ONTOLOGIAS DA ÁGUA E RESILIÊNCIA BIOCULTURAL: A PALAFITA COMO TIPOLOGIA ARQUITETÔNICA DA PAISAGEM NA AMAZÔNIA TAPAJÔNICA

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ONTOLOGIAS DA ÁGUA E RESILIÊNCIA BIOCULTURAL: A PALAFITA COMO TIPOLOGIA ARQUITETÔNICA DA PAISAGEM NA AMAZÔNIA TAPAJÔNICA
Autores
  • Cecy Oneide do Nascimento Sussuarana
  • ITAMAR RODRIGUES PAULINO
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1456837-ontologias-da-agua-e-resiliencia-biocultural--a-palafita-como-tipologia-arquitetonica-da-paisagem-na-amazonia-ta
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Água; Amazônia; Memória; Identidade; Paisagem cultural
Resumo
As paisagens culturais das águas amazônidas não se limitam à delimitação geográfica; elas representam a interseção dialética entre ecossistemas hídricos e sistemas de significação humana. Em contextos ribeirinhos, a água atua como um agente estruturador, um "suporte vivo" que coordena o metabolismo social, as tipologias arquitetônicas e as cartografias da memória. No debate ibero-americano, essas paisagens são entendidas como palimpsestos, onde camadas de adaptação histórica revelam a tensão constante entre a permanência cultural e as transformações urbanas. Nossa apresentação evoca as palafitas ribeirinhas como Arquitetura Vernacular e Saberes Hidrológicos. Assim, apropriamos do termo palafita em Santarém, no oeste paraense como moradia e como uma tipologia arquitetônica de simbiose. Ela é a materialização de um saber tradicional que decodifica o pulso da inundação a partir dos regimes de cheia e vazante. A palafita é um modelo arquitetônico de resiliência que integra o solo instável e a variabilidade do nível dos rios Tapajós, Arapiuns e Amazonas, na região do Baixo Amazonas. Para além da madeira e dos esteios, a palafita sustenta modos de vida e narrativas identitárias, afirmando-se como patrimônio vivo que resiste à homogeneização das normas urbanas convencionais. Nela se expressam práticas existenciais próprias adaptadas à lógica da dinâmica hídrica, e faz as comunidades articularem socioeconomia, cultura e relações de uso agrícola, pecuário, pesqueiro, bem como de consumo humano e animal das águas, numa contínua interação com o meio ambiente. Na oposição dessa harmonia socioambiental, as transformações antropogênicas e a crise climática global têm subvertido a previsibilidade dos ciclos hidrológicos na Amazônia, fazendo com que a intensificação de eventos extremos e a erosão acelerada das margens (o fenômeno das "terras caídas") comprometem a integridade estrutural das palafitas e, consequentemente, a estabilidade das comunidades. O impacto não é meramente material; há uma erosão simbólica. O deslocamento forçado e a alteração forçada dos modos de vida rompem a continuidade histórica, fragilizando o nexo entre território, memória e identidade. Nossa apresentação se ancora numa análise nos marcos teóricos da UNESCO (1972), da Convenção Europeia da Paisagem (2000) e na Carta Ibero-Americana de Paisagem Cultural. Esses documentos fundamentam a necessidade de transitar de uma visão puramente preservacionista para uma gestão integrada, que compreenda a paisagem como um direito cultural e uma expressão da diversidade humana frente ao ambiente. Consequentemente, a salvaguarda das paisagens culturais da água exige políticas públicas situadas, que reconheçam a complexidade socioambiental da Amazônia, incorporando projetos arquitetônicos e urbanísticos que atentem à resiliência e ao protagonismo das comunidades ribeirinhas como parâmetro técnico, valorizando a palafita não como precariedade, mas como tecnologia social de adaptação. A preservação dessa paisagem é, pois, a garantia de soberania das memórias e identidades que emergem das águas.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SUSSUARANA, Cecy Oneide do Nascimento; PAULINO, ITAMAR RODRIGUES. ONTOLOGIAS DA ÁGUA E RESILIÊNCIA BIOCULTURAL: A PALAFITA COMO TIPOLOGIA ARQUITETÔNICA DA PAISAGEM NA AMAZÔNIA TAPAJÔNICA.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1456837-ONTOLOGIAS-DA-AGUA-E-RESILIENCIA-BIOCULTURAL--A-PALAFITA-COMO-TIPOLOGIA-ARQUITETONICA-DA-PAISAGEM-NA-AMAZONIA-TA. Acesso em: 10/08/2026

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