MEMÓRIA POLÍTICA E POLÍTICA DA PAISAGEM: DISPUTAS PELA PATRIMONIALIZAÇÃO DO ANTIGO DOPS/GB

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
MEMÓRIA POLÍTICA E POLÍTICA DA PAISAGEM: DISPUTAS PELA PATRIMONIALIZAÇÃO DO ANTIGO DOPS/GB
Autores
  • Pedro de Araujo Quental
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1467802-memoria-politica-e-politica-da-paisagem--disputas-pela-patrimonializacao-do-antigo-dopsgb
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Memória Política; Espaço Político; Política da Paisagem; Patrimônio; Lutas por Reconhecimento
Resumo
A memória política pode ser compreendida como um campo constituído no contexto do fim das ditaduras latino-americanas, do apartheid sul-africano e da desagregação da União Soviética, marcado pelo surgimento de novas práticas e atores sociais, como atingidos pelo terrorismo de Estado, testemunhos, militantes de direitos humanos, comissões de verdade e justiça e novos suportes materiais de memória (LIFSCHITZ, 2012; 2014). Esses agentes inauguram uma nova gramática de luta política ao alcançar a esfera pública para disputar versões sobre o passado e confrontar processos de silenciamento. A memória política caracteriza-se, assim, pela atuação estratégica na ativação de espaços políticos (CASTRO, 2012; 2018), produzindo intervenções no mundo social por meio da instalação de conflitos em torno da interpretação do passado em arenas do presente. É sobretudo nos espaços políticos abertos (CASTRO, 2018), marcados por performances de caráter mais efêmero, mas com capacidade de influenciar agendas e produzir efeitos normativos — como a aprovação de leis e processos de patrimonialização — que se disputam os significados do passado e se reivindica reparação. A ativação de locais associados à repressão ditatorial constitui um dos principais vetores dessas ações. Essas lutas podem ser compreendidas como performances patrimoniais (SMITH, 2006; 2021) que assumem a forma de assembleias (BUTLER, 2023) e revelam uma espacialidade própria da memória política, configurando uma política da paisagem (RIBEIRO, 2018; 2022). Nessas ações, a base material que sustenta a assembleia torna-se simultaneamente plataforma de aparecimento e objeto da própria disputa política (BUTLER, 2023). Esses locais, em sua materialidade e localização, tornam-se centrais para o espaço de aparecimento e à inteligibilidade desses grupos, participando ativamente da produção de enquadramentos da memória (POLLAK, 1989; 1992) orientados ao reconhecimento e à validação de experiências historicamente silenciadas e confinadas à esfera privada. Essas ações inscrevem-se no horizonte dos patrimônios difíceis (MENEGUELLO, 2020) e do paradigma do patrimônio como reparação (CHUVA, 2020), respondendo a demandas contemporâneas por reconhecimento e ressignificando locais de violência como paisagens de luto. A ativação desses espaços institui campos de visibilidade nos quais se disputa o que pode ser lembrado, reconhecido ou silenciado. Enquanto enquadramento e modo de ver, essas paisagens tornam visível e inteligível, no espaço público, aquilo — e aqueles — que foram historicamente negados. A paisagem, assim, não se apresenta apenas como resultado de relações de poder, mas como uma categoria de prática e ação (RIBEIRO, 2018; 2022). O trabalho analisa as lutas e reivindicações de movimentos sociais como o grupo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça, o Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação, o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, entre outros atores do campo da memória política, em torno da patrimonialização e conversão em memorial de direitos humanos do prédio do antigo DOPS/GB, na cidade do Rio de Janeiro, um dos principais centros de repressão do Estado Novo (1937–1945) e da ditadura militar (1964–1985), recentemente tombado pelo IPHAN (2025). A pesquisa adota abordagem qualitativa, interpretativa e indutiva, com ênfase em etnografia de percurso e observação participante realizadas entre dezembro de 2023 e abril de 2025.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

QUENTAL, Pedro de Araujo. MEMÓRIA POLÍTICA E POLÍTICA DA PAISAGEM: DISPUTAS PELA PATRIMONIALIZAÇÃO DO ANTIGO DOPS/GB.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1467802-MEMORIA-POLITICA-E-POLITICA-DA-PAISAGEM--DISPUTAS-PELA-PATRIMONIALIZACAO-DO-ANTIGO-DOPSGB. Acesso em: 11/08/2026

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