PAISAGEM CULTURAL E PALIMPSESTO URBANO: AUTENTICIDADE E TEMPO EM OURO PRETO

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

DOI
10.29327/9786527226109.1448924  
Título do Trabalho
PAISAGEM CULTURAL E PALIMPSESTO URBANO: AUTENTICIDADE E TEMPO EM OURO PRETO
Autores
  • Nina Monticelli
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1448924-paisagem-cultural-e-palimpsesto-urbano--autenticidade-e-tempo-em-ouro-preto
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural; palimpsesto urbano; autenticidade patrimonial; genius loci; zeitgeist.
Resumo
Toda paisagem cultural é atravessada pelo tempo, e sua autenticidade reside na capacidade de tornar legíveis as diferentes temporalidades que a constituem. Partindo dessa premissa, este trabalho propõe uma leitura da paisagem urbana histórica de Ouro Preto como palimpsesto urbano, compreendendo o território como uma construção cultural em permanente transformação, na qual espaço, tempo e experiência histórica se articulam de forma indissociável. A reflexão fundamenta-se na articulação entre os conceitos de genius loci, entendido como o espírito do lugar na perspectiva fenomenológica de Christian Norberg-Schulz (1979), e zeitgeist, o espírito do tempo, conforme formulado no pensamento histórico-filosófico de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Parte-se do entendimento de que nenhuma forma cultural pode ser julgada fora de seu tempo histórico e de que formas autênticas são aquelas coerentes com o espírito do seu próprio tempo — e não imitações deslocadas de outros períodos. Cada época, nesse sentido, constrói segundo a sua própria verdade histórica, condição essencial para a inteligibilidade da paisagem cultural. O estudo ancora-se em pesquisa em andamento sobre autenticidade arquitetônica no conjunto urbano tombado de Ouro Preto, adotando a noção de território como palimpsesto, conforme formulada por André Corboz, para compreender a paisagem urbana como um campo de sobreposição de temporalidades. Nessa perspectiva, permanências materiais, usos contemporâneos e valores simbólicos coexistem como camadas históricas que estruturam a experiência do lugar e a leitura crítica do patrimônio urbano. O trabalho dialoga com as contribuições de Alois Riegl, ao reconhecer que os valores atribuídos aos monumentos — valor de antiguidade, valor histórico e valor de uso — se transformam ao longo do tempo, evidenciando a atuação do zeitgeist nos processos de preservação. Incorpora-se, ainda, a perspectiva de Cesare Brandi, segundo a qual a restauração deve respeitar a historicidade da obra sem falsificar o tempo, rejeitando intervenções baseadas na mimetização anacrônica de estilos passados. Essa compreensão é reforçada pelo Documento de Nara sobre a Autenticidade, do ICOMOS, ao afirmar que a autenticidade é culturalmente e temporalmente construída, variando conforme os valores atribuídos em cada contexto histórico. Argumenta-se que a fragilização da paisagem cultural não decorre das transformações associadas ao tempo presente, mas da tentativa de fixar uma imagem idealizada do passado, comprometendo a legibilidade histórica da paisagem urbana. A crítica à museificação e à fixação estética do patrimônio, conforme discutida por Françoise Choay, reforça a necessidade de compreender a paisagem urbana histórica como patrimônio vivo, no qual permanência e transformação constituem uma unidade indissociável. Conclui-se que a valorização da autenticidade na paisagem urbana histórica pressupõe o reconhecimento simultâneo do genius loci e do zeitgeist, compreendendo a paisagem cultural como expressão contínua da relação entre espaço, tempo e experiência. Nesse sentido, o artigo analisará casos específicos em Ouro Preto nos quais intervenções de caráter mimético, ao reproduzirem uma estética colonial deslocada de seu tempo histórico, interferem na leitura do palimpsesto urbano e tensionam a autenticidade da paisagem cultural.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

MONTICELLI, Nina. PAISAGEM CULTURAL E PALIMPSESTO URBANO: AUTENTICIDADE E TEMPO EM OURO PRETO.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1448924-PAISAGEM-CULTURAL-E-PALIMPSESTO-URBANO--AUTENTICIDADE-E-TEMPO-EM-OURO-PRETO. Acesso em: 25/09/2026

Trabalho

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