ÁGUA E MINERAÇÃO AURÍFERA HISTÓRICA ENQUANTO PAISAGEM CULTURAL PATRIMONIAL HÍDRICO-MINERÁRIA NA SERRA DO LENHEIRO (SÃO JOÃO DEL-REI, MG): ENTRE FUNCIONALIDADE PRETÉRITA E ESCASSEZ CONTEMPORÂNEA.

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ÁGUA E MINERAÇÃO AURÍFERA HISTÓRICA ENQUANTO PAISAGEM CULTURAL PATRIMONIAL HÍDRICO-MINERÁRIA NA SERRA DO LENHEIRO (SÃO JOÃO DEL-REI, MG): ENTRE FUNCIONALIDADE PRETÉRITA E ESCASSEZ CONTEMPORÂNEA.
Autores
  • UIisses Passarelli
  • Arlon Cândido Ferreira
  • Múcio do Amaral Figueiredo
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449435-agua-e-mineracao-aurifera-historica-enquanto-paisagem-cultural-patrimonial-hidrico-mineraria-na-serra-do-lenheir
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Patrimônio da mineração, Minas Gerais, paisagem cultural
Resumo
A água constituiu o elemento estruturante fundamental da mineração aurífera pretérita no ciclo do ouro no século XVIII, e no século XIX, no Brasil, e não foi diferente no local denominado Morro da Pedra Lisa, integrante do Complexo Toponímico da Serra do Lenheiro, contíguo à histórica cidade de São João del-Rei (MG). Mais do que um recurso natural, a água atuou como vetor organizador da paisagem minerária que outrora ali existiu, condicionando a localização, a forma e a funcionalidade da produção aurífera naquele momento histórico. A análise do conjunto mínero-patrimonial inventariado no local revela a existência de um complexo e altamente funcional sistema de canais hidráulicos, característico de uma engenharia pré-industrial, concebido para captar, conduzir, distribuir e reaproveitar a água por gravidade, explorando rigorosamente os desníveis topográficos do terreno para fins minerários auríferos. Esse sistema era composto por canais escavados na rocha quartzítica (regos mestres) e suas derivações secundárias (regos acessórios), pontos de extravasamentos controlados (denominados “ladrões”), taludes, arrimos e estruturas de armazenamento como mundéus em quadra e em bacia, tanques e caixas. A água era empregada em diferentes etapas do processo minerário, incluindo o desmonte hidráulico das grupiaras (provavelmente a técnica romana 'Ruina Montium', introduzida no Brasil por portugueses), a lavagem de saibro cascalhoso em áreas de cata, e a separação aurífera por decantação nos mundéus, sendo sucessivamente reaproveitada em outros níveis altimétricos inferiores. Tal lógica evidencia um uso intensivo, racional e integrado da água, em um contexto no qual sua disponibilidade era determinante para a produtividade da lavra e para a própria existência da atividade minerária e para uso humano. Nesse sentido, a manipulação da água não apenas viabilizava tecnicamente a mineração, mas também materializava relações sociais, econômicas, culturais e produtivas próprias do período colonial e imperial, inscrevendo-se como elemento central da paisagem cultural local. Em contraste com esse passado, observa-se atualmente a quase completa ausência de água funcional no sistema. As antigas fontes de abastecimento encontram-se extintas ou profundamente alteradas, a rede de canais hidráulicos está obstruída por sedimentos em muitas partes (outras destruídas por desmoronamentos e outras avarias), e a maioria das estruturas hidráulicas perdeu sua operacionalidade, sendo o fluxo hídrico eventual, restringindo-se, em grande parte, às águas pluviais momentâneas. Esse esvaziamento resulta tanto de processos naturais quanto sócio-políticos de uso da terra, além das mudanças nos regimes pluviométricos e no armazenamento hídrico hidrogeológico, provavelmente resultantes de mudanças climáticas regionais e globais. A escassez hídrica contemporânea não representa apenas a inviabilização funcional das estruturas citadas, mas simboliza a ruptura de uma lógica histórica de relação integrada entre sociedade, técnica e ambiente. O Morro da Pedra Lisa configura-se, assim, como um exemplo, mesmo que local, pontual, de uma paisagem cultural em estado alterado, cuja leitura crítica permite refletir sobre os impactos da perda dos sistemas tradicionais de gestão hídrica e sobre a urgência de estratégias integradas de conservação patrimonial, ambiental e paisagística.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PASSARELLI, UIisses; FERREIRA, Arlon Cândido; FIGUEIREDO, Múcio do Amaral. ÁGUA E MINERAÇÃO AURÍFERA HISTÓRICA ENQUANTO PAISAGEM CULTURAL PATRIMONIAL HÍDRICO-MINERÁRIA NA SERRA DO LENHEIRO (SÃO JOÃO DEL-REI, MG): ENTRE FUNCIONALIDADE PRETÉRITA E ESCASSEZ CONTEMPORÂNEA... In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449435-AGUA-E-MINERACAO-AURIFERA-HISTORICA-ENQUANTO-PAISAGEM-CULTURAL-PATRIMONIAL-HIDRICO-MINERARIA-NA-SERRA-DO-LENHEIR. Acesso em: 25/09/2026

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