RETERRITORIALIZAÇÃO E REENRAIZAMENTO EM CONTEXTOS DE CAPITALISMO DE DESASTRE: CONFLITOS E DISPUTAS NA PAISAGEM CULTURAL DE BENTO RODRIGUES

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
RETERRITORIALIZAÇÃO E REENRAIZAMENTO EM CONTEXTOS DE CAPITALISMO DE DESASTRE: CONFLITOS E DISPUTAS NA PAISAGEM CULTURAL DE BENTO RODRIGUES
Autores
  • Paula Pinto Huhn de Azevedo
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449906-reterritorializacao-e-reenraizamento-em-contextos-de-capitalismo-de-desastre--conflitos-e-disputas-na-paisagem-c
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural, Desastre-crime, Reterritorialização, Conflitos territoriais, Capitalismo de desastre
Resumo
O artigo visa divulgar os resultados obtidos pela dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo, no ano de 2025. Intitulada Patrimônio cultural, memória e identidade na reterritorialização e reenraizamento: uma análise de Bento Rodrigues/MG, a pesquisa analisa o território de Bento Rodrigues, distrito de Mariana/MG, após o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, ocorrido em 2015. Compreende-se que o desastre-crime instaurou um processo contínuo de violência territorial, marcado pelos processos de desenraizamento (Weil, 2001) e desterritorialização (Haesbaert; Bruce, 2002) da população atingida. A partir de uma leitura fundamentada nos conceitos de neoliberalismo (Harvey, 2008), necropolítica (Mbembe, 2018) e capitalismo de desastre (Klein, 2007), a pesquisa investiga como a gestão do desastre-crime operou por meio da normalização da perda, da supressão contínua de direitos e da disputa desigual de territorialidade exercida pela Samarco e suas controladoras em relação às comunidades atingidas. Nesse contexto, a paisagem cultural é compreendida como recurso político e campo de conflito, no qual se confrontam projetos antagônicos de território: de um lado, a lógica neoliberal e necropolítica que orienta os processos institucionais de reparação; de outro, as formas de memória, pertencimento e uso do território produzidas pelas comunidades atingidas. Do ponto de vista metodológico, o estudo articula revisão bibliográfica crítica, análise documental de instrumentos legais e institucionais e leitura do território, considerando suas dimensões históricas, sociais, simbólicas e patrimoniais. Essa abordagem permitiu identificar que as propostas formais de reassentamento e preservação tendem a esvaziar seus sentidos culturais, operando uma reterritorialização funcional que desconsidera os vínculos afetivos, identitários e históricos da população com o lugar. Os resultados evidenciam que o desastre-crime de Fundão constitui um caso emblemático de capitalismo de desastre, em que a Samarco e suas controladoras se aproveitaram do momento de choque gerado pelo rompimento da barragem para ampliar seus lucros. Os processos de reterritorialização e reenraizamento não se efetivam de forma justa, pois se dão sob a lógica neoliberal, perpetuando a violência estrutural (Galtung, 1969), o controle sobre a memória e a história a serem preservadas, bem como a soberania sobre a vida e a morte das comunidades residentes em zonas de sacrifício. Em contrapartida, as práticas de memória, os usos continuados do território dizimado e as narrativas construídas pelos atingidos configuram formas de enfrentamento à lógica necropolítica, tensionando a legitimidade das decisões institucionais sobre o território. Conclui-se que a paisagem cultural de Bento Rodrigues deve ser compreendida como um território em disputa, no qual preservação e gestão não podem ser tratadas como ações exclusivamente técnicas e distanciadas das comunidades atingidas. Destaca-se, nesse contexto, a importância do patrimônio cultural — especialmente dos bens imateriais — como ferramenta fundamental para mitigar os impactos decorrentes da ruptura com o território de origem, uma vez que, diante da perda da materialidade, tradicional âncora da memória, a imaterialidade assume o papel de portadora da rememoração nos processos de reterritorialização e reenraizamento.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

AZEVEDO, Paula Pinto Huhn de. RETERRITORIALIZAÇÃO E REENRAIZAMENTO EM CONTEXTOS DE CAPITALISMO DE DESASTRE: CONFLITOS E DISPUTAS NA PAISAGEM CULTURAL DE BENTO RODRIGUES.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449906-RETERRITORIALIZACAO-E-REENRAIZAMENTO-EM-CONTEXTOS-DE-CAPITALISMO-DE-DESASTRE--CONFLITOS-E-DISPUTAS-NA-PAISAGEM-C. Acesso em: 02/08/2026

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