE-MONUMENTALIDADE-E-GESTAO-TERRITORIAL. Acesso em: 28/08/2026

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