TRANS(R)EXISTIR: CORPO, TRANSGENERIDADE E GESTALT-TERAPIA NO CONTEMPORÂNEO

Publicado em 23/12/2022 - ISBN: 978-85-5722-491-9

Título do Trabalho
TRANS(R)EXISTIR: CORPO, TRANSGENERIDADE E GESTALT-TERAPIA NO CONTEMPORÂNEO
Autores
  • LUCIANE SOARES RIBEIRO MACHADO
Modalidade
Tema livre
Área temática
2. INCLUSÃO SOCIAL E VISIBILIDADE: 2.1 Estudos sobre identidade de gênero.
Data de Publicação
23/12/2022
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cgtrio22/521401-trans(r)existir--corpo-transgeneridade-e-gestalt-terapia-no-contemporaneo
ISBN
978-85-5722-491-9
Palavras-Chave
Transgeneridade; Gestalt-terapia; Gênero; Fenomenologia; Identidade de Gênero.
Resumo
O presente trabalho abordou o fenômeno da transgeneridade, introduzindo problematizações necessárias para a compreensão do processo de transicionar. Importa pensar alguns conceitos que são fundamentais, como a questão do gênero em relação às identidades pessoais e sociais, às orientações sexuais, ao sexo biológico e ao amplo debate sobre estigmas sociais. Neste trabalho, tais assuntos foram abordados com o intuito de desestigmatizar a existência transgênera articulando conceitualmente o que é a transgeneridade com os referenciais teóricos e clínicos da Gestalt-terapia, abordagem comprometida com a ressignificação da existência a partir das experiências extraídas do modo singular de ser na relação do ser-no-mundo, dialogando com a fenomenologia de Merleau-Ponty. Evidenciamos também a busca das pessoas transgênero pelo reconhecimento de si tal como são, frente à rejeição social a que são impostas, pesquisando a construção sócio histórica que normalizou a heterossexualidade cisgênera e o binarismo feminino x masculino. Diante dos estigmas sociais impostos às pessoas trans, não é difícil imaginar as dificuldades que ainda são inerentes ao processo de transicionar e de divergir do binarismo de gênero. Ao longo da pesquisa, foi possível compreender que essas são as causas do maior conflito enfrentado por elas, aquelas advindas do estigma, do preconceito das pessoas que sequer sabem o que é ser trangênero, das tentativas de invisibilização, de segregação e não aqueles oriundos dos questionamentos pessoais a respeito de suas identidades de gênero ou orientações sexuais. Não é apenas uma “identidade psíquica” que está em questão na existência trans, são todas as dimensões do ser: corporal - com a imagem que tem de seu corpo; mental – como a pessoa trans se reconhece, qual o valor que faz de si e social – o lugar que essa pessoa ocupa entre os seus. É exatamente esta a concepção que a Gestalt-terapia tem do sujeito, visto como uma totalidade que não pode ser apartado do mundo e da relação com o outro. A Gestalt-terapia entende a existência como algo singular e individual, e propõe uma abertura de sentido para que seja possível experienciar as possibilidades de se estar no mundo. Abandonando as dicotomias, Gestalt-terapia enxerga o organismo de maneira integrada, corpo e mente juntos em interação no campo. A clínica gestáltica é a clínica do diálogo, que visa não enquadrar o ser em um modelo desejável e aperfeiçoado, mas que acolhe a diferença, o único, o real de cada um. Busca a ampliação da awareness através do que é sentido no aqui-agora, enfatizando a vivência desse ser e dando a ele a possibilidade de se expressar de maneira sensível e autêntica. Para Gutmacher (2014) essa clínica da Gestalt-terapia permite que o sujeito se perceba “nesse espaço-tempo-no-mundo-com-o-outro, ampliando suas possibilidades de perceber, agir e criar” (p. 68). A vivência transgênero exige essa abertura, de uma clínica que tenha um olhar não individualizante sobre o sujeito, que o compreenda com suas vivências individuais, mas que se dão de maneira relacional, que pode criar com o que é dado no mundo, produzindo sentidos para sua existência, a partir das experiências no campo organismo/ambiente. A Gestalt-terapia abarca todas as formas de ser. Trans(R)existir é não morrer diante das tentativas de apagamento de seus corpos e suas expressões. É não se deixar encaixar em nenhuma categoria, é viver a novidade, criar-se e recriar-se. Não é sobre construir um modelo de corpo, é sobre, apesar de todas as dores, acolher e celebrar a singularidade da própria existência.
Título do Evento
VIII Congresso de Gestalt-terapia do Estado de Rio de Janeiro
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso de Gestalt-terapia do Estado do Rio de Janeiro: existências anônimas - a Gestalt-terapia ocupando espaços de resistência
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MACHADO, LUCIANE SOARES RIBEIRO. TRANS(R)EXISTIR: CORPO, TRANSGENERIDADE E GESTALT-TERAPIA NO CONTEMPORÂNEO.. In: Anais do Congresso de Gestalt-terapia do Estado do Rio de Janeiro: existências anônimas - a Gestalt-terapia ocupando espaços de resistência. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Hotel Windsor Guanabara, 2022. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/CGTRIO22/521401-TRANS(R)EXISTIR--CORPO-TRANSGENERIDADE-E-GESTALT-TERAPIA-NO-CONTEMPORANEO. Acesso em: 29/05/2026

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