ENTRE O SERTÃO, O RIO E O MAR: PAISAGEM CULTURAL HÍDRICA NA OBRA DE LEON CLEROT (1940–1969)

Publicado em 23/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2610-9

Título do Trabalho
ENTRE O SERTÃO, O RIO E O MAR: PAISAGEM CULTURAL HÍDRICA NA OBRA DE LEON CLEROT (1940–1969)
Autores
  • Sabrina Fernandes Melo
Modalidade
Artigo
Área temática
EIXO TEMÁTICO 1 - Paisagem Cultural: um conceito em discussão e suas tipologias - Paisagem e geografia / Paisagem e arte / Paisagem e arqueologia / Paisagem e ambiente / Paisagem e patrimônio / Paisagem urbana e paisagem cultural / Jardins históricos e paisagismo / Paisagens rurais, industriais e da mineração / Categorias de paisagem da UNESCO e sua aplicabilidade / Rotas e itinerários culturais.
Data de Publicação
23/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1443717-entre-o-sertao-o-rio-e-o-mar--paisagem-cultural-hidrica-na-obra-de-leon-clerot--(19401969)
ISBN
978-65-272-2610-9
Palavras-Chave
Paisagem cultural hídrica, sertão–rio–mar, Leon Clerot, Paraíba.
Resumo
O artigo analisa a produção artística, técnica e institucional do artista, engenheiro e intelectual Leon Clerot (1889–1969) para a construção de uma leitura da paisagem cultural paraibana, a partir de incursões realizadas entre as décadas de 1940 e 1960 pelo sertão, pelos vales fluviais e pelo litoral do estado. Nesse período, Clerot atuou simultaneamente como artista, engenheiro e agente cultural, articulando observação direta do território, representação gráfica e posicionamento público em defesa do patrimônio natural e cultural da Paraíba. As viagens e levantamentos realizados por Leon Clerot entre 1940 e o final da década de 1960 resultaram em desenhos, pinturas e escritos que registram diferentes tipologias de paisagem, organizadas a partir do percurso sertão–rio–mar. A água estrutura essa leitura territorial, conectando áreas de escassez hídrica no sertão, paisagens fluviais associadas a práticas culturais, vestígios arqueológicos e formações geológicas, até alcançar o litoral, especificamente com a barreira do Cabo Branco, ponto mais oriental das Américas. O rio Mamanguape assumiu papel central nesse conjunto, funcionando como eixo de conexão entre sertão e mar e articulando observação ambiental, interesse científico e representação artística. Clerot registrou o curso do rio, suas margens, afluentes e matas, ao mesmo tempo em que atuou em investigações sobre fósseis e na fiscalização de áreas ameaçadas pela devastação, especialmente no contexto de sua participação na Sociedade Protetora das Árvores a partir de 1944. No litoral, destaca-se a falésia do Cabo Branco, tema presente tanto na iconografia de Clerot quanto em seus textos técnicos e intervenções públicas. Desde meados dos anos 1940, acompanhou o avanço da erosão da falésia e denunciou os impactos da urbanização sobre a barreira geológica, compreendendo o Cabo Branco como elemento-chave da paisagem cultural costeira da Paraíba. Em textos publicados até 1969, Clerot afirmou a inevitabilidade do recuo da falésia devido à ação abrasiva do mar, ao mesmo tempo em que criticou a aceleração desse processo pela ação humana, defendendo medidas de contenção e gestão do território. Suas representações visuais do local podem ser entendidas como registros de um estado da paisagem ameaçado de desaparecimento. O artigo também considera a atuação de Clerot na criação do Museu do Estado da Paraíba e do Centro de Artes Plásticas, entendendo essas iniciativas como parte de um esforço mais amplo de catalogação, preservação e valorização de bens culturais e naturais. A articulação entre arte, geografia, ambiente e patrimônio evidencia a paisagem cultural como resultado de processos históricos, práticas institucionais e relações simbólicas com o território. A análise de parte da obra e da militância ecológica de Leon Clerot na Paraíba contribui para o debate conceitual sobre a noção de paisagem cultural, ao evidenciar tipologias fluviais, rurais e costeiras estruturadas pela centralidade da água, bem como suas implicações para a preservação do patrimônio e para uma leitura crítica das transformações do território.
Título do Evento
7º COLÓQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMÔNIO E PROJETO
Cidade do Evento
Belo Horizonte
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MELO, Sabrina Fernandes . ENTRE O SERTÃO, O RIO E O MAR: PAISAGEM CULTURAL HÍDRICA NA OBRA DE LEON CLEROT (1940–1969).. In: Anais do Colóquio Ibero-Americano: Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Anais...Belo Horizonte(MG) 2026, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiopaisagemcultural/1443717-ENTRE-O-SERTAO-O-RIO-E-O-MAR--PAISAGEM-CULTURAL-HIDRICA-NA-OBRA-DE-LEON-CLEROT--(19401969). Acesso em: 24/09/2026

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