ENTRE AS SERRAS E AS MINAS: O DESAFIO DA PRESERVAÇÃO DAS PAISAGENS CULTURAIS EM CONGONHAS DIANTE DA MINERAÇÃO

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ENTRE AS SERRAS E AS MINAS: O DESAFIO DA PRESERVAÇÃO DAS PAISAGENS CULTURAIS EM CONGONHAS DIANTE DA MINERAÇÃO
Autores
  • Hugo Castelani Pyramo Gomes Cordeiro
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1448761-entre-as-serras-e-as-minas--o-desafio-da-preservacao-das-paisagens-culturais-em-congonhas-diante-da-mineracao
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
serras, paisagem cultural, Congonhas, mineração, patrimônio cultural
Resumo
Localizado na porção sul da Cordilheira do Espinhaço, no Quadrilátero Ferrífero e integrante da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, o município de Congonhas abriga um patrimônio rico e plural que transcende seus monumentos edificados coloniais. O conjunto formado pelas serras do Pires, Casa de Pedra, Risco Branco e Esmeril constitui uma "moldura cênica" indispensável ao Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Esta configuração geográfica não é apenas um pano de fundo estético, mas o alicerce de uma paisagem cultural forjada desde o século XVIII, quando os "Caminhos do Ouro" utilizavam esses marcos geográficos, conectando a fé barroca à busca do vil metal extraído dessas serras. A beleza natural dessas formações geológicas é caracterizada pelos campos rupestres ferruginosos (cangas), ecossistema raro no mundo que abriga uma riquíssima flora endêmica (onde se inclui habitat de espécies da planta 'Congonha' que dá nome ao município, oriundo da tradição de um chá dos tempos indigenas) e uma fauna silvestre que resiste à pressão urbana e industrial. Para além da biodiversidade, as serras desempenham papel vital no abastecimento hídrico: estima-se que mais de 2/3 da água de Congonhas provenha de nascentes e aquíferos localizados nessas cabeceiras, que funcionam como verdadeiras "caixas d’água" naturais para as comunidades. Contudo, a mesma geologia que sustenta a paisagem atrai o avanço predatório da mineração de ferro. A expansão das cavas, barragens, pilhas de rejeitos e estéril ameaçam a integridade física desses marcos geológicos, o valor paisagístico, a qualidade do ar e o potencial de turismo ecológico e cultural. A descaracterização das serras gera um conflito direto entre a vocação extrativista e o direito ao meio ambiente equilibrado indissociável da memória coletiva. Este trabalho apresenta as principais formas de acautelamento dessas áreas, como o tombamento, a criação de unidades de conservação, o papel de um Plano Diretor efetivo. Em Congonhas, parte do conjunto da Serra Casa de Pedra foi tombado em 2007, fruto de uma mobilização contra um projeto de expansão minerária que ameaçava o título da UNESCO. Entretanto, as medidas atuais mostram-se insuficientes diante de diversos licenciamentos em andamento. Atualmente, destacam-se projetos como a criação do Monumento Natural da Serra do Pires, processos de tombamento para proteção integral das demais serras e uma proposta pioneira de ordenamento da paisagem cultural na revisão do Plano Diretor. Tais iniciativas, contudo, enfrentam forte lobby empresarial sob o argumento da dependência econômica municipal, dificultando a mobilização popular. Por fim, propõe-se uma reflexão sobre a urgência de um debate efetivo, visto que os interesses econômicos tramitam com celeridade superior aos processos de proteção. Converter a preservação e a apropriação dessas serras em uma política de Estado é fundamental para garantir a salvaguarda de seu inestimável valor cultural e natural.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CORDEIRO, Hugo Castelani Pyramo Gomes. ENTRE AS SERRAS E AS MINAS: O DESAFIO DA PRESERVAÇÃO DAS PAISAGENS CULTURAIS EM CONGONHAS DIANTE DA MINERAÇÃO.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1448761-ENTRE-AS-SERRAS-E-AS-MINAS--O-DESAFIO-DA-PRESERVACAO-DAS-PAISAGENS-CULTURAIS-EM-CONGONHAS-DIANTE-DA-MINERACAO. Acesso em: 25/09/2026

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