PAISAGEM ARQUEOLÓGICA COMO CONSTRUÇÃO VALORATIVA: ENTRE MATERIALIDADE, RECONHECIMENTO E PROJETO

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
PAISAGEM ARQUEOLÓGICA COMO CONSTRUÇÃO VALORATIVA: ENTRE MATERIALIDADE, RECONHECIMENTO E PROJETO
Autores
  • Tatiana de Carvalho Costa
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1469924-paisagem-arqueologica-como-construcao-valorativa--entre-materialidade-reconhecimento-e-projeto
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem arqueológica, Atribuição de valor, Legibilidade
Resumo
A noção de paisagem arqueológica costuma ser mobilizada para designar territórios que preservam vestígios materiais de temporalidades pretéritas e que, por isso, podem ser investigados por meio dos instrumentos e métodos da disciplina arqueológica. Nessa acepção corrente, a paisagem aparece como suporte empírico da evidência histórica — cenário no qual ruínas, traçados e estruturas remanescentes testemunham formas passadas de organização espacial e de relação sociedade–natureza. Tal entendimento, entretanto, tende a reduzir o conceito à sua dimensão descritiva e instrumental, subordinando-o ao campo técnico da arqueologia. Este trabalho propõe problematizar essa abordagem, deslocando o foco da paisagem como objeto de investigação para a paisagem como construção valorativa. A paisagem arqueológica não é apenas aquela que contém vestígios, mas aquela à qual se atribui valor arqueológico. Esse deslocamento implica reconhecer que o estatuto arqueológico de uma paisagem não decorre automaticamente da materialidade existente, mas de processos interpretativos, institucionais e normativos que selecionam, qualificam e enquadram determinados fragmentos do território como portadores de significado histórico-documental. A paisagem arqueológica, assim, não é uma evidência neutra, mas uma categoria construída no interior de regimes de saber e de práticas patrimoniais. O debate italiano contemporâneo oferece elementos elucidativos. Ao analisar a região italiana de Marche, Stefano Gizzi distingue situações em que permanências arqueológicas se encontram dispersas e absorvidas pelo tecido urbano — como em Ancona, Fermo e Fano — daquelas em que estruturas históricas, como no vale do Metauro, o principal curso d’água de Marche, permanecem legíveis na escala territorial. Entre vestígios fragmentados e traçados persistentes, evidencia-se que a legibilidade não é condição estável, mas variável histórica e culturalmente mediada. A paisagem arqueológica oscila, portanto, entre a invisibilidade e a evidência, desafiando critérios baseados exclusivamente na percepção imediata. Essa problematização aproxima-se do debate sobre buried landscapes, desenvolvido por Graham Fairclough e Stephen Rippon (2002), que chama atenção para paisagens cujas estruturas permanecem soterradas ou não perceptíveis na superfície. Nesses casos, a ausência de visibilidade não implica ausência de valor, deslocando a discussão para os campos da documentação, da arqueologia preventiva e das políticas territoriais. O reconhecimento da paisagem arqueológica passa, então, a depender de dispositivos técnicos, jurídicos e administrativos que a tornam inteligível e passível de proteção. Compreendida como categoria construída, a paisagem arqueológica situa-se no cruzamento entre patrimônio e projeto. A atribuição de valor arqueológico implica delimitações espaciais, regimes de tutela e estratégias de intervenção que afetam diretamente o planejamento e o desenho do território. Mais do que um campo de escavação, trata-se de uma matriz interpretativa que orienta decisões projetuais e redefine a relação contemporânea com as camadas temporais inscritas na paisagem.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COSTA, Tatiana de Carvalho. PAISAGEM ARQUEOLÓGICA COMO CONSTRUÇÃO VALORATIVA: ENTRE MATERIALIDADE, RECONHECIMENTO E PROJETO.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1469924-PAISAGEM-ARQUEOLOGICA-COMO-CONSTRUCAO-VALORATIVA--ENTRE-MATERIALIDADE-RECONHECIMENTO-E-PROJETO. Acesso em: 15/08/2026

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