NARRATIVAS SITUADAS E PAISAGEM CULTURAL URBANA

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
NARRATIVAS SITUADAS E PAISAGEM CULTURAL URBANA
Autores
  • Larissa Siqueira Chaves
  • Soraya Nór
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1464866-narrativas-situadas-e-paisagem-cultural-urbana
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
paisagem cultural urbana, narrativas situadas, feminismo, paisagens urbanas subalternas
Resumo
O conceito de paisagem cultural denota uma relação processual histórico-centrada entre humanos e natureza como co-produtores não somente da paisagem, mas de naturezas-culturas espacializadas. Ao propor a noção de imanência entre humanos e natureza, a paisagem cultural é compreendida como um todo complexo, que tem sua especificidade e características atreladas a uma localidade espaço-temporal, em outras palavras, são produções coletivas ligadas a uma temporalidade. Compreendemos, sobretudo no contexto urbano, a paisagem cultural como uma categoria analítica em disputa, não completamente estabilizada e, portanto, porosa, fluida e passível de ampliação crítica. No âmbito da cidade, tem sido utilizada como chave de leitura para compreender os processos de transformações aceleradas. Apesar disso, quando nos voltamos para paisagens urbanas subalternas, da precariedade, marcadas por deslocamentos, violências e rupturas, a aplicação do conceito exige abordagens outras que não as tradicionais, que celebrem suas dinâmicas próprias, transitoriedades e a memória coletiva, sem que no entanto promova uma romantização da precariedade e da pobreza. As abordagens usuais tendem a priorizar narrativas oficiais, lineares e consagradas, relegando às margens a produção das experiências vividas, memórias e práticas cotidianas dos subalternizados, como as mulheres, especialmente mulheres racializadas. Dessa forma, este trabalho crítico-ensaístico procura refletir acerca do potencial das narrativas como ferramenta epistemológica para a leitura da paisagem cultural urbana. Partimos de uma epistemologia feminista e situada, baseada na convergência entre gênero, memória, territorialidade e interseccionalidade. Para tanto, mobilizamos obras narrativas de mulheres negras no contexto brasileiro, que são compreendidas não em seu sentido literário, mas como formas de registro de experiência e produção de lugares e paisagens. Em Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus nos oferece um testemunho do cotidiano na favela do Canindé, em São Paulo, entre 1955 e 1960. Das páginas de seu diário, extravasam práticas de habitar, de cuidar, ritmos e relações sociais que conformam uma paisagem cultural vivida, encarnada, atravessada por desigualdades estruturais, mas que revelam os modos de reprodução social no cotidiano. Da mesma forma, a escrevivência de Conceição Evaristo, em Becos da Memória, desvela uma narrativa em que a trama ficcional se confunde com o real. Nessa obra, a autora recupera e reconstrói a memória de um território popular em Belo Horizonte, que passa por um processo de desfavelização, ou seja, de remoção, para que o progresso e a cidade formal possam se desenvolver. Essa narrativa revela os deslocamentos e as reconfigurações vivenciadas em muitos territórios. As duas obras aqui discutidas possibilitam tensionar narrativas testemunhais e ficcionais que revelam diferentes temporalidades da paisagem cultural urbana, numa imbricação entre presente, passado e futuro. Por meio de um diálogo com perspectivas do Sul Global e epistemologias plurais, procuramos contribuir para a ampliação do debate acerca da paisagem cultural. Defendemos que narrativas situadas podem amplificar a noção de paisagem cultural ao incorporar experiências sociais, afetivas e simbólicas nem sempre captadas por instrumentos técnicos hegemônicos, reforçando a importância de leituras sensíveis às dinâmicas socioambientais nos territórios.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CHAVES, Larissa Siqueira; NÓR, Soraya. NARRATIVAS SITUADAS E PAISAGEM CULTURAL URBANA.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1464866-NARRATIVAS-SITUADAS-E-PAISAGEM-CULTURAL-URBANA. Acesso em: 12/08/2026

Trabalho

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