PERMANÊNCIA HIDRÁULICA E PAISAGEM ITINERANTE NA COSTA DO DENDÊ

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
PERMANÊNCIA HIDRÁULICA E PAISAGEM ITINERANTE NA COSTA DO DENDÊ
Autores
  • Christoph Fikenscher
  • Marta Raquel da Silva Alves
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1469490-permanencia-hidraulica-e-paisagem-itinerante-na-costa-do-dende
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
paisagem itinerante, paisagem agri-cultural, patrimônios hidráulicos, Mata Transatlântica, saberes tradicionais
Resumo
A Costa do Dendê no Baixo Sul da Bahia é território da Mata Transatlântica (WATKINS, 2016), resultado da incorporação de elementos – presenças humanas, espécies vegetais, saberes e práticas – de origem ameríndia, afrodescendente (comunidades quilombolas) e europeia sem ter sofrido o impacto arrasador da monocultura colonial-capitalista. A integração da região na economia de exploração da Colônia foi tardia e parcial, a produção de excedentes ficando limitada principalmente a subprodutos da mandioca e do dendê para consumo na capital, preservando amplos remanescentes de Mata Atlântica. Num terreno que hoje faz parte do Jardim Etnobotânico da Bahia foram achados vestígios de um antigo sistema hidráulico a serviço de uma casa de farinha com mecanismo de moagem acionado por uma roda d’água, exemplo engenhoso de uso dos recursos naturais através da transformação de uma sequência de zonas úmidas no fundo dos vales (“brejos”) em reservatórios de água. Nesse sentido, este trabalho apresentará os primeiros achados de pesquisa em curso desenvolvida pela UFBA em cooperação com o Jardim Etnobotânico da Bahia, contemplando o levantamento dos corpos d’água, dos vestígios edificados e dos remanescentes de vegetação. Inclui, ainda, a atualização da revisão bibliográfica, orientada por referenciais que reconhecem os saberes africanos e indígenas como portadores de conhecimentos fundamentados na convivência com regimes hídricos, solos úmidos e ecossistemas biodiversos. (CARNEY; VOEKS, 2003; NEVES, 2022). Na Costa do Dendê encontram-se múltiplas intersecções de diferentes tempos de permanência dos elementos naturais e das alterações pela mão humana, oscilando entre a estabilidade dos manguezais com pequenas aberturas para o trânsito de canoas, seguidos pelos plantios de dendê cujo ritmo acompanha a sequência das gerações humanas, e a configuração da paisagem agri-cultural fruto das práticas agrícolas ameríndias de coivara (corte e queima) que muda em rápida sucessão de poucos anos até o abandono momentâneo do local. A despeito dessa dinâmica sazonal, pode-se imaginar que o sistema hidráulico acima mencionado tenha ficado ativo durante tempo superior ao ciclo de cultivo da mandioca nas terras ao redor da casa de farinha, constituindo-se como possível aglutinador de memórias dentro de uma “paisagem itinerante”. Enquanto a ideia clássica de paisagem cultural evoca uma certa estabilidade material como conditio sine qua non da formação de uma imagem fundadora de tradições, neste caso a continuidade refere-se a um conjunto de práticas e saberes ancestrais que modelavam a paisagem. Quais poderiam ser modalidades de rememoração das paisagens – e das formas de vida que as habitaram - tão frágeis e, ao mesmo tempo, outrora tão tenazes? Quais seriam os pressupostos para propor o conceito de “paisagem itinerante” e quais implicações teria este conceito no contexto da discussão mais ampla sobre paisagem, representação e patrimônio, considerando que o Brasil – como outras regiões americanas dos trópicos baixos – poderia ser chamado, aplicando critérios para a constituição de uma “société paysagère” (BERQUE, 1995) a pleno título, de “société semi-paysagère”, ou seja, se constituindo na ausência ou parcialidade da representação paisagística, com excepção de poucos locais marcados desde os tempos da Colônia ou do Império.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FIKENSCHER, Christoph; ALVES, Marta Raquel da Silva. PERMANÊNCIA HIDRÁULICA E PAISAGEM ITINERANTE NA COSTA DO DENDÊ.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1469490-PERMANENCIA-HIDRAULICA-E-PAISAGEM-ITINERANTE-NA-COSTA-DO-DENDE. Acesso em: 15/08/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes