O MITO DA MINEIRIDADE E PRAÇA TIRADENTES: NARRATIVAS FOTOGRÁFICAS EM OURO PRETO

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
O MITO DA MINEIRIDADE E PRAÇA TIRADENTES: NARRATIVAS FOTOGRÁFICAS EM OURO PRETO
Autores
  • ERICK FELIPE CESARIO MARINHO
  • Marina Furtado Gonçalves
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1446611-o-mito-da-mineiridade-e-praca-tiradentes--narrativas-fotograficas-em-ouro-preto
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Praça Tiradentes, Ouro Preto, patrimônio cultural, paisagem cultural.
Resumo
O estudo analisa a construção da identidade mineira e suas relações com o patrimônio cultural a partir das narrativas visuais produzidas sobre a Praça Tiradentes, localizada em Ouro Preto (MG). A pesquisa parte da percepção de que os discursos patrimoniais do século XX foram decisivos para a consolidação das políticas patrimoniais no Brasil, inicialmente conduzidas pela valorização da monumentalidade histórica e progressivamente ampliadas para incorporar dimensões culturais e simbólicas da paisagem, entendida aqui como uma construção social coletiva. Assim, Ouro Preto se estabelece como representação do mito da “mineiridade”. Resultado de um longo processo histórico iniciado no século XVIII, o local é palco do nascimento de órgãos e serviços regulamentadores do patrimônio, sendo a primeira cidade brasileira reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 1980. A Praça Tiradentes emerge como um espaço privilegiado para compreender as disputas e narrativas em torno do patrimônio, sendo pioneira em políticas de preservação, patrimonializada via Decreto n.º 13, de 1931, que buscava preservar o “aspecto colonial” da cidade em consonância com o ideário nacionalista em formação. Para além de seu valor institucional, a Praça registra usos sociais cotidianos, manifestações culturais, práticas turísticas e interesses diversos que produzem tensões entre o patrimônio monumentalizado e o patrimônio vivido, reforçadas por discursos romantizados do passado colonial e estratégias de promoção turística. Diante desse cenário, o objetivo geral da pesquisa é articular a relação entre patrimônio institucionalizado e patrimônio vivido por meio da análise de registros pictóricos e imagéticos da Praça Tiradentes, investigando como essas representações revelam transformações simbólicas e materiais ao longo do tempo e culminando tensões entre monumentalidade e usos sociais cotidianos. Como objetivos específicos, propõe-se levantar e catalogar registros visuais históricos da praça, analisar tais imagens e compreender as práticas turísticas e institucionais como linguagens críticas capazes de revelar disputas de memória, pertencimento e silenciamentos simbólicos. A relevância do estudo reside na constatação de que a valorização institucional do patrimônio urbano nem sempre corresponde às práticas sociais que o constroem e sustentam, especialmente em centros históricos submetidos a políticas rígidas de preservação, contribuindo para os debates sobre memória, valor e patrimônio enquanto herança viva e continuamente ressignificada. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo-interpretativo, fundamentada na antropologia visual, na fotoetnografia e nos estudos contemporâneos de patrimônio cultural, compreendendo a fotografia como documento e como linguagem crítica. A análise iconográfica e iconológica das imagens, inspirada em Erwin Panofsky, possibilita identificar elementos formais, temas recorrentes e significados profundos associados aos diferentes contextos históricos, articulando-se à construção das políticas de preservação patrimonial e a reflexões fenomenológicas sobre espaço e lugar, bem como às discussões sobre monumentalidade, discurso autorizado e patrimônio territorial, em diálogo com as contribuições teóricas de autores como Meneses, Choay, Milton Santos, Laurajane Smith e Muñoz Viñas. Esse conjunto analítico permitiu compreender a Praça Tiradentes como um espaço de disputa simbólica, no qual diferentes atores produzem e confrontam narrativas patrimoniais ao longo do tempo.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MARINHO, ERICK FELIPE CESARIO; GONÇALVES, Marina Furtado. O MITO DA MINEIRIDADE E PRAÇA TIRADENTES: NARRATIVAS FOTOGRÁFICAS EM OURO PRETO.. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1446611-O-MITO-DA-MINEIRIDADE-E-PRACA-TIRADENTES--NARRATIVAS-FOTOGRAFICAS-EM-OURO-PRETO. Acesso em: 24/09/2026

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