QUANDO A PAISAGEM SE TORNA RETÓRICA: LIMITES E CONTRADIÇÕES DA PATRIMONIALIZAÇÃO URBANA NO BRASIL

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
QUANDO A PAISAGEM SE TORNA RETÓRICA: LIMITES E CONTRADIÇÕES DA PATRIMONIALIZAÇÃO URBANA NO BRASIL
Autores
  • Ricardo Pinto
  • Camila Ferreira de Oliveira Souza
  • Ana Elisabete de Almeida Medeiros
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449056-quando-a-paisagem-se-torna-retorica--limites-e-contradicoes-da-patrimonializacao-urbana-no-brasil
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
patrimônio, paisagem, HUL, IPHAN, centro histórico
Resumo
Nos processos de patrimonialização urbana, a paisagem tem sido frequentemente mobilizada de forma restritiva, reduzida a atributo visual ou à noção genérica de ambiência associada aos bens protegidos. Tal leitura limita a compreensão de suas múltiplas dimensões históricas, sociais e territoriais, obscurecendo o papel estruturante da paisagem na morfogênese das cidades históricas. Partindo da compreensão da paisagem como construção relacional, resultante da interação entre sociedade, natureza e processos históricos, esta pesquisa sustenta que a persistência dessas abordagens reducionistas compromete o potencial analítico e operativo da paisagem nos processos de reconhecimento, gestão e intervenção sobre o patrimônio urbano. Tal redução contrasta com as leituras formuladas por autores que, desde o século XIX, compreendem a paisagem como um processo em permanente construção. Em Goethe (1749–1832), a paisagem é entendida como processo, no qual espaço, tempo e experiência são indissociáveis; em Simmel (1858–1918), como síntese cultural produzida pela experiência do observador. Essa tradição fundamenta abordagens integradas da paisagem, como a Historic Urban Landscape (HUL) (UNESCO, 2011), que propõe a leitura das cidades históricas como sistemas estratificados de componentes naturais, materiais e culturais. No contexto brasileiro, a assimilação da paisagem como categoria relacional ainda é incipiente. Os dispositivos institucionais existentes — o valor paisagístico associado ao Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico (1938) e a Chancela da Paisagem Cultural (2009) — operam de modo limitado e pouco integrado às dinâmicas das cidades históricas. Essa configuração tem gerado descontinuidades na preservação das paisagens urbanas, frequentemente subordinadas à lógica arquitetônica do tombamento. Diante desse cenário, a abordagem da Paisagem Urbano-Histórica (Historic Urban Landscape – HUL) configura-se como alternativa metodológica para superar leituras fragmentadas, ao reafirmar a paisagem como estrutura relacional do espaço urbano histórico, ainda pouco assimilada no país, apesar de não constituir categoria formal de reconhecimento. Apesar do distanciamento ao HUL, em 2025 o IPHAN publicou um instrumento técnico-normativo voltado à formulação de diretrizes de preservação, intitulado: Normas de Preservação para Bens Tombados em Contextos Urbanos e tem como abordagem metodológica a Matriz de Referência para Normas de Preservação. Porém, a atuação dessa ferramenta limita-se a poligonal tombada e apesar de representar um avanço, permanece pontual e não incorpora a dimensão paisagística, o que reforça a necessidade de superar a paisagem como recurso meramente retórico afirmando-a como estratégia das políticas patrimoniais. Para investigar a operacionalização da paisagem nos processos de patrimonialização, a pesquisa analisa Brasília (DF), onde a paisagem planejada do Plano Piloto é reconhecida, mas a gestão da poligonal de entorno mantém uma lógica predominantemente visual, e Ouro Preto (MG), cuja tessitura colonial se articula à topografia e às vistas panorâmicas, embora seus elementos estruturantes de paisagem permaneçam pouco explicitados nos instrumentos de gestão. O artigo examina os instrumentos federais de gestão da dimensão paisagística, identificando suas limitações na patrimonialização dos bens paisagísticos, por meio de análise comparativa entre a abordagem da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) e a Matriz de Referência do IPHAN, com base em levantamento bibliográfico, histórico e fotográfico sobre o patrimônio brasileiro e a paisagem urbana histórica.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PINTO, Ricardo; SOUZA, Camila Ferreira de Oliveira; MEDEIROS, Ana Elisabete de Almeida. QUANDO A PAISAGEM SE TORNA RETÓRICA: LIMITES E CONTRADIÇÕES DA PATRIMONIALIZAÇÃO URBANA NO BRASIL.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1449056-QUANDO-A-PAISAGEM-SE-TORNA-RETORICA--LIMITES-E-CONTRADICOES-DA-PATRIMONIALIZACAO-URBANA-NO-BRASIL. Acesso em: 25/09/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes