ENTRE A PRESERVAÇÃO CULTURAL E A MERCANTILIZAÇÃO DA PAISAGEM: APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO E NOVOS EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS EM PARATY-RJ.

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ENTRE A PRESERVAÇÃO CULTURAL E A MERCANTILIZAÇÃO DA PAISAGEM: APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO E NOVOS EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS EM PARATY-RJ.
Autores
  • Pedro Berruezo Marques
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 2 - Paisagem Cultural: estratégias de preservação, gestão e projeto - Métodos de leitura, identificação e reconhecimento da paisagem / Formas de acautelamento, salvaguarda ou proteção / Formas de intervenção e conservação / Planos de gestão / A perspectiva da Paisagem Urbano-Histórica (HUL) / Aplicação da Convenção Europeia da Paisagem / Estratégias nacionais e locais de paisagem na Ibero América / Conhecimentos tradicionais agrobiodiversidade e território / SATs e patrimônio / Cultura alimentar / O projeto da paisagem / Cidadania Paisagística / Direito à Paisagem e Direito de Paisagem / Política e Paisagem / Paisagem e direito à cidade e aos territórios / Paisagem como recurso político, econômico e/ou identitário / Paisagem e conflitos.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1448261-entre-a-preservacao-cultural-e-a-mercantilizacao-da-paisagem--apropriacao-do-espaco-e-novos-empreendimentos-turi
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem Cultural; Patrimonialização; Expropriação; Conflitos Territoriais.
Resumo
Este trabalho busca analisar a relação entre as políticas de preservação cultural (patrimonialização) e ambiental, o desenvolvimento turístico e a dinâmica fundiária no município de Paraty-RJ. O objetivo é debater a respeito da mobilização da paisagem tanto por parte das políticas de proteção institucional quanto das estratégias empresariais – que buscam garantir uma maior rentabilidade de seus empreendimentos através de um tipo específico de monopólio da terra – dando continuidade ao processo histórico de expropriação de terras tradicionalmente ocupadas da região. Historicamente, Paraty passou por diferentes fases e processos de patrimonialização, partindo de uma valorização dos seus conjuntos arquitetônicos coloniais do “centro histórico”, que remonta a década de 50, a uma abordagem mais abrangente materializada em sua titulação como Patrimônio Mundial da Unesco, em 2019. Seu reconhecimento enquanto um “Sítio Misto” – único na América Latina – integrou a biodiversidade da Mata Atlântica e a “cultura viva” oriunda das comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras. Quanto à fundamentação teórica, buscou-se explorar a interrelação entre (i) uma dimensão simbólica da paisagem, onde sua representação por parte de diferentes grupos sociais corresponde a ideologias, valores e relações de poder específicas; e (ii) entre sua dimensão político-econômica, vinculada ao papel que a paisagem (cultural) assume ao conferir características singulares e distintivas a determinada porção do espaço, agregando valor à terra e proporcionando maiores rendimentos àqueles que a detém. O objeto empírico do trabalho está centrado na análise do processo de licenciamento ambiental do mais novo empreendimento de “alto padrão” do Grupo Emiliano – “o maior empreendimento turístico e imobiliário dos últimos vinte anos em Paraty” – planejado para ser instalado no 2º distrito do município (Paraty-Mirim), próximo a comunidades tradicionais caiçaras, como a comunidade Saco do Funil. Aponta-se para como o projeto do empreendimento tem se apropriado de aspectos das culturas tradicionais locais e do discurso da sustentabilidade como forma não só de legitimar sua instalação, mas também de promover sua própria distinção a outros empreendimentos da região. Seu processo de licenciamento ambiental tem sido marcado por contestações da sociedade civil e dos movimentos sociais organizados, assim como de órgãos de Estado, como o IPHAN, que apontou falhas e deficiências ocorridas no decurso do processo licenciatório. As conclusões apontam para um processo de “apropriação paisagística”, que pode estar funcionando como uma ferramenta da ação empresarial para a apropriação fundiária e territorial das terras locais. Além disso, o estudo indica um nexo entre o capital privado e a política de desenvolvimento estatal do turismo, representado, principalmente pela Embratur, que tem tendido a favorecer a mercantilização do espaço e da cultura em detrimento da autonomia e dos direitos territoriais das comunidades tracionais locais.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MARQUES, Pedro Berruezo. ENTRE A PRESERVAÇÃO CULTURAL E A MERCANTILIZAÇÃO DA PAISAGEM: APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO E NOVOS EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS EM PARATY-RJ... In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1448261-ENTRE-A-PRESERVACAO-CULTURAL-E-A-MERCANTILIZACAO-DA-PAISAGEM--APROPRIACAO-DO-ESPACO-E-NOVOS-EMPREENDIMENTOS-TURI. Acesso em: 25/09/2026

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