QUANDO A MEMÓRIA PRECISA DE MEDIAÇÃO: DISPOSITIVOS DE GOVERNANÇA E HOSPITALIDADE NA TRANSFORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO IMATERIAL EM PAISAGEM CULTURAL VIVA

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
QUANDO A MEMÓRIA PRECISA DE MEDIAÇÃO: DISPOSITIVOS DE GOVERNANÇA E HOSPITALIDADE NA TRANSFORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO IMATERIAL EM PAISAGEM CULTURAL VIVA
Autores
  • Viviane Rocha
  • luciane todeschini Ferreira
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449191-quando-a-memoria-precisa-de-mediacao--dispositivos-de-governanca-e-hospitalidade-na-transformacao-do-patrimonio-
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural multiétnica, patrimônio imaterial, hospitalidade, salvaguarda, governança, destino cultural.
Resumo
Em destinos culturais multiétnicos, a diversidade não se sustenta apenas como memória social difusa nem como repertório celebrativo ocasional. Ela depende de formas de salvaguarda capazes de transformar práticas e narrativas em continuidade pública, evitando tanto o esquecimento quanto a folclorização. Este trabalho analisa como o patrimônio imaterial pode operar como infraestrutura de paisagem cultural quando mediado por dispositivos de governança e traduzido em hospitalidade cotidiana. O estudo toma como caso Ijuí (RS), destino cultural brasileiro chancelado como “Capital Mundial das Etnias” por organização internacional credenciada à UNESCO, cuja trajetória evidencia a institucionalização de um modelo público de convivência interétnica. A hipótese central é que, em contextos de multiplicidade étnica, a salvaguarda efetiva exige mais do que a lógica de “promoção do lugar”. Ela requer um regime de mediação institucional que produza inteligibilidade pública da diferença e assegure condições de transmissão intergeracional. Nesse regime, a hospitalidade é entendida como tecnologia social que articula acolhimento, linguagem, interpretação cultural, regras de convivência e padrões de serviço, viabilizando o encontro em arenas marcadas por assimetrias, estereótipos e disputas de representação. Assim, o patrimônio imaterial torna-se paisagem cultural quando ganha: (i) suportes estáveis de visibilidade (calendários, rituais, cenas públicas, repertórios culinários e performáticos); (ii) suportes institucionais de coordenação (entidades, pactos, critérios de participação, curadorias); e (iii) suportes pedagógicos de transmissão (mediações interpretativas e aprendizagem social). Metodologicamente, desenvolve-se um estudo de caso qualitativo com triangulação em três movimentos: (1) reconstrução histórico-institucional do processo de territorialização da diversidade (periodização de marcos de organização cultural e de políticas locais), com base em documentos públicos, registros institucionais e materiais de memória; (2) mapeamento analítico de dispositivos de salvaguarda que conectam práticas imateriais a suportes espaciais e rotinas públicas (matriz “visibilidade–coordenação–transmissão”), identificando como cada dispositivo mitiga fricções e amplia continuidade; (3) análise temática de narrativas e regimes de representação (discursos, materiais de divulgação, repertórios pedagógicos e cenas performativas) para compreender como memória, identidade e hibridização são publicamente enquadradas. Os achados são organizados em um modelo interpretativo dialógico, em aproximação a Bakhtin, tratando regimes de representação como enunciados situados e responsivos, para explicitar mecanismos, e não apenas descrições, de como a paisagem cultural se mantém viva ao longo do tempo. Ao evidenciar que a chancela simbólica intensifica expectativas e escrutínio público, o estudo sustenta que a sustentabilidade do patrimônio imaterial em destinos multiétnicos depende de um triângulo operativo: governança (coordenação), hospitalidade (materialização do encontro) e salvaguarda (continuidade), deslocando o debate de “branding do lugar” para a arquitetura das condições que mantêm a cultura viva.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ROCHA, Viviane; FERREIRA, luciane todeschini. QUANDO A MEMÓRIA PRECISA DE MEDIAÇÃO: DISPOSITIVOS DE GOVERNANÇA E HOSPITALIDADE NA TRANSFORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO IMATERIAL EM PAISAGEM CULTURAL VIVA.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449191-QUANDO-A-MEMORIA-PRECISA-DE-MEDIACAO--DISPOSITIVOS-DE-GOVERNANCA-E-HOSPITALIDADE-NA-TRANSFORMACAO-DO-PATRIMONIO-. Acesso em: 11/09/2026

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