ECOMUSEU URBANO E CIDADANIA PAISAGÍSTICA: SALVAGUARDA PARTICIPATIVA NA PERIFERIA DE ROMA

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

DOI
10.29327/9786527226109.1449145  
Título do Trabalho
ECOMUSEU URBANO E CIDADANIA PAISAGÍSTICA: SALVAGUARDA PARTICIPATIVA NA PERIFERIA DE ROMA
Autores
  • Moisés Julierme Stival Soares
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449145-ecomuseu-urbano-e-cidadania-paisagistica--salvaguarda-participativa-na-periferia-de-roma
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural, Ecomuseu urbano, Cidadania paisagística, Patrimônio territorial, Salvaguarda participativa
Resumo
Este artigo analisa o Ecomuseu Casilino ad Duas Lauros, localizado na periferia oriental de Roma, como estudo de caso para discutir o papel dos ecomuseus urbanos enquanto dispositivos de política de paisagem, cidadania paisagística e salvaguarda territorial participativa. A pesquisa parte da hipótese de que, em contextos metropolitanos marcados por conflitos fundiários, vulnerabilidade socioespacial e elevada densidade patrimonial, os ecomuseus podem operar como instrumentos capazes de articular leitura territorial compartilhada, reconhecimento do patrimônio e incidência sobre políticas de planejamento e gestão da paisagem. A experiência do Ecomuseu emerge a partir de 2009, em resposta à proposta de urbanização do Comprensorio Casilino, um dos últimos remanescentes do antigo Agro Romano inseridos na malha urbana da capital italiana. A área concentra sítios arqueológicos de relevância romana e paleocristã e valores paisagísticos reconhecidos por instrumentos regionais de proteção. A anulação judicial dos vincoli paisagístico e arqueológico, associada à pressão de grandes grupos imobiliários e à ausência de planejamento urbano consolidado, desencadeou um processo de mobilização comunitária que culminou na formulação do Ecomuseu como alternativa territorial à lógica especulativa hegemônica. Formalizado em 2012, o Ecomuseu adota um modelo museológico participativo e territorializado, fundamentado na concepção do patrimônio como processo social e da paisagem como bem coletivo. Sua metodologia estrutura-se em três etapas interdependentes: (i) ativação das comunità di cura, grupos de moradores mobilizados para o reconhecimento dos valores locais; (ii) elaboração coletiva de mappe di comunità e roteiros patrimoniais, construídos a partir de práticas cotidianas, memórias e narrativas territoriais; e (iii) tradução dessas leituras em propostas operativas de planejamento participativo. Entre 2012 e 2016, esse processo envolveu milhares de participantes em oficinas, caminhadas interpretativas e ações culturais, resultando na sistematização de nove roteiros temáticos e na consolidação de uma plataforma digital de acesso público A análise demonstra que tais práticas não se limitam à produção simbólica da paisagem, mas geram efeitos institucionais concretos. Destacam-se a elaboração do Piano di Assetto dell’Ecomuseo Casilino (2018), voltado à reconexão de áreas verdes e espaços patrimoniais por meio de percursos ciclopedonais, e a incorporação dessa proposta ao Piano dell’Anello Verde do Município de Roma, evidenciando a capacidade de incidência do ecomuseu sobre instrumentos formais de planejamento urbano A discussão articula o caso aos debates contemporâneos sobre política de paisagem e direito à cidade, argumentando que o ecomuseu urbano pode ser compreendido como um instrumento socioterritorial capaz de converter conflito em projeto, participação em salvaguarda e memória em instrumento de governança. Ao mesmo tempo, o estudo reconhece limites estruturais do modelo, como a dependência de financiamento instável e a ausência de garantias institucionais permanentes. Ainda assim, a experiência do Ecomuseu Casilino ad Duas Lauros oferece subsídios relevantes para estratégias locais e participativas de paisagem, especialmente em contextos urbanos periféricos da Ibero-América marcados por desigualdades, fragmentação institucional e disputas territoriais.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

SOARES, Moisés Julierme Stival. ECOMUSEU URBANO E CIDADANIA PAISAGÍSTICA: SALVAGUARDA PARTICIPATIVA NA PERIFERIA DE ROMA.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449145-ECOMUSEU-URBANO-E-CIDADANIA-PAISAGISTICA--SALVAGUARDA-PARTICIPATIVA-NA-PERIFERIA-DE-ROMA. Acesso em: 21/09/2026

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