‘ÁGUA MOLE, PEDRA DURA': A ÁGUA COMO ELEMENTO ESTRUTURANTE DA PAISAGEM CULTURAL DA SERRA DE OURO PRETO

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
‘ÁGUA MOLE, PEDRA DURA': A ÁGUA COMO ELEMENTO ESTRUTURANTE DA PAISAGEM CULTURAL DA SERRA DE OURO PRETO
Autores
  • Eduardo Evangelista Ferreira
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1450278-agua-mole-pedra-dura--a-agua-como-elemento-estruturante-da-paisagem-cultural-da-serra-de-ouro-preto
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural; Água; Mineração aurífera; Serra de Ouro Preto; Risco geológico; Patrimônio cultural
Resumo
A Serra de Ouro Preto constitui uma paisagem cultural complexa, resultante da interação entre processos geotectônicos de longa duração, a dinâmica hidrológica e práticas sociais associadas à mineração aurífera desde o século XVIII. Neste trabalho, a água é tomada como elemento central de análise, não como agente causador dos riscos contemporâneos, mas como meio vital que estruturou a ocupação do território, viabilizou tecnicamente a extração do ouro e, no presente, revela passivos históricos ainda não enfrentados. Desde o período setecentista do ciclo do ouro, a água desempenhou papel fundamental nas técnicas de mineração aurífera, sendo utilizada no desmonte hidráulico das encostas, na escavação subterrânea e nos processos de apuração final do ouro por decantação. Para isso, foram construídas barragens, extensas infraestruturas hidráulicas, como aquedutos, buracos de sarilhos, canais, poços e galerias subterrâneas, que configuraram uma verdadeira cidade subterrânea escavada no maciço rochoso da serra. Essas estruturas, concebidas para operar com grandes vazões, deixaram marcas profundas na morfologia do relevo e na circulação hídrica superficial e subterrânea. No contexto contemporâneo, a água continua a desempenhar papel central na Serra de Ouro Preto, agora em uma condição de dualidade. Por um lado, a serra abriga uma das mais importantes zonas de recarga aquífera do município, responsável pelo abastecimento de mais da metade da população urbana, reafirmando a água como elemento indispensável à vida e à sustentabilidade da cidade. Por outro, a circulação da água por vazios subterrâneos herdados da mineração colonial atua como reveladora e deflagradora de riscos geológicos, como escorregamentos de encosta, subsidência do solo e colapso de galerias durante os períodos chuvosos, especialmente em áreas densamente urbanizadas sobre antigas lavras. Argumenta-se que tais riscos não são naturais nem atribuíveis à água em si, mas resultam da mineração predatória colonial, da ausência de fechamento e estabilização das estruturas subterrâneas, da ocupação urbana desordenada e da omissão histórica do poder público e dos órgãos de proteção do patrimônio. Embora a Serra de Ouro Preto esteja inserida no perímetro de tombamento do conjunto urbano reconhecido pela UNESCO em 1980, ela permaneceu marginal nas políticas de preservação, que privilegiaram o patrimônio edificado monumental em detrimento do território vivido e habitado. O trabalho também discute ameaças contemporâneas ao aquífero da serra, associadas à mineração irregular em áreas como o Botafogo, evidenciando a permanência de lógicas extrativistas que colocam em risco o principal elemento de sustentação da vida na cidade. Conclui-se que a água, longe de ser culpada pelos processos de instabilidade, atua como elemento revelador de uma crise territorial histórica, apontando para a necessidade de revisão das políticas de patrimonialização, com a incorporação efetiva da Serra de Ouro Preto nas ações de preservação, gestão de riscos e proteção das populações que habitam essa paisagem cultural.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERREIRA, Eduardo Evangelista. ‘ÁGUA MOLE, PEDRA DURA': A ÁGUA COMO ELEMENTO ESTRUTURANTE DA PAISAGEM CULTURAL DA SERRA DE OURO PRETO.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1450278-AGUA-MOLE-PEDRA-DURA--A-AGUA-COMO-ELEMENTO-ESTRUTURANTE-DA-PAISAGEM-CULTURAL-DA-SERRA-DE-OURO-PRETO. Acesso em: 02/08/2026

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