PARA ALÉM DA ARQUITETURA MONUMENTAL: ÁGUA, MINERAÇÃO SETECENTISTA E SABERES NEGROS NA CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM DE OURO PRETO

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
PARA ALÉM DA ARQUITETURA MONUMENTAL: ÁGUA, MINERAÇÃO SETECENTISTA E SABERES NEGROS NA CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM DE OURO PRETO
Autores
  • Eduardo Evangelista Ferreira
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1450000-para-alem-da-arquitetura-monumental--agua-mineracao-setecentista-e-saberes-negros-na-construcao-da-paisagem-de-
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural; Ancestralidade Afrodiaspórica; Mineração aurífera; Água; Arqueologia da mineração; Ouro Preto; Patrimonialização.
Resumo
Este artigo analisa a paisagem cultural da Serra de Ouro Preto a partir da mineração aurífera setecentista e da água como matrizes estruturantes do território, propondo uma revisão crítica dos processos de patrimonialização que historicamente privilegiaram a monumentalidade arquitetônica em detrimento da leitura integrada da paisagem minerária e da agência das populações negras escravizadas. Sustenta-se a tese de que Ouro Preto constitui uma paisagem cultural minerária integral, resultante de um sistema técnico-territorial historicamente produzido pela interação entre mineração, manejo hídrico e urbanismo, cujas bases foram estabelecidas a partir da invasão colonial iniciada em 1698. A mineração aurífera colonial promoveu profundas transformações ambientais e sociais na Serra de Ouro Preto, com reconfiguração do relevo, alteração dos sistemas hídricos e implantação de complexas infraestruturas de captação e condução de água. Esses processos foram operados majoritariamente por pessoas negras sequestradas de regiões africanas, em especial da Costa da Mina, portadoras de conhecimentos técnicos fundamentais para a mineração hidráulica. Tais contribuições, entretanto, foram sistematicamente invisibilizadas pelas narrativas coloniais e pelos discursos patrimoniais consolidados ao longo do século XX. O artigo adota uma abordagem interdisciplinar, articulando fundamentos teóricos da paisagem cultural, da arqueologia da mineração, das epistemologias do Sul e dos estudos afro-diaspóricos, com análise territorial e leitura integrada dos sistemas hídricos históricos. Como recorte empírico, privilegia-se o trecho da Serra do Veloso e a região de Botafogo, área de elevada densidade arqueológica e relevância hídrica, caracterizada por mananciais estratégicos e por ser zona de recarga de aquífero responsável pelo abastecimento de mais da metade da população de Ouro Preto. Além da análise histórica, o artigo examina os conflitos contemporâneos associados à mineração predatória no Botafogo, marcada por processos de licenciamento ambiental questionáveis, investigações por irregularidades e riscos elevados à segurança hídrica. Em contraponto a esse modelo extrativista, analisa-se a experiência da Mina Du Veloso, desenvolvida desde 2014, como estudo de caso de ressignificação da paisagem cultural minerária. A iniciativa articula centralidade da ancestralidade negra, mediação crítica da paisagem, educação patrimonial afrocentrada, uso público responsável e turismo cultural de base territorial. Conclui-se que a revisão da patrimonialização de Ouro Preto é condição fundamental para a construção de futuros sustentáveis, socialmente justos e ambientalmente responsáveis. Ao reconhecer a paisagem cultural minerária, hídrica e afro-diaspórica como eixo estruturante do território, o artigo contribui para os debates promovidos pela Cátedra UNESCO Patrimônio e Paisagem Cultural e para o avanço de políticas públicas integradas de preservação, gestão da água e desenvolvimento territorial.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERREIRA, Eduardo Evangelista. PARA ALÉM DA ARQUITETURA MONUMENTAL: ÁGUA, MINERAÇÃO SETECENTISTA E SABERES NEGROS NA CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM DE OURO PRETO.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1450000-PARA-ALEM-DA-ARQUITETURA-MONUMENTAL--AGUA-MINERACAO-SETECENTISTA-E-SABERES-NEGROS-NA-CONSTRUCAO-DA-PAISAGEM-DE-. Acesso em: 02/08/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes