PAISAGENS DA DOR: ESCRAVIDÃO, TRAUMA E SILENCIAMENTO NOS CENTROS HISTÓRICOS BRASILEIROS PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE (OLINDA, SALVADOR E SÃO LUÍS).

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
PAISAGENS DA DOR: ESCRAVIDÃO, TRAUMA E SILENCIAMENTO NOS CENTROS HISTÓRICOS BRASILEIROS PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE (OLINDA, SALVADOR E SÃO LUÍS).
Autores
  • Francisco Phelipe Cunha Paz
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449356-paisagens-da-dor--escravidao-trauma-e-silenciamento-nos-centros-historicos-brasileiros-patrimonio-da-humanidade
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem Cultural, Patrimônio Difícil, Escravidão, Patrimônio Mundial
Resumo
A categoria de paisagem cultural é consolidada pela UNESCO na década de 1990, quando passa a adotar a paisagem como categoria do patrimônio mundial, propondo uma leitura integrada entre as obras do homem e da natureza. No entanto, no contexto dos centros históricos brasileiros de matriz marcadamente afro-atlântica — Salvador, Olinda e São Luís —, tal conceito tem sido historicamente instrumentalizado para ratificar um regime de memorialidade (MICHELl, 2010) que privilegia a estética monumental colonial luso-brasileira em detrimento das memórias traumáticas da escravidão. Assim, esta comunicação discute o conceito de "paisagem cultural" da UNESCO à luz do "patrimônio difícil" (MENEGUELLO, 2017). Analisando os processos de patrimonialização dos sítios de Salvador, Olinda e São Luís, investiga-se como o Discurso Patrimonial Autorizado (SMITH, 2006) produziu "sujeitos ocultos" (KROPF, 2015), omitindo o trauma da escravidão em prol de uma estética colonial e operou um silenciamento ativo (TROUILLO, 1995), convertendo portos de tráfico e locais de suplício em "cenários pitorescos", gerando o que Marcos Queiroz (2024) define como os "assombros" da nação. A metodologia consiste na análise documental dos dossiês de candidatura e relatórios de consultores da UNESCO. Propomos, assim, a introdução da categoria de "Paisagem Cultural da Dor ou da Violência". Esta tipologia visa conferir legibilidade aos sítios de "património difícil", onde a configuração espacial não pode ser compreendida sem o reconhecimento do trauma, da violência racial, do confinamento e da morte. A Paisagem da Dor foca na dissonância. Ela reconhece que portos, praças e sobrados são arquivos de uma violência estruturante que o regime de memorialidade monumental tentou neutralizar. Defende-se que a institucionalização de uma "Paisagem Cultural da Dor" é urgente para o campo do patrimônio, pois permite que o valor universal excepcional de um sítio não seja medido apenas pela beleza arquitetônica, mas pela sua capacidade de testemunhar a violência estruturante e fundamentar o direito à memória e à reparação das populações afro-diaspóricas. Esta categoria nos permitiria entender como grupos sociais têm construído acções que transitam de uma "estética da celebração" para uma "política da verdade", reconhecendo que a paisagem cultural das cidades, hoje sítios patrimônios da humanidade, antigos portos escravistas é, intrinsecamente, uma geografia de resistência onde os sujeitos ocultos reclamam o seu direito à memória e à verdade no presente.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PAZ, Francisco Phelipe Cunha. PAISAGENS DA DOR: ESCRAVIDÃO, TRAUMA E SILENCIAMENTO NOS CENTROS HISTÓRICOS BRASILEIROS PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE (OLINDA, SALVADOR E SÃO LUÍS)... In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449356-PAISAGENS-DA-DOR--ESCRAVIDAO-TRAUMA-E-SILENCIAMENTO-NOS-CENTROS-HISTORICOS-BRASILEIROS-PATRIMONIO-DA-HUMANIDADE. Acesso em: 21/09/2026

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