ENQUADRANDO A PAISAGEM E DESENQUADRANDO A ARTE: OS MUSEUS DE LINA BO BARDI E A PAISAGEM CULTURAL

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ENQUADRANDO A PAISAGEM E DESENQUADRANDO A ARTE: OS MUSEUS DE LINA BO BARDI E A PAISAGEM CULTURAL
Autores
  • José Alberto de Oliveira Grechoniak
  • laura attuati
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449477-enquadrando-a-paisagem-e-desenquadrando-a-arte--os-museus-de-lina-bo-bardi-e-a-paisagem-cultural
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Lina Bo Bardi, Paisagem Cultural, Museus
Resumo
No século XX, as dimensões social e urbanística dos museus foram pautas dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAMs) que, desde sua quarta edição (Atenas, 1933), já os reconheciam como fundamentais nos programas de reconstrução e planejamento das cidades. No entanto, foi no VIII CIAM (Hoddesdon, 1951) intitulado como The Heart of The City, que foram apresentadas estratégias para a implantação destes equipamentos nos núcleos urbanos que, próximos a outros edifícios culturais, atuariam como organismos vivos e de utilização contínua. Observa-se, contudo, que em relação à história canônica da Arquitetura Moderna, os museus ex-novo foram pouco explorados, visto que a Europa pós-guerra priorizou, em caráter emergencial, a reconstrução de programas essenciais, como a habitação. Por outro lado, o contexto brasileiro mostrou-se destoante, uma vez que se inseriu em meio a um processo de industrialização, expansão da construção civil e transformação da paisagem, viabilizando estas edificações. Nesse panorama, a obra de Lina Bo Bardi (1914-1992) ganha relevância, ao redefinir o papel do museu e sua relação entre arte, arquitetura e paisagem. Neste estudo, propõe-se analisar dois projetos da arquiteta, o Museu de São Vicente, na Baía de Santos (1951) e o Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista (1957-1968), a partir do entrelaçamento entre arte e paisagem. Caracterizados pelo espaço diáfano, os projetos estabelecem permeabilidade visual e espacial entre o volume edificado e a paisagem cultural, definida pela interação entre as ações humanas e o meio natural, alinhando-se, portanto, a este eixo temático. Parte-se da ideia de que, nesses museus, a paisagem desempenha uma função central na experiência museal. Assim, Lina realiza um duplo movimento: enquadra a paisagem por meio de dispositivos arquitetônicos e museográficos e desenquadra a obra de arte ao adotar novos modelos expositivos. Em ambos os projetos, é o prisma elevado e transparente que permite a integração com a paisagem cultural, seja ela urbana ou natural. Na proposta à beira do oceano, esse diálogo se estabelece pela fachada principal envidraçada e subtrações volumétricas destinadas a pátios e jardins suspensos. Nestes, as plantas alheias ao ambiente costeiro figuram em meio as esculturas e aos próprios visitantes, em um amálgama de pinceladas sobre o já enquadrado mar. Já no projeto da Paulista, a cidade é incorporada à obra através do belvedere e uma nova paisagem é proposta ao reconstruir o monte em que se assenta. Simultaneamente, a adoção de panos de vidro no bloco superior somada aos cavaletes de cristal subverte a expografia tradicional possibilitando a percepção, em um mesmo espaço e tempo, das obras expostas, do ambiente em que se inserem e da cidade. Enquanto Forty (2000) afirma que a natureza foi colocada de lado pelo modernismo, Lina Bo Bardi, em Contribuição Propedêutica ao Ensino da Teoria da Arquitetura (1957), já expunha a relação exploratória das construções sobre o ambiente. A análise dos exemplares selecionados demonstra que sua visão não se restringe à utopia do natural intocado; ao contrário, a natureza é posicionada aos olhos do público para que lhe seja atribuído o valor de arte.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GRECHONIAK, José Alberto de Oliveira; ATTUATI, laura. ENQUADRANDO A PAISAGEM E DESENQUADRANDO A ARTE: OS MUSEUS DE LINA BO BARDI E A PAISAGEM CULTURAL.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449477-ENQUADRANDO-A-PAISAGEM-E-DESENQUADRANDO-A-ARTE--OS-MUSEUS-DE-LINA-BO-BARDI-E-A-PAISAGEM-CULTURAL. Acesso em: 25/09/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes