A ZONA ÚMIDA DO PARQUE NACIONAL DA LAGOA DO PEIXE (RS) COMO PAISAGEM CULTURAL DOS PAMPAS

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
A ZONA ÚMIDA DO PARQUE NACIONAL DA LAGOA DO PEIXE (RS) COMO PAISAGEM CULTURAL DOS PAMPAS
Autores
  • Guilherme Martins Meneguzzi
  • Luisa Gertrudis Duran Roca
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449723-a-zona-umida-do-parque-nacional-da-lagoa-do-peixe-(rs)-como-paisagem-cultural-dos-pampas
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Pampa, Zona Úmida, Antropoceno
Resumo
Este trabalho propõe a análise do Parque Nacional da Lagoa do Peixe (PARNA), situado na planície costeira dos Pampas, no Rio Grande do Sul (RS), sob a ótica da paisagem cultural. Enfatiza-se sua condição de zona úmida de importância internacional — Sítio Ramsar — diante do cenário de instabilidade do Antropoceno. O objetivo é discutir a indissociabilidade entre o patrimônio natural e cultural, destacando os saberes tradicionais dos pescadores artesanais como uma dimensão da territorialização que desafia modelos de gestão puramente tecnocráticos. A paisagem dos Pampas é o eixo articulador desta pesquisa. Único bioma restrito a apenas uma unidade federativa no Brasil e o último a ser reconhecido oficialmente (2004), os Pampas possuem a menor representatividade no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Trata-se de uma paisagem histórica e socialmente forjada por lógicas coloniais que, muitas vezes, invisibilizam suas complexidades. Nesse sentido, justifica-se a abordagem dos Pampas no plural, visando construir uma contranarrativa que posicione o PARNA como parte fundamental de um mosaico de ecossistemas e de práticas humanas resistentes ao avanço da monocultura e da silvicultura exótica. A partir do conceito de giro epistemológico aplicado ao planejamento territorial, o trabalho articula o pensamento de Eduardo Viveiros de Castro sobre a distinção entre "modelos" (planos abstratos de controle estatal) e "exemplos" (práticas de bricolagem das comunidades). Essa perspectiva é ampliada pela confluência proposta por Nego Bispo, onde o território é compreendido como um saber orgânico voltado para o desenvolvimento dos seres. Nesta zona úmida, a dinâmica de abertura da barra da lagoa para o Oceano Atlântico manifesta a agência de Gaia, influenciando desde o ciclo do camarão-rosa até as rotas de aves migratórias. As contingências do cotidiano — das mudanças climáticas ao trabalho da pesca — exigem uma gestão que reconheça o anarquismo ontológico inerente ao território, onde agências humanas e não humanas (a laguna, os ventos, os antepassados) coexistem. Conclui-se que o Parque Nacional da Lagoa do Peixe constitui uma paisagem cultural potente, cuja gestão deve transitar de modelos rígidos para uma compreensão baseada em laços de identidade e pertencimento. O reconhecimento desta zona úmida como patrimônio cultural é, portanto, um ato de resistência que valoriza o saber-fazer local frente às imposições do espaço abstrato, promovendo uma confluência necessária entre a conservação da biodiversidade e a dignidade das comunidades tradicionais.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MENEGUZZI, Guilherme Martins; ROCA, Luisa Gertrudis Duran. A ZONA ÚMIDA DO PARQUE NACIONAL DA LAGOA DO PEIXE (RS) COMO PAISAGEM CULTURAL DOS PAMPAS.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449723-A-ZONA-UMIDA-DO-PARQUE-NACIONAL-DA-LAGOA-DO-PEIXE-(RS)-COMO-PAISAGEM-CULTURAL-DOS-PAMPAS. Acesso em: 08/08/2026

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