PAISAGENS REGULADAS E DISPUTADAS: CEMITÉRIOS, MERCADO E PRODUÇÃO DESIGUAL DO ESPAÇO URBANO

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
PAISAGENS REGULADAS E DISPUTADAS: CEMITÉRIOS, MERCADO E PRODUÇÃO DESIGUAL DO ESPAÇO URBANO
Autores
  • Marcos Winicio De Sousa
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449648-paisagens-reguladas-e-disputadas--cemiterios-mercado-e-producao-desigual-do-espaco-urbano
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem funerária, regulação urbana, mercantilização da morte, desigualdade territorial, produção do espaço.
Resumo
A morte, embora constitua uma experiência universal, ocupa um lugar ambíguo no planejamento urbano e nas políticas públicas, sendo frequentemente tratada como tema marginal ou silenciado. Ainda assim, cemitérios e serviços funerários integram a infraestrutura urbana e participam ativamente da produção do espaço. Historicamente, esses equipamentos foram progressivamente afastados das áreas centrais à medida que as cidades cresceram, seja por razões sanitárias, morais ou econômicas, processo que contribuiu para sua invisibilização e para a desvalorização simbólica desses territórios. Esse deslocamento insere os cemitérios em áreas periféricas ou em zonas de expansão urbana, transformando-os em paisagens reguladas e em terrenos permanentemente tensionados por disputas fundiárias e interesses imobiliários. Este trabalho analisa a paisagem funerária a partir da economia política da morte, investigando como processos recentes de mercantilização e concessão de serviços funerários reconfiguram a gestão, o uso e o acesso aos espaços destinados aos mortos em municípios de Minas Gerais. O objetivo é compreender de que maneira a incorporação da morte à lógica de mercado transforma os cemitérios em ativos econômicos e objetos de regulação estatal, produzindo e aprofundando desigualdades territoriais. Parte-se da hipótese de que a delegação da gestão funerária ao setor privado, por meio de concessões e arranjos híbridos, não se limita a mudanças administrativas, mas incide diretamente sobre a localização, a forma urbana e as condições de acesso aos espaços funerários. Do ponto de vista teórico, o trabalho dialoga com a economia política urbana e com abordagens críticas da produção do espaço, compreendendo a paisagem como resultado de decisões políticas, institucionais e econômicas. Os cemitérios são analisados como paisagens reguladas, disputadas e desigualmente produzidas, nas quais se expressam relações de poder entre Estado, mercado e sociedade. A regulação do uso do solo, os contratos de concessão e as estratégias de valorização fundiária moldam essas paisagens, redefinindo padrões de acesso, tipologias de sepultamento e formas de apropriação do espaço, com efeitos diretos sobre populações de menor renda. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, baseada na triangulação entre análise documental, incluindo legislações municipais, contratos de concessão, planos diretores e normativas urbanísticas, entrevistas semiestruturadas com gestores públicos, representantes de concessionárias e agentes locais, além de observação de campo em cemitérios públicos e privados. O recorte empírico em municípios mineiros permite comparar realidades contrastantes, que vão de cidades com concessões privadas consolidadas a contextos onde persistem modelos públicos ou comunitários de gestão. Ao evidenciar como a expansão urbana, a regulação estatal e a mercantilização da morte produzem paisagens funerárias periféricas e desiguais, o trabalho contribui para o debate sobre gestão da paisagem, conflitos territoriais e direito à cidade, destacando a infraestrutura funerária como dimensão central e frequentemente negligenciada, das políticas urbanas contemporâneas.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUSA, Marcos Winicio De. PAISAGENS REGULADAS E DISPUTADAS: CEMITÉRIOS, MERCADO E PRODUÇÃO DESIGUAL DO ESPAÇO URBANO.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449648-PAISAGENS-REGULADAS-E-DISPUTADAS--CEMITERIOS-MERCADO-E-PRODUCAO-DESIGUAL-DO-ESPACO-URBANO. Acesso em: 25/09/2026

Trabalho

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