ASSOCIAÇÃO ENTRE FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS, SONOLÊNCIA DIURNA, APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO E CAPACIDADE PARA O TRABALHO EM PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR: ESTUDO LONGITUDINAL

Publicado em 20/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2603-1

Título do Trabalho
ASSOCIAÇÃO ENTRE FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS, SONOLÊNCIA DIURNA, APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO E CAPACIDADE PARA O TRABALHO EM PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR: ESTUDO LONGITUDINAL
Autores
  • Emanuelly de Araujo Monteiro
  • Maria Isabel Triches
  • Tatiana de Oliveira Sato
Modalidade
Artigo
Área temática
Fisioterapia do Trabalho e Saúde do Trabalhador
Data de Publicação
20/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cobrafit-congresso-brasileiro-fisioterapia-trabalho/1555978-associacao-entre-fatores-de-risco-psicossociais-sonolencia-diurna-apneia-obstrutiva-do-sono-e-capacidade-para-
ISBN
978-65-272-2603-1
Palavras-Chave
Apneia Obstrutiva do Sono, Docentes, Capacidade para o Trabalho, Fatores Psicossociais, Sonolência diurna
Resumo
Introdução A profissão docente exige altos níveis de responsabilidade e envolvimento com o trabalho. Aliadas à falta de suporte adequado, essas características tornam os docentes altamente vulneráveis ao esgotamento profissional. As atribuições simultâneas de produção científica, gestão administrativa, ensino e orientação acadêmica impõem demandas emocionais e psicológicas significativas a esses profissionais (PINHO et al., 2024). As longas jornadas de trabalho resultam, muitas vezes, em má alimentação, diminuição do tempo dedicado ao lazer e práticas de atividade física, pouco tempo para descanso e privação do sono (AMARO; DUMITH, 2018). A privação do sono pode ser agravada por condições como a apneia obstrutiva do sono (AOS). Os episódios repetidos de hipóxia e descontinuidade do padrão de sono causados pela AOS, resultam em fadiga, sonolência diurna, prejuízo no desempenho cognitivo, memória, tomada de decisões e raciocínio lógico, o que junto as particularidades da carreira acadêmica podem contribuir negativamente para a satisfação com capacidade para o trabalho (AMARO; DUMITH, 2018). Objetivos Verificar a associação entre fatores de risco psicossociais do trabalho, sonolência diurna excessiva, apneia obstrutiva do sono e satisfação com a capacidade para o trabalho em professores do ensino superior público por meio de um estudo longitudinal com acompanhamento de 12 meses. Metodologia Trata-se de um estudo de delineamento prospectivo e longitudinal, cujos dados são provenientes da coorte brasileira RESPIRA (CAAE: 56582322.7.0000.5504). Essa coorte é constituída por professores vinculados a instituições públicas de ensino superior em regime de dedicação exclusiva. A coleta de dados ocorreu por meio de formulários eletrônicos no período compreendido entre maio de 2022 e dezembro de 2023. A avaliação do risco para AOS foi realizada na linha de base, utilizando o questionário STOP-Bang (SBQ). Os resultados são classificados em risco baixo, intermediário ou alto, sendo que neste estudo foi dicotomizado em com alto risco e sem alto risco (risco baixo e intermediário). A satisfação com a capacidade para o trabalho foi avaliada pelo questionário WHOQOL-bref. Os resultados são classificados em muito insatisfeito, insatisfeito, nem satisfeito nem insatisfeito, satisfeito e muito satisfeito, sendo dicotomizado neste estudo, sem satisfação (muito insatisfeito, insatisfeito, nem satisfeito nem insatisfeito) e com satisfação (satisfeito e muito satisfeito). A avaliação dos fatores de risco psicossociais do trabalho foi realizada por meio da aplicação da versão curta do Copenhagen Psychosocial Questionnaire II, adaptado e validado para o Brasil como COPSOQ II-Br. As dimensões avaliadas foram: demandas quantitativas, demandas emocionais, conflito trabalho-família, sintomas de estresse e de burnout, as quais são categorizadas em: segura, atenção e risco, sendo neste estudo dicotomizadas em sem risco (segura e atenção) ou com risco (risco). A sonolência diurna foi avaliada pela Escala de Sonolência de Epworth (EES-BR), a pontuação global varia de 0 a 24, com pontuações acima de 10 sugerindo sonolência diurna excessiva, sendo o resultado dicotomizado em com hipersonolência (>10) ou sem hipersonolência (<10). As associações entre os fatores de risco psicossociais do trabalho, a sonolência diurna excessiva e o risco para apneia obstrutiva do sono com o desfecho satisfação com a capacidade para o trabalho foi investigada pela análise de regressão logística binária no software SPSS. Como medidas de efeito, foram obtidos os Odds Ratios (OR), os respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) e os p-valores. Resultados/Discussão Foram analisados 760 participantes, com média de idade de 49,24 anos (DP=9,67). A maioria era do sexo masculino (52,6%), autorreferidos como brancos (71,4%), pardos (21,2%), pretos (3,8%), amarelos (2,4%), indígenas (0,5%), outros (0,4%) e não declarado (0,3%). Em relação a renda, 50,9% apresentavam renda =12 salários-mínimos. Mais de 70% relataram ter cônjuge, 12,5% possuíam filhos em idade pré-escolar (0 a 5 anos) e 17,2% em idade escolar (6 a 11 anos). No perfil acadêmico e institucional, 88,8% possuíam doutorado, 68,9% pertenciam a instituições de ensinos federais e 31,1% a estaduais. A maioria (63,9%) atuava na instituição há mais de 10 anos e 61,7% lecionavam para a pós-graduação. Quanto aos hábitos de vida, o tabagismo foi relatado por apenas 3,9% da amostra. O consumo de bebidas alcoólicas esteve presente em 82,8% dos indivíduos, sendo a frequência de duas a quatro vezes no mês a mais comum (32,8%), seguida por até uma vez ao mês (25,3%), duas a três vezes na semana (19,1%), nunca (17,2%) e quatro ou mais vezes na semana (5,7%). Observou-se predominância de sobrepeso e de peso normal, ambos com 39,9%, seguidos por obesidade (19,9%) e baixo peso (0,4%). Além disso, 73,1% dos docentes relataram algum diagnóstico médico. Em relação ao sono, os participantes dormiam, em média 6,6 horas por noite (DP=1,09). A prevalência de alto risco para AOS foi de 23,5% e de 76,5% para baixo/intermediário risco. A hipersonolência esteve presente em 27,8%, enquanto 72,2% não apresentaram esse quadro. Sobre o uso de medicamentos para dormir, 80,3% relataram não usar nenhuma vez no mês, 7,9% utilizavam menos de uma vez por semana, 4,6% uma ou duas vezes por semana, e 7,1% três ou mais vezes por semana. Na amostra avaliada, destacou-se o risco psicossocial para os sintomas de estresse e burnout, representando 62,2% e 61,8% dos participantes, respectivamente. Em relação ao risco psicossocial para as demais variáveis, 51,5% apresentaram risco para demandas emocionais, 44,7% para conflitos trabalho-família e 17,7% para demandas quantitativas. Sobre o desfecho principal, 35,4% dos docentes não apresentaram satisfação com a capacidade para o trabalho, enquanto 64,6% se mostraram satisfeitos com sua capacidade laboral. Houve associação entre sonolência diurna excessiva e a falta de satisfação com a capacidade para o trabalho após 12 meses (OR=2,47; IC95%=1,78-3,43; p<0,01). Não houve associação entre o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono e a falta de satisfação com a capacidade para o trabalho (OR=1,34; IC95%=0,95-1,9; p=0,10). Para os fatores de risco psicossociais, houve associação entre todos os fatores de risco avaliados e a falta de satisfação com a capacidade para o trabalho. O risco psicossocial para sintomas de burnout aumentou em quase sete vezes a chance dos docentes não estarem satisfeitos com a sua capacidade para o trabalho (OR=6,94; IC95%=4,68-10,3; p<0,01), enquanto o risco psicossocial para os sintomas de estresse aumentou essa chance em mais de quatro vezes (OR=4,37; IC95%=3,05-6,25; p<0,01). Do mesmo modo, maiores chances de falta de satisfação com a capacidade para o trabalho também foram evidenciadas para as demandas quantitativas (OR=4,03; IC95%=2,73-5,95; p<0,01), conflitos trabalho-família (OR=2,92; IC95%=2,15-3,97; p< 0,01) e demandas emocionais (OR=2,76; IC95%=2,02-3,77; p< 0,01). Conclusão A sonolência diurna excessiva parece impactar a satisfação com a capacidade para o trabalho, assim como os fatores de risco psicossociais. O excesso de trabalho, as longas jornadas e a falta de recuperação podem levar os docentes a um sono não reparador, o que pode afetar a capacidade para o trabalho ao longo do tempo. Ao contrário da sonolência, a apneia obstrutiva não foi associada à capacidade para o trabalho, o que pode indicar que parte dos docentes estejam em tratamento para esta condição, auxiliando na capacidade para o trabalho. Além disso, a sonolência diurna pode estar relacionada aos aspectos ocupacionais ou a outras condições de saúde que afetam o sono, como insônia e ansiedade, e não ao diagnóstico de apneia nesta população. Referências AMARO, J. M. R. S.; DUMITH, S. C. Sonolência diurna excessiva e qualidade de vida relacionada à saúde dos professores universitários. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 67, n. 2, p. 94-100, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0047-2085000000191. BERTOLAZI, A. N. et al. Portuguese-language version of the Epworth sleepiness scale: validation for use in Brazil. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 35, n. 9, p. 877-883, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s1806-37132009000900009. CHUNG, F.; ABDULLAH, H. R. & LIAO, P. STOP-Bang Questionnaire: A Practical Approach to Screen for Obstructive Sleep Apnea. Chest, v. 149, n. 3, p. 631–638, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1378/chest.15-0903. DUARTE, R. et al. Validation of the STOP-Bang questionnaire as a means of screening for obstructive sleep apnea in adults in Brazil. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 43, n. 6, p. 456–463, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1806-37562017000000139. FLECK, M. P. et al. Aplicação da versão em português do instrumento abreviado de avaliação da qualidade de vida "WHOQOL-bref". Revista De Saúde Pública, v. 34, n. 2, p. 178–183. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102000000200012. GONÇALVES et al. Cross-cultural adaptation and psychometric properties of the short version of COPSOQ II-Brazil. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 69, 2021. Disponível em: https://revistas.usp.br/rsp/article/view/192716. PINHO, P. et al. Estresse ocupacional, saúde mental e gênero entre docentes do ensino superior: revisão integrativa. Saúde e Sociedade, v. 32, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s0104-12902023210604pt.
Título do Evento
X COBRAFIT - Congresso Brasileiro de Fisioterapia do Trabalho
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Fisioterapia do Trabalho
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MONTEIRO, Emanuelly de Araujo; TRICHES, Maria Isabel; SATO, Tatiana de Oliveira. ASSOCIAÇÃO ENTRE FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAIS, SONOLÊNCIA DIURNA, APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO E CAPACIDADE PARA O TRABALHO EM PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR: ESTUDO LONGITUDINAL.. In: Anais do Congresso Brasileiro de Fisioterapia do Trabalho. Anais...Curitiba(PR) Curitiba, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/cobrafit-congresso-brasileiro-fisioterapia-trabalho/1555978-ASSOCIACAO-ENTRE-FATORES-DE-RISCO-PSICOSSOCIAIS-SONOLENCIA-DIURNA-APNEIA-OBSTRUTIVA-DO-SONO-E-CAPACIDADE-PARA-. Acesso em: 24/10/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes