(INFRA)ESTRUTURAS DO SAGRADO: ÁGUA, ALIMENTO E PAISAGEM CULTURAL NAS CERCAS CONVENTUAIS FRANCISCANAS

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
(INFRA)ESTRUTURAS DO SAGRADO: ÁGUA, ALIMENTO E PAISAGEM CULTURAL NAS CERCAS CONVENTUAIS FRANCISCANAS
Autores
  • Manoel Ageu da Silva Neto
  • Maria Angelica da Silva
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449557-(infra)estruturas-do-sagrado--agua-alimento-e-paisagem-cultural-nas-cercas-conventuais-franciscanas
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem Cultural, Comensalidade, Cultura Alimentar, Infraestrutura Verde, Cercas conventuais, Franciscanismo.
Resumo
Este trabalho propõe uma leitura ecoambiental da paisagem cultural dos conventos franciscanos tombados do Brasil, deslocando o enfoque tradicional que os avalia a partir da monumentalidade arquitetônica para focar a atenção em uma área pouco abordada e conhecida dos mesmos: a cerca conventual. Situada nos fundos e laterais do convento, mais que um espaço de subsistência, atuava também enquanto infraestrutura paisagística, espiritual, e simbólica. Entendida não como simples limite físico, a cerca articulava hortas, pomares e sistemas de captação e distribuição de água que garantiam a autossuficiência material dos frades e estruturavam práticas cotidianas de comensalidade, disciplina e comunhão. A pesquisa investiga os percursos do alimento — da cerca produtiva ao refeitório ritual — como eixo organizador da arquitetura, da paisagem e da experiência sensível nos conventos. Fundamenta-se em estudos de campo realizados em conjuntos franciscanos de Marechal Deodoro (AL), Olinda (PE), Igarassu (PE) e João Pessoa (PB), combinando observação direta, deriva, registros audiovisuais, cartografias afetivas e análise bibliográfica. Essa abordagem permite compreender a alimentação como tecnologia simbólica, capaz de integrar práticas agrícolas, técnicas construtivas, ritos coletivos e valores franciscanos de simplicidade, trabalho e reverência à criação. Destaca-se o papel da água como elemento estruturante dessa paisagem cultural. Cisternas, poços, tanques e canais conectavam a cerca aos espaços internos do convento, assegurando a irrigação dos cultivos, o preparo dos alimentos e a manutenção da vida cotidiana. Tratada franciscanamente como “dom da criação”, a água operava como fluxo vital entre cultivo, cozinha e refeitório, articulando infraestrutura técnica, simbolismo religioso e cultura alimentar. Assim, o patrimônio hidráulico franciscano revela-se indissociável da paisagem e da espiritualidade, configurando um sistema integrado de saberes ambientais e práticas cotidianas. O estudo evidencia que a preservação do patrimônio conventual exige ultrapassar a leitura restrita ao edificado, incorporando dimensões paisagísticas, imateriais e sensoriais frequentemente invisibilizadas pelos processos de urbanização e pela fragmentação dessas áreas vegetadas que, por não serem entendidas como patrimônio, vêm sendo subtraídas paulatinamente. A perda das cercas e de seus sistemas hídricos compromete não apenas a integridade física dos conjuntos, mas também a leitura dos modos históricos de relação entre arquitetura, natureza e alimentação. Ao salientar a comensalidade como prática espacial e cultural, o trabalho contribui para o debate contemporâneo sobre paisagem cultural, patrimônio e projeto, oferecendo subsídios para estratégias de leitura, preservação e gestão que reconheçam infraestruturas verdes e hidráulicas como componentes essenciais do patrimônio. A cerca franciscana emerge, assim, como paisagem de conexão — entre água, alimento e espiritualidade — e como amostra histórica de sustentabilidade socioambiental avant la lettre.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NETO, Manoel Ageu da Silva; SILVA, Maria Angelica da. (INFRA)ESTRUTURAS DO SAGRADO: ÁGUA, ALIMENTO E PAISAGEM CULTURAL NAS CERCAS CONVENTUAIS FRANCISCANAS.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449557-(INFRA)ESTRUTURAS-DO-SAGRADO--AGUA-ALIMENTO-E-PAISAGEM-CULTURAL-NAS-CERCAS-CONVENTUAIS-FRANCISCANAS. Acesso em: 25/09/2026

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