ESCUTAS DA PAISAGEM CULTURAL: AMBIÊNCIAS SONORAS EM PATRIMÔNIO TOMBADO DA CIDADE DE MARECHAL DEODORO, ALAGOAS

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ESCUTAS DA PAISAGEM CULTURAL: AMBIÊNCIAS SONORAS EM PATRIMÔNIO TOMBADO DA CIDADE DE MARECHAL DEODORO, ALAGOAS
Autores
  • Manoel Ageu da Silva Neto
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449558-escutas-da-paisagem-cultural--ambiencias-sonoras-em-patrimonio-tombado-da-cidade-de-marechal-deodoro-alagoas
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem Sonora, Escuta, Patrimônio Imaterial, Ambiência, Monumentos religiosos.
Resumo
Sons podem ser agentes potentes para nos conduzir na apreensão do patrimônio edificado. Este trabalho investiga as ambiências sonoras como dimensão constitutiva da paisagem cultural, tomando como estudo de caso o Convento de Santa Maria Madalena, em Marechal Deodoro (AL), hoje parcialmente ocupado pelo Museu de Arte Sacara Dom Ranulpho Parte-se da crítica ao predomínio da percepção visual nas práticas habituais de acesso aos monumentos — historicamente centradas na materialidade arquitetônica — para propor a escuta como epistemologia capaz de apreender camadas imateriais, afetivas e espirituais do espaço construído. A pesquisa compreende o monumento não apenas como objeto edificado, mas como organismo vivo, no qual arquitetura, práticas cotidianas e paisagem sonora se articulam na produção de ambiências. No caso de edificações religiosas, o universo sônico — composto por silêncios ritualizados, cantos litúrgicos, toques de sino, passos, murmúrios, mas também pelos sons urbanos contemporâneos que adentram seus espaços — é patrimônio imaterial que estrutura a experiência do lugar e atravessa o tempo, mesmo quando determinadas práticas já não estão plenamente ativas. Nesse sentido, o som opera como costura invisível, organizando ritmos, disciplinando corpos e mediando a relação entre espiritualidade, arquitetura e paisagem. Metodologicamente, o estudo articula experiência empírica, registros audiovisuais e análise bibliográfica, dialogando com os campos da paisagem cultural, da ecologia acústica e dos estudos das ambiências. A escuta é assumida como prática situada e relacional, capaz de acessar atmosferas que escapam às leituras estritamente formais ou funcionais do patrimônio. O trabalho identifica categorias sonoras fundamentais do convento, reconhecendo sons estruturantes e marcas acústicas como elementos constitutivos da identidade do lugar. O prédio do Convento de Santa Maria Madalena, inserido em uma paisagem urbana e lacustre marcada pela lagoa Manguaba, apresenta uma ambiência singular, na qual os sons da água, do vento e da vegetação dialogam com os ritos religiosos e com a materialidade da arquitetura franciscana. As transformações históricas do conjunto — da vida em clausura ao uso museal — introduziram novas camadas sonoras, evidenciando tensões entre preservação, turismo e manutenção do silêncio contemplativo. Ao reconhecer a dimensão sonora como componente essencial de um monumento, o estudo contribui para o debate contemporâneo sobre patrimônio e projeto, defendendo a ampliação das estratégias de salvaguarda para incluir dimensões sensoriais e imateriais. Propõe-se, assim, que as práticas de preservação considerem não apenas o edifício e seu entorno físico, mas também as ambiências que dão sentido à experiência do lugar, confirmando portanto, a escuta como potente ferramenta crítica para a leitura, gestão e valorização das paisagens culturais.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NETO, Manoel Ageu da Silva. ESCUTAS DA PAISAGEM CULTURAL: AMBIÊNCIAS SONORAS EM PATRIMÔNIO TOMBADO DA CIDADE DE MARECHAL DEODORO, ALAGOAS.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449558-ESCUTAS-DA-PAISAGEM-CULTURAL--AMBIENCIAS-SONORAS-EM-PATRIMONIO-TOMBADO-DA-CIDADE-DE-MARECHAL-DEODORO-ALAGOAS. Acesso em: 23/09/2026

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