CARGA MENTAL DE TRABALHO SUBJETIVA DE PROFESSORES DO ENSINO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL

Publicado em 19/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2277-4

Título do Trabalho
CARGA MENTAL DE TRABALHO SUBJETIVA DE PROFESSORES DO ENSINO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL
Autores
  • Thaynan Silveira Cabral
  • Matheus Silvelo Franco
  • ALBERTO ENRIQUE MORALES PEREZ
  • Talia Patatt Simonetti
  • Emily Priscilla Marques
  • Valdecir Zavarese da Costa
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Tecnologias, Indicadores e Avaliação de Impacto para a Melhoria Contínua de Processos em Saúde Baseados em Evidências: reúne estudos que apresentam o processo de construção de inovações ou de tradução das evidências em produtos ou intervenções para aplicação nas práticas em Enfermagem e Saúde.
Data de Publicação
19/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/bpso-brasil-567452/1228605-carga-mental-de-trabalho-subjetiva-de-professores-do-ensino-publico-do-rio-grande-do-sul
ISBN
978-65-272-2277-4
Palavras-Chave
Carga Mental de Trabalho, Carga de Trabalho, Professores Escolares, Saúde Ocupacional
Resumo
Introdução: Os professores fazem parte de uma classe profissional que transmite conhecimentos e medeia o processo de ensino-aprendizagem nas instituições de educação. Para realizar o processo de trabalho, o professor utiliza sua capacidade física e cognitiva para alcançar uma finalidade que resulta em um produto imaterial, o conhecimento¹,². A Carga Mental de Trabalho Subjetiva (CMTS) é entendida como uma suscetibilidade a pressões mentais causadas pelo processo de trabalho, podendo resultar da interação entre atributos individuais, natureza das tarefas e contexto organizacional, os quais, quando estão em desarmonia, podem desencadear sofrimento psíquico e impactos psicossociais². A partir disso, professores são propensos a adoecer em razão do trabalho, visto que a relação trabalho-saúde é ameaçada por demandas laborais críticas, que eventualmente culminam em afastamento da ocupação. A qualidade de vida desta classe profissional é ameaçada por baixo apoio social, carga horária pesada, alta demanda de trabalho e baixo controle do trabalho, condições que se associam com o adoecimento¹. Objetivo: Descrever a Carga Mental de Trabalho Subjetiva de professores da rede pública estadual do Rio Grande do Sul. Método: Trata-se de uma pesquisa quantitativa do tipo transversal descritiva. Foi adotado como cenário de pesquisa as instituições de ensino público do Estado do Rio Grande do Sul. A população da pesquisa foi composta pelos professores do quadro efetivo da rede pública estadual de ensino do Rio Grande do Sul, que representa um quantitativo de 34.182 profissionais. A amostra foi obtida a partir dos 16.657 professores com regência de classe, isto é, responsáveis pelas turmas e em atuação. A amostragem foi do tipo não probabilística. Para o cálculo amostral, considerou-se nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%. O resultado obtido indicou uma amostragem mínima de 380 professores. Foram incluídos professores efetivos com regência de classe e em atuação profissional, e excluídos professores em disposição, atividades de setor, licença, férias e/ou afastamento das atividades laborais. Foi utilizado um instrumento para coletar informações sociodemográficas, laborais e de saúde. Para avaliar a Carga Mental de Trabalho Subjetiva (CMTS), foi utilizada a Escala Subjetiva de Carga Mental de Trabalho (ESCAM)². Trata-se de uma escala do tipo Likert (1–5), com cinco dimensões que totalizam 20 itens e avaliam a relação do trabalhador frente às suas tarefas executadas no trabalho. As dimensões da ESCAM são apresentadas a seguir: demandas cognitivas e complexidade da tarefa; características da tarefa; organização temporal; ritmo de trabalho; e consequências para a saúde. A coleta de dados foi realizada de forma remota, a partir do preenchimento do questionário de pesquisa online, criado no Google Formulários. Os dados foram planilhados no Google Planilhas e posteriormente organizados e processados no software Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 21. Obteve-se a estatística descritiva das variáveis sociodemográficas, laborais, de saúde e CMTS. Consideraram-se medidas de frequência absoluta (n) e relativa (%), e medidas de tendência central (média) e de dispersão (desvio padrão). Para analisar as dimensões da ESCAM, adotou-se a padronização dos escores com base nos critérios de classificação sugeridos por Lopes³. Foi considerado: subcarga muito baixa, os valores entre 0,00 e 20,00; subcarga baixa, os valores entre 20,00 e 40,00; carga adequada, os valores entre 40,01 e 60,00; sobrecarga alta, os valores entre 60,01 e 80,00; e sobrecarga muito alta, os valores entre 80,01 e 100,00. Os pesquisadores do estudo seguiram as prerrogativas institucionais dispostas nas resoluções do Conselho Nacional de Saúde nº 466/2012 e 510/2016, que estabelecem normas para pesquisa envolvendo seres humanos. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sob parecer nº 6.755.283 e CAAE nº 55631922.4.0000.5346. Resultados: Este estudo contou com uma amostra de 300 professores da rede pública do Rio Grande do Sul, com idade média de 46,47 anos e 34,66 horas semanais de trabalho. Houve predomínio de mulheres (n=246; 82,0%), brancos (n=258; 86,0%), casados (n=142; 47,3%), com filhos (n=207; 69,0%), moradia própria quitada (n=150; 50,0%) e renda mensal entre 4 e 6 salários mínimos (n=161; 53,7%). Quanto ao perfil laboral, a maioria atua no Ensino Médio (n=141; 47,0%) e não tem outro trabalho (n=231; 77,0%). No perfil de saúde, 55,3% utilizam medicação (n=166), 52,3% praticam exercícios físicos (n=157), 60% consomem bebida alcoólica (n=180), 92,3% não fumam (n=277), 56% não reconhecem doença crônica (n=168), 54% não referem necessidade de terapia no último ano (n=162) e 77,3% não fazem terapia regularmente (n=232). A maioria dorme até 8 horas por dia (n=185; 61,7%), teve a cidade atingida pelas enchentes (n=169; 56,3%), mas não a escola (n=249; 83%) nem a residência (n=278; 92,7%). Os dados sobre as enchentes referem-se às inundações no estado em maio de 2024. A análise das dimensões da Escala Subjetiva de Carga Mental de Trabalho (ESCAM) mostrou níveis elevados de percepção de carga mental. A dimensão Demandas Cognitivas e Complexidade da Tarefa (DCCT) obteve a maior média (4,1; DP=0,80), evidenciando alta exigência cognitiva. A dimensão Consequências para a Saúde (CS) também teve média alta (4,1; DP=1,07), indicando percepção significativa de impactos do trabalho sobre o bem-estar. Já as Características da Tarefa (CT) apresentaram média de 3,6 (DP=1,36), mostrando que os atributos das tarefas aumentam a carga mental. O Ritmo de Trabalho (RT) teve média de 4,0 (DP=1,06), sugerindo que a intensidade das atividades contribui de forma importante para a sobrecarga. Por fim, a Organização Temporal (OT) obteve a menor média (3,4; DP=1,13), indicando menor percepção de sobrecarga relacionada à gestão do tempo. Após a padronização das dimensões, a DCCT foi a mais crítica, com 52,33% dos professores classificados com sobrecarga mental alta e 37% com sobrecarga muito alta, totalizando cerca de 90%. Em CS, 22% apresentaram sobrecarga alta e 58% muito alta, refletindo efeitos significativos na saúde. Em CT, 39% apresentaram sobrecarga alta e 26,67% muito alta. Na OT, 25% apresentaram carga moderada, e cerca de 51% alta ou muito alta. No RT, 29% tiveram carga moderada, e 57% alta ou muito alta, também merecendo atenção. Conclusão: Este estudo evidenciou elevados níveis de Carga Mental de Trabalho Subjetiva entre professores da rede pública do Rio Grande do Sul, principalmente nas dimensões “Demandas Cognitivas” e “Consequências para a Saúde”, embora as demais dimensões da Escala Subjetiva da Carga Mental de Trabalho também tenham se apresentado elevadas. Esses achados destacam sobrecarga mental e potencial impacto na saúde dos professores, e reforçam a necessidade de estratégias institucionais e políticas públicas que promovam o bem-estar físico e emocional da categoria.
Título do Evento
Inovação em Práticas de Saúde e Enfermagem Baseadas em Evidências
Cidade do Evento
Florianópolis
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Internacional Inovação em Práticas de Saúde e Enfermagem Baseada em Evidências
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CABRAL, Thaynan Silveira et al.. CARGA MENTAL DE TRABALHO SUBJETIVA DE PROFESSORES DO ENSINO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL.. In: Anais do Seminário Internacional Inovação em Práticas de Saúde e Enfermagem Baseada em Evidências. Anais...Florianópolis(SC) UFSC, 1. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/bpso-brasil-567452/1228605-CARGA-MENTAL-DE-TRABALHO-SUBJETIVA-DE-PROFESSORES-DO-ENSINO-PUBLICO-DO-RIO-GRANDE-DO-SUL. Acesso em: 22/05/2026

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