COMPARTILHAR PARA PERMANECER: A REPÚBLICA AQUARIUS E A FORMAÇÃO ESPACIAL DA IDENTIDADE ESTUDANTIL DE OURO PRETO/MG

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
COMPARTILHAR PARA PERMANECER: A REPÚBLICA AQUARIUS E A FORMAÇÃO ESPACIAL DA IDENTIDADE ESTUDANTIL DE OURO PRETO/MG
Autores
  • Daniell Wanderley Lacet
  • Maria Fernanda Brandi
  • Murilo Henrique Ialamov Pinto
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449804-compartilhar-para-permanecer--a-republica-aquarius-e-a-formacao-espacial-da-identidade-estudantil-de-ouro-preto
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem Cultural, Repúblicas Estudantis, Microcultura, Arquitetura Participativa, Patrimônio
Resumo
A paisagem cultural de Ouro Preto é marcada por uma dialética constante entre a monumentalidade de seu conjunto arquitetônico e a vivacidade das práticas cotidianas que o sustentam. Historicamente, a transferência da capital mineira para Belo Horizonte no final do século XIX legou à cidade um cenário de esvaziamento populacional e abandono de parte de sua edificação histórica. Contudo, esse vácuo foi gradualmente preenchido pelo movimento das repúblicas estudantis, impulsionado pela consolidação da Escola de Minas e, posteriormente, da Universidade Federal de Ouro Preto. Esse processo de reocupação não apenas garantiu a integridade física de diversos imóveis, mas originou um modo de habitar singular, onde a tradição e a convivência coletiva forjaram o que se convencionou chamar de “espírito republicano”. Nesse contexto, a proposta investiga a República Aquarius, fundada em 1969 a partir da ocupação de uma antiga hospedaria abandonada. O foco reside na compreensão de como o compartilhamento do espaço fomentou a criação de uma identidade estudantil específica, interpretada aqui sob o conceito de microcultura, manifestada por meio de normas internas, rituais e uma linguagem simbólica própria que, ao longo das décadas, moldaram a percepção espacial dos moradores. Busca-se analisar a relação intrínseca entre o habitante e o lugar, pela premissa de que o "compartilhar para permanecer" é uma estratégia de resistência e de salvaguarda do patrimônio vivo, permitindo que estudantes de origens e culturas diversas construam uma consonância coletiva em um território inicialmente estranho. A fundamentação teórica une fenomenologia e sociologia urbana, apoiada na tese de Martin Heidegger de que construir constitui a própria essência do habitar. Essa perspectiva é ampliada pela fenomenologia da percepção de Merleau-Ponty para interpretar a experiência sensorial e corporal do objeto, aliada à estética das atmosferas de Gernot Böhme para decifrar as subjetividades imersas no espaço constituído. Sob o viés metodológico, o trabalho adota o conceito etnográfico de olhar "de dentro e de perto" para apreender os significados do cotidiano. O percurso investigativo engloba levantamento bibliográfico, visitas técnicas e entrevistas qualitativas, além de registros fotográficos e documentais das metamorfoses arquitetônicas ocorridas no edifício. Ao analisar desde reformas autogeridas até a personalização dos ambientes, busca-se documentar a construção do habitar 'Aquarius'. O foco recai sobre como essa microcultura guiou a concepção espacial, com identificação de similaridades em outras repúblicas mediante experiências vividas e experiências de campo. Espera-se que o registro dessas transformações espaciais colabore com o debate sobre a preservação e o direito à paisagem no centro histórico de Ouro Preto. Ao evidenciar que a manutenção do patrimônio edificado está profundamente ligada às práticas culturais de seus ocupantes, procura-se demonstrar que a proteção da paisagem cultural deve incluir o reconhecimento das microculturas urbanas. Documentar a trajetória da Aquarius é, portanto, uma forma de validar as intervenções cotidianas como elementos fundamentais da identidade e da gestão da paisagem, reforçando o papel político e identitário das repúblicas na manutenção da vitalidade urbana de uma cidade-patrimônio.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LACET, Daniell Wanderley; BRANDI, Maria Fernanda; PINTO, Murilo Henrique Ialamov. COMPARTILHAR PARA PERMANECER: A REPÚBLICA AQUARIUS E A FORMAÇÃO ESPACIAL DA IDENTIDADE ESTUDANTIL DE OURO PRETO/MG.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449804-COMPARTILHAR-PARA-PERMANECER--A-REPUBLICA-AQUARIUS-E-A-FORMACAO-ESPACIAL-DA-IDENTIDADE-ESTUDANTIL-DE-OURO-PRETO. Acesso em: 02/08/2026

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