ENTRE TERRA E ÁGUA: A PAISAGEM HÍDRICA COMO PRINCÍPIO ORGANIZADOR DA RESIDÊNCIA MEDIEVAL VENEZIANA

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

DOI
10.29327/9786527226109.1455278  
Título do Trabalho
ENTRE TERRA E ÁGUA: A PAISAGEM HÍDRICA COMO PRINCÍPIO ORGANIZADOR DA RESIDÊNCIA MEDIEVAL VENEZIANA
Autores
  • Éllen Cristina da Costa
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1455278-entre-terra-e-agua--a-paisagem-hidrica-como-principio-organizador-da-residencia-medieval-veneziana
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Terra, água, paisagem, arquitetura, casa.
Resumo
A arquitetura das casas construídas em Veneza, no período medieval, configurou uma situação única no cenário urbano italiano da época, uma vez que o ambiente aquático não foi um mero elemento de contexto, mas um agente que organizou e condicionou várias partes do projeto arquitetônico. O presente estudo analisa as transformações da tipologia da casa veneziana entre os séculos XII e XIII, a partir da reorientação e reorganização da edificação em direção aos canais que permeiam a cidade, principalmente, o Canal Grande, de modo a entender de que forma a paisagem hídrica urbana atuou como princípio organizador das residências venezianas medievais. Para tanto, a pesquisa adotou uma metodologia histórico-tipológica, analisando e comparando construções a partir de seus desenhos arquitetônicos e de bibliografia especializada, levando sempre em conta o aspecto social e urbano desse tipo de edifício. O trabalho se inicia pelo estudo da casa veneziana do século XII, de planta retangular, organizada em duas faixas, com o acesso principal feito por terra, a partir de arcadas. Nessas edificações, o térreo abrigava as atividades de serviço e comércio, enquanto no primeiro pavimento estavam organizados os aposentos da família, dispostos ao longo de um portego longitudinal. Nestas habitações, o vínculo com a paisagem aquática era secundário: os canais funcionavam, essencialmente, como infraestrutura urbana. A seguir, o texto trata das residências construídas no século XIII, período em que as atividades marítimas e mercantis de Veneza se intensificaram e os canais passaram, progressivamente, a desempenhar um papel mais ativo e simbólico no desenvolvimento da cidade. A rede de canais condicionou diretamente a tipologia da casa medieval veneziana a partir do Duecento: o acesso principal deixou de ser terrestre e passou a ocorrer a partir do canal, invertendo a hierarquia das fachadas. Com essa inversão entre a frente e os fundos, o pátio perdeu a sua relevância cerimonial e se tornou um espaço complementar. Essa reorientação da entrada também exigiu um novo espaço de acesso e recepção daqueles que chegavam do canal, assim como outras modificações no arranjo da edificação, como a organização da planta em duas ou três faixas transversais. Em relação à expressão formal das edificações, a fachada principal, voltada para a água, tornou-se ainda mais simbólica, representando a gradual progressão da Idade Média à sociedade Renascentista. Arcadas demarcando o acesso e grandes janelas nos pavimentos superiores permitiram a comunicação visual entre o interior doméstico e a paisagem hídrica. Por fim, o estudo da residência medieval veneziana revelou como a água, enquanto elemento de paisagem e infraestrutura urbana, foi capaz de condicionar e adaptar a arquitetura residencial. O canal teve o poder de redefinir gradualmente o modo de habitar, de circular e de se afirmar da sociedade medieval veneziana, antecipando princípios de composição que seriam centrais na arquitetura palaciana do Renascimento italiano.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

COSTA, Éllen Cristina da. ENTRE TERRA E ÁGUA: A PAISAGEM HÍDRICA COMO PRINCÍPIO ORGANIZADOR DA RESIDÊNCIA MEDIEVAL VENEZIANA.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1455278-ENTRE-TERRA-E-AGUA--A-PAISAGEM-HIDRICA-COMO-PRINCIPIO-ORGANIZADOR-DA-RESIDENCIA-MEDIEVAL-VENEZIANA. Acesso em: 10/08/2026

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