PAISAGENS HÍDRICAS INVISÍVEIS: MEMÓRIA, URBANIZAÇÃO E INUNDAÇÕES EM ANÁPOLIS.

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
PAISAGENS HÍDRICAS INVISÍVEIS: MEMÓRIA, URBANIZAÇÃO E INUNDAÇÕES EM ANÁPOLIS.
Autores
  • Wilton de Araujo Medeiros
  • Lucas Gabriel Corrêa Vargas
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 3 - Paisagem Cultural e água - Paisagens ribeirinhas, fluviais e costeiras / Frentes d’água urbanas, portos históricos, manguezais e deltas culturais / Bacias hidrográficas como unidades de gestão cultural / Termalismo e estâncias hidrominerais / Água, cidade e planejamento / Patrimônios hidráulicos e infraestruturas da água / Saberes tradicionais e cosmologias das águas / Cultura alimentar e água / Mudanças climáticas / Turismo e rotas culturais da água / Paisagem e cidades balneário.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449251-paisagens-hidricas-invisiveis--memoria-urbanizacao-e-inundacoes-em-anapolis
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural da água; Paisagens hídricas urbanas; Memória ambiental; Inundações urbanas.
Resumo
A paisagem cultural associada à água constitui elemento estruturador da forma urbana, da memória coletiva e das dinâmicas ambientais, revelando a profunda interdependência entre processos naturais e ações humanas na construção das cidades. Em Anápolis, Goiás, essa relação manifesta-se de maneira emblemática por meio do apagamento de antigas paisagens hídricas, como o Lago das Antas, também conhecido como Lagoa de Santana, e da área popularmente denominada “baixada do sapo”, espaços hoje inexistentes fisicamente, mas persistentes na memória social e nos impactos urbanos contemporâneos. O estudo analisa a paisagem cultural da água a partir da leitura da cidade como palimpsesto, considerando que cursos d’água, áreas de várzea e zonas alagadiças, mesmo suprimidos por processos de urbanização, continuam a atuar como condicionantes morfológicos, simbólicos e ambientais. A pesquisa fundamenta-se em abordagem qualitativa, articulando revisão bibliográfica, análise documental, iconográfica e cartográfica, além do exame de narrativas memorialísticas e registros orais, com o objetivo de reconstruir criticamente a presença histórica da água na conformação urbana de Anápolis. A investigação demonstra que a canalização de córregos, o aterramento de áreas alagáveis e a impermeabilização do solo, promovidos ao longo do século XX, transformaram profundamente a paisagem ribeirinha original, sem, contudo, eliminar seus efeitos durante o processo de urbanização, os quais são evidenciados sobretudo pelas recorrentes inundações registradas na área central da cidade. Os resultados indicam que a persistência desses eventos não decorre apenas de falhas técnicas recentes, mas da negação histórica do substrato hídrico e da lógica natural da bacia hidrográfica, que continuam a se manifestar sob condições climáticas extremas. A análise das fontes revela ainda que nomes populares, relatos orais e imagens antigas funcionam como marcas simbólicas da memória das águas, configurando “fantasmagorias” urbanas que permitem reconhecer a paisagem hídrica ausente como elemento ativo da cidade contemporânea. A discussão evidencia que a água, mesmo invisibilizada, permanece como agente estruturador da paisagem cultural, influenciando a organização espacial, os riscos socioambientais e as práticas urbanas. Ao articular patrimônio imaterial, memória coletiva e infraestrutura urbana, o estudo amplia o entendimento das paisagens da água como componentes fundamentais do planejamento territorial e da gestão cultural das cidades. Conclui-se que o reconhecimento das paisagens hídricas apagadas é essencial para enfrentar os desafios urbanos contemporâneos, especialmente aqueles relacionados às mudanças climáticas e às inundações, reforçando a necessidade de práticas de planejamento sensíveis à historicidade dos territórios, às bacias hidrográficas e à água como patrimônio cultural, ambiental e simbólico indissociável da paisagem urbana. Ao reconhecer a centralidade da água na história urbana, a pesquisa contribui para os debates sobre paisagem cultural e água.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MEDEIROS, Wilton de Araujo; VARGAS, Lucas Gabriel Corrêa. PAISAGENS HÍDRICAS INVISÍVEIS: MEMÓRIA, URBANIZAÇÃO E INUNDAÇÕES EM ANÁPOLIS... In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449251-PAISAGENS-HIDRICAS-INVISIVEIS--MEMORIA-URBANIZACAO-E-INUNDACOES-EM-ANAPOLIS. Acesso em: 25/09/2026

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