ÁGUA, MEMÓRIA E GESTÃO: A PAISAGEM CULTURAL DO RIO SÃO FRANCISCO COMO MATRIZ ECOLÓGICA E SIMBÓLICA PARA A CIDADANIA PAISAGÍSTICA (2015-2025)

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ÁGUA, MEMÓRIA E GESTÃO: A PAISAGEM CULTURAL DO RIO SÃO FRANCISCO COMO MATRIZ ECOLÓGICA E SIMBÓLICA PARA A CIDADANIA PAISAGÍSTICA (2015-2025)
Autores
  • Luis Gustavo Molinari Mundim
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449495-agua-memoria-e-gestao--a-paisagem-cultural-do-rio-sao-francisco-como-matriz-ecologica-e-simbolica-para-a-cidada
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Rio São Francisco; Paisagem Cultural; Inventário Participativo; ICMS Patrimônio Cultural; Políticas Públicas.
Resumo
A presente proposta analisa a Paisagem Cultural do Rio São Francisco, no trecho mineiro entre Pirapora e Manga, sob a ótica da indissociabilidade entre a identificação participativa e a eficácia das políticas públicas de preservação. O ponto de partida é o "Inventário Cultural de Proteção do Rio São Francisco", realizado pelo IEPHA-MG entre 2012 e 2015, um marco metodológico que reconheceu o "Velho Chico" como uma rota cultural e, fundamentalmente, como uma matriz ecológica e simbólica de referências fundamentais para comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e vazanteiros. A metodologia do estudo destaca a aplicação do conceito de Referências Culturais e o uso inovador dos "Mapas de Percepção". Esta ferramenta permitiu transpor a visão puramente técnica e monumentalista para uma cartografia social dos afetos e usos simbólicos da água. Ao priorizar a escuta qualificada, o inventário não apenas documentou bens, mas revelou a complexa teia de significados que conecta os habitantes ao rio, estabelecendo as bases para o que definimos como cidadania paisagística: o direito das comunidades de reconhecer, gerir e proteger o seu próprio território cultural. Mais do que um diagnóstico estático, o inventário consolidou-se como um instrumento de planeamento estratégico para a salvaguarda. Seguindo as suas recomendações, o IEPHA-MG implementou ações de proteção direta que transformaram o panorama da calha mineira do rio. No campo do património material, destacam-se os tombamentos da Escola de Aprendizes de Marinheiros (Buritizeiro) — símbolo da memória educativa e logística fluvial — e do Centro Histórico de Januária. No campo imaterial, as diretrizes do inventário impulsionaram o reconhecimento de saberes integrados aos registos estaduais das Violas, das Folias de Minas e da Cozinha Mineira, com destaque para os sistemas produtivos das farinhas de milho e de mandioca, que dialogam diretamente com a agricultura de vazante e a segurança alimentar. Transcorridos dez anos da conclusão do inventário, este trabalho realiza uma análise longitudinal (2015-2025) do impacto destas ações no âmbito do programa "ICMS Património Cultural". Através de um estudo comparativo, observam-se os indicadores de desempenho dos 17 municípios da calha mineira, analisando como a incorporação das diretrizes do inventário nos planos locais de gestão refletiu numa maior pontuação e na ampliação do repasse de recursos. A comunicação demonstra que a articulação entre o saber tradicional e a política redistributiva do ICMS fortalece a governação territorial e a sustentabilidade do património. A bacia hidrográfica do São Francisco exige modelos de gestão transversais que integrem a salvaguarda de bens materiais e imateriais ao desenvolvimento sustentável. Ao reafirmar a água como unidade de gestão cultural e política, o trabalho propõe que a preservação da paisagem é um exercício contínuo de cidadania paisagística, garantindo que o património seja memória viva e recurso ativo para a dignidade das comunidades tradicionais mineiras no contexto ibero-americano.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MUNDIM, Luis Gustavo Molinari. ÁGUA, MEMÓRIA E GESTÃO: A PAISAGEM CULTURAL DO RIO SÃO FRANCISCO COMO MATRIZ ECOLÓGICA E SIMBÓLICA PARA A CIDADANIA PAISAGÍSTICA (2015-2025).. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449495-AGUA-MEMORIA-E-GESTAO--A-PAISAGEM-CULTURAL-DO-RIO-SAO-FRANCISCO-COMO-MATRIZ-ECOLOGICA-E-SIMBOLICA-PARA-A-CIDADA. Acesso em: 25/09/2026

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