ESTRATÉGIAS DE LEITURA, SETORIZAÇÃO E PLANEJAMENTO NAS PAISAGENS DA PEDRA BRANCA: CARTOGRAFIA, VISIBILIDADE E EXPERIÊNCIA NO CAMORIM

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ESTRATÉGIAS DE LEITURA, SETORIZAÇÃO E PLANEJAMENTO NAS PAISAGENS DA PEDRA BRANCA: CARTOGRAFIA, VISIBILIDADE E EXPERIÊNCIA NO CAMORIM
Autores
  • Mariana Rodrigues de Oliveira
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1451116-estrategias-de-leitura-setorizacao-e-planejamento-nas-paisagens-da-pedra-branca--cartografia-visibilidade-e-ex
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Patrimônio Paisagístico, Planejamento Urbano, Visibilidade, Leitura e Representação da Paisagem, Maciço da Pedra Branca
Resumo
A leitura, a representação e a proteção da paisagem são aqui abordadas a partir da articulação entre cartografia, visibilidade e experiência sensível, tendo como recorte empírico o território do bairro do Camorim e sua relação com o Maciço da Pedra Branca, localizados na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Parte-se do entendimento de que a paisagem não se reduz a um objeto visual ou biofísico, mas se constitui como construção cultural, histórica e perceptiva, resultante da relação entre território e observador, conforme problematizado por autores como Berque (2023) e Besse (2014), assim como das premissas articuladas na Convenção Europeia da Paisagem (2000), onde a paisagem é “elemento-chave do bem-estar individual e social” (p. 1), e a noção clássica de paisagem enquanto recorte estético ou patrimônio excepcional é ampliada, incluindo-se as paisagens da vida cotidiana. A pesquisa dialoga criticamente com o panorama da legislação urbanística brasileira, evidenciando a ausência de instrumentos voltados diretamente à proteção da visibilidade das montanhas como patrimônio paisagístico. Embora existam dispositivos de proteção ambiental e limites altimétricos, como a limitação construtiva a partir da cota 100 atuante no Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), tais mecanismos não asseguram a permanência das visadas nem a leitura contínua da paisagem montanhosa no cotidiano urbano, ameaçadas por estratégias como a verticalização exacerbada, a flexibilização normativa dos gabaritos e índices urbanísticos e a fragmentação dos instrumentos de planejamento, que dissociam urbanismo, paisagem e meio ambiente. Esses processos produzem barreiras visuais, enfraquecem a relação sensível entre território e observador e confluem no desencantamento progressivo da extraordinariedade do objeto paisagístico no dia a dia. Como referências metodológicas, o trabalho analisa o London View Management Framework (2012), e os Catálogos de Paisagem da Catalunha. Enquanto o modelo londrino trata a visada como um dispositivo geométrico normativo, ancorado em enquadramentos precisos e pontos fixos de observação, os catálogos catalães propõem uma leitura sistêmica da paisagem, integrando dimensões físicas, históricas, culturais e perceptivas. A partir dessas referências, propõe-se compreender a visada não como linha rígida ou cone óptico isolado, mas como atravessamento, isto é, como o conjunto de fragmentos de paisagem que se revelam a partir de um determinado ponto de observação e que produzem narrativas possíveis sobre o território. No Camorim, essa abordagem é aprofundada pela utilização da hidrografia, em especial o rio Camorim, como elemento estruturador da leitura espacial, permitindo a identificação de unidades de paisagem que articulam dinâmicas biofísicas, históricas e simbólicas. O trabalho defende que a articulação entre cartografia técnica e percepção sensível pode constituir uma estratégia potente de planejamento paisagístico, capaz de imbuir o pragmatismo legislativo da experiência cotidiana e dos saberes coletivos. Ao dialogar com a Convenção Europeia da Paisagem e com os debates sobre direito à paisagem e cidadania paisagística (BARBOSA, 2020), a pesquisa propõe uma metodologia aplicável ao contexto brasileiro, orientada não apenas à salvaguarda formal, mas ao reconhecimento da paisagem como bem comum, experiência vivida e campo de disputas territoriais.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Mariana Rodrigues de. ESTRATÉGIAS DE LEITURA, SETORIZAÇÃO E PLANEJAMENTO NAS PAISAGENS DA PEDRA BRANCA: CARTOGRAFIA, VISIBILIDADE E EXPERIÊNCIA NO CAMORIM.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1451116-ESTRATEGIAS-DE-LEITURA-SETORIZACAO-E-PLANEJAMENTO-NAS-PAISAGENS-DA-PEDRA-BRANCA--CARTOGRAFIA-VISIBILIDADE-E-EX. Acesso em: 02/08/2026

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