FORMAS DE MORAR E A CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM CULTURAL NA BELÉM DA BELLE-ÉPOQUE (1870–1910)

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
FORMAS DE MORAR E A CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM CULTURAL NA BELÉM DA BELLE-ÉPOQUE (1870–1910)
Autores
  • Karol da Hora Guimarães Gillet Soares
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1465894-formas-de-morar-e-a-construcao-da-paisagem-cultural-na-belem-da-belle-epoque-(18701910)
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural, Tipologias habitacionais, Ciclo da borracha
Resumo
O presente trabalho propõe discutir a paisagem cultural de Belém entre 1870 e 1910 a partir das tipologias habitacionais resultantes dos processos histórico-sociais consolidados durante a Belle-Époque. Parte-se do entendimento de que a paisagem não se constitui apenas por monumentos ou intervenções urbanas de grande escala, mas pela articulação entre arquitetura cotidiana, práticas sociais, economia e organização do espaço. Nesse sentido, as diversas formas de morar assumem papel estruturante na construção da nova paisagem urbana produzida nesse período, cuja permanência ainda se manifesta no patrimônio histórico e na configuração urbana contemporânea de Belém. O período em análise é fundamental para compreender a profunda transformação da cidade durante o auge do ciclo da borracha, quando Belém experimentou intensas transformações socioespaciais proporcionadas pela riqueza da borracha. Tal conjuntura não apenas promoveu intervenções físicas, mas também engendrou um novo ideário urbano, pautado nos princípios de progresso, civilização e modernidade que orientavam as elites locais. As formas de morar, nesse contexto, não se limitaram a acompanhar tais mudanças: constituíram-se como expressão concreta dessa nova ordem promovida pelo poder público, atuando diretamente na conformação do novo cenário urbano da Belém da Belle-Époque. É importante destacar que, no imaginário comum, o fausto desse período costuma ser associado sobretudo às tipologias vinculadas à elite da borracha, que buscava reproduzir comportamentos e repertórios de matriz europeia, especialmente na construção de suas residências. Entretanto, a paisagem urbana não foi conformada apenas por essas edificações de caráter monumental, como os palacetes. Outras formas de morar, igualmente inseridas nos processos histórico-sociais em curso, desempenharam papel decisivo nessa configuração. Distantes do imaginário associado ao luxo e à modernidade, consolidaram-se formas de morar populares que tensionavam o projeto urbano idealizado pelas elites e, com frequência, tornaram-se alvo de políticas de controle, higienização e deslocamento do núcleo central. A diversidade dessas formas de morar permite compreender a paisagem urbana como um processo relacional e dinâmico, no qual arquitetura, economia, cultura e ambiente se entrelaçam. Essa conjuntura, financiada pela borracha, não se configurou como mera reprodução de modelos estrangeiros, mas como resultado do diálogo entre referências externas e saberes locais. Assim, das casas burguesas às populares, as tipologias habitacionais da Belém da Belle-Époque não apenas refletem uma conjuntura histórica específica, mas constituem documentos materiais capazes de revelar os vestígios dos processos histórico-sociais que permitiram sua construção. Nessa perspectiva, compreendê-las como parte integrante da paisagem cultural amplia o debate sobre patrimônio, permanências e transformações, ao evidenciar que essas tipologias ainda estruturam e tensionam a configuração urbana contemporânea de Belém.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOARES, Karol da Hora Guimarães Gillet. FORMAS DE MORAR E A CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM CULTURAL NA BELÉM DA BELLE-ÉPOQUE (1870–1910).. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1465894-FORMAS-DE-MORAR-E-A-CONSTRUCAO-DA-PAISAGEM-CULTURAL-NA-BELEM-DA-BELLE-EPOQUE-(18701910). Acesso em: 12/08/2026

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