CARTOGRAFIAS DO RETIRANTE: EDUCAÇÃO E LEITURAS DE MUNDO A PARTIR DA PAISAGEM CULTURAL EM MORTE E VIDA SEVERINA

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
CARTOGRAFIAS DO RETIRANTE: EDUCAÇÃO E LEITURAS DE MUNDO A PARTIR DA PAISAGEM CULTURAL EM MORTE E VIDA SEVERINA
Autores
  • silvia maria do espirito santo
  • Anna Carolina Thomaz de Melo Dias
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1446881-cartografias-do-retirante--educacao-e-leituras-de-mundo-a-partir-da-paisagem-cultural-em-morte-e-vida-severina
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural, Cartografias sociais, Educação não formal, literatura
Resumo
À luz da construção da memória e da interpretação de mundo, o presente trabalho propõe uma reflexão sobre a definição da paisagem cultural a partir da obra Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto (1955), e as possibilidades de leituras de vivências coletivas. A pesquisa compreende essa paisagem como testemunho do trabalho do homem, de sua relação com a natureza, e de sua ação sobre o espaço (RIBEIRO, 2007). Neste sentido, o termo Cartografias caracteriza-se em seu conceito social, que opera através do protagonismo de grupos coletivos na construção de relações socioespaciais. Nessa perspectiva, literatura e realidade articulam-se dinamicamente (FREIRE, 2022), viabilizando a construção de comunidades de aprendizagem e integrando história, educação e memória - entendida como um processo coletivo ancorado em grupos de referência e em contextos sociais específicos (HALBWACHS, 1984). No texto literário, o percurso do retirante revela uma paisagem marcada pela intermitência das águas, pela aridez do solo e pela precariedade das condições de vida, configurando uma escassez que ultrapassa o plano físico e se inscreve nos corpos, nas falas e nas trajetórias dos sujeitos. A experiência literária da presença do vazio é desmentida a partir da percepção dos sintomas da pobreza e da luta pela sobrevivência. A ausência da água atua como elemento estruturante desse território simbólico, organizando deslocamentos, modos de sobrevivência e narrativas sobre morte, trabalho e resistência. Ao nomear-se e reconhecer-se entre muitos outros, o personagem constrói uma narrativa de si que, ao mesmo tempo, é coletiva e territorial. No campo da educação, o trabalho investiga a potencialidade de Morte e Vida Severina como dispositivo para a compreensão crítica da seca que, segundo Josué de Castro em Geografia da Fome (1946), é um produto primeiro sociocultural do que geográfico, estimulando reflexões sobre paisagem, memória, cultura e pertencimento. Propõe-se, assim, que a educação permeada pela literatura atue como projeto de leitura do contexto cultural, capaz de articular dimensões geográficas, simbólicas e sociais. Dessa forma, a pesquisa contribui para os debates sobre paisagem cultural ao evidenciar o papel da literatura na educação não formal, compreendida como um processo sociopolítico, cultural e pedagógico de formação para a cidadania, que refere-se à formação do indivíduo para a interação em sociedade (GOHN, 2010). Ao abordar as narrativas da seca, reafirma-se a paisagem como espaço de memória, experiência e projeto. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e interpretativo, ancorada na análise do texto literário como narrativa de experiência e documento cultural. O estudo fundamenta-se na leitura crítica de Morte e Vida Severina, articulada a referenciais da educação, da memória social e dos estudos sobre paisagem cultural, buscando identificar como a ausência da água opera como elemento estruturante das narrativas, das relações socioespaciais e das vivências coletivas. Trata-se de uma cartografia interpretativa, que privilegia o entrecruzamento entre literatura, território e educação como forma de leitura da paisagem cultural.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTO, silvia maria do espirito; DIAS, Anna Carolina Thomaz de Melo. CARTOGRAFIAS DO RETIRANTE: EDUCAÇÃO E LEITURAS DE MUNDO A PARTIR DA PAISAGEM CULTURAL EM MORTE E VIDA SEVERINA.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1446881-CARTOGRAFIAS-DO-RETIRANTE--EDUCACAO-E-LEITURAS-DE-MUNDO-A-PARTIR-DA-PAISAGEM-CULTURAL-EM-MORTE-E-VIDA-SEVERINA. Acesso em: 24/09/2026

Trabalho

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