ATUAÇÃO DA ENFERMEIRA DO CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR NO ROUND MULTIPROFISSIONAL DE UTI ADULTO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Publicado em 19/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2277-4

Título do Trabalho
ATUAÇÃO DA ENFERMEIRA DO CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR NO ROUND MULTIPROFISSIONAL DE UTI ADULTO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Autores
  • Luciana Bihain Hagemann de Malfussi
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Tecnologias, Indicadores e Avaliação de Impacto para a Melhoria Contínua de Processos em Saúde Baseados em Evidências: reúne estudos que apresentam o processo de construção de inovações ou de tradução das evidências em produtos ou intervenções para aplicação nas práticas em Enfermagem e Saúde.
Data de Publicação
19/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/bpso-brasil-567452/1197825-atuacao-da-enfermeira-do-controle-de-infeccao-hospitalar-no-round-multiprofissional-de-uti-adulto--relato-de-exp
ISBN
978-65-272-2277-4
Palavras-Chave
Controle de Infecções Hospitalares, Cuidados Críticos, Enfermagem, Prevenção de Infecções, Segurança do Paciente.
Resumo
Introdução: A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto é um ambiente assistencial de alta complexidade, destinado ao cuidado de pacientes críticos que necessitam de monitoramento contínuo e intervenções clínicas intensivas. Esses pacientes geralmente apresentam condições clínicas graves, múltiplas comorbidades e são submetidos a procedimentos invasivos que aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS)¹. Entre os principais fatores de risco presentes na UTI estão o uso prolongado de dispositivos invasivos, como ventilação mecânica, cateteres venosos centrais e sondas urinárias, além da administração frequente de antimicrobianos de amplo espectro, o que favorece a seleção de microrganismos multirresistentes. As IRAS estão entre as principais causas de morbimortalidade hospitalar, impactando negativamente os desfechos clínicos, a qualidade de vida dos pacientes e os custos assistenciais. Dados da literatura nacional e internacional apontam que a incidência de IRAS em UTIs é significativamente maior do que em outros setores hospitalares, exigindo a adoção de estratégias específicas e rigorosas de prevenção e controle². Nesse cenário, a atuação da equipe de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) torna-se fundamental, com destaque para o papel do enfermeiro, profissional que, historicamente, tem ocupado posição central nas ações de vigilância epidemiológica, prevenção e controle de infecções. A enfermeira da CCIH atua na elaboração de protocolos institucionais, na educação permanente das equipes assistenciais e na análise de indicadores de infecção, contribuindo para o desenvolvimento de uma cultura institucional voltada à segurança do paciente. O round multiprofissional, por sua vez, configura-se como um espaço privilegiado de discussão clínica, onde as diferentes categorias profissionais compartilham informações, avaliam condutas terapêuticas e definem estratégias de cuidado³. A inclusão da enfermeira da CCIH nesse momento assistencial amplia a possibilidade de intervenção direta e oportuna nas práticas que impactam o risco de infecção. Além de oferecer suporte técnico à equipe, a presença da CCIH no round promove o alinhamento de condutas com as melhores evidências científicas disponíveis, reforçando medidas preventivas e promovendo o cuidado seguro. Neste contexto, destaca-se a importância de relatar a experiência da participação da enfermeira da CCIH nos rounds multiprofissionais da UTI adulto, evidenciando suas contribuições para a prevenção de IRAS, a educação em serviço e a melhoria dos processos assistenciais. Objetivos: Relatar a experiência da atuação da enfermeira do Controle de Infecção Hospitalar durante o round multiprofissional realizado na UTI Adulto de um hospital público de ensino. Método: Trata-se de um relato de experiência profissional, de caráter descritivo e reflexivo, desenvolvido entre os meses de março de 2023 e março de 2024. O cenário do estudo foi a Unidade de Terapia Intensiva Adulto de um hospital universitário da região Sul do Brasil, cujo perfil de admissão de pacientes inclui casos clínicos e cirúrgicos de alta complexidade. As informações apresentadas baseiam-se na vivência da autora enquanto enfermeira integrante da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), participante ativa dos rounds multiprofissionais realizados diariamente no período matutino, com duração média de quarenta minutos. O round é conduzido por meio de um checklist estruturado, que orienta a discussão das metas terapêuticas e permite a avaliação sistemática de aspectos críticos da assistência ao paciente. Os itens do checklist incluem: definição da meta terapêutica, avaliação do controle da dor, estabelecimento da meta de sedação, meta de ventilação, plano de mobilização precoce, necessidade de ajuste de antibióticos, uso de drogas vasoativas, retirada de dispositivos invasivos, otimização da dieta, registro da última evacuação, controle das glicemias, avaliação de risco e manejo de lesões por pressão, indicação e implementação de profilaxias, além de critérios para alta da UTI. A presença da enfermeira da CCIH no round multiprofissional permitiu contribuir diretamente em itens relacionados à prevenção de infecções, como a avaliação da necessidade de manutenção ou retirada de dispositivos invasivos, o ajuste da antibioticoterapia, a adesão às medidas de precaução e a discussão de estratégias para redução de risco de IRAS. Participam do round profissionais das equipes médica, de enfermagem, fisioterapia, farmácia, nutrição e CCIH, favorecendo a integração de saberes e a tomada de decisão compartilhada. Resultados: A participação da enfermeira do controle de infecção no round multiprofissional configurou-se como uma estratégia potente e inovadora para a promoção de medidas de prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde na Unidade de Terapia Intensiva Adulto. Esta atuação permitiu uma abordagem mais proativa e integrada, com ênfase na identificação precoce de situações de risco para infecção, o que possibilitou intervenções oportunas e direcionadas. Entre as principais contribuições, destacaram-se: a detecção de condições clínicas e assistenciais que favorecem o desenvolvimento de IRAS; a orientação contínua da equipe multiprofissional quanto ao uso racional de dispositivos invasivos, como cateteres venosos centrais (CVC), sondas urinárias (SVD) e ventiladores mecânicos (VM), além da discussão sobre a possibilidade de descontinuação desses dispositivos sempre que clinicamente viável (desinvadir o paciente), visando reduzir o tempo de exposição dos pacientes a potenciais fontes de infecção. Outro aspecto relevante foi o reforço das medidas de precaução padrão e das precauções por tipo de transmissão, com orientações específicas para cada paciente, de acordo com os riscos identificados, o que contribuiu para a uniformidade das condutas entre os diferentes membros da equipe. Destacou-se ainda o estímulo sistemático à implementação de bundles de prevenção, como o para a prevenção da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), cuja adesão foi favorecida pelo acompanhamento diário das práticas assistenciais. Adicionalmente, a presença da profissional no round possibilitou um acompanhamento mais próximo das prescrições médicas relacionadas ao uso de antimicrobianos, especialmente no que se refere à antibioticoprofilaxia cirúrgica. Durante o round, a enfermeira da CCIH assumiu a responsabilidade de reforçar com os médicos intensivistas a necessidade de suspensão oportuna da antibioticoprofilaxia nos pacientes oriundos do centro cirúrgico, em conformidade com as diretrizes institucionais e nacionais, evitando o uso inadequado e prolongado de antimicrobianos e, consequentemente, contribuindo para o combate à resistência bacteriana. Além dessas ações, a enfermeira da CCIH desempenhou papel central no apoio à vigilância ativa, por meio da obtenção, consolidação e análise de dados relacionados aos dispositivos invasivos utilizados, os quais fazem parte do monitoramento obrigatório da comissão. Essa atuação favoreceu a identificação de tendências, a análise de indicadores assistenciais e a implementação de ações corretivas ou preventivas em tempo oportuno. O espaço do round também representou uma oportunidade valiosa para a promoção da educação permanente em serviço, proporcionando momentos de reflexão conjunta sobre as práticas assistenciais, embasados nas evidências científicas mais recentes. Houve fortalecimento da cultura de segurança do paciente e estímulo ao trabalho em equipe, com construção de saberes compartilhados entre os profissionais de diferentes categorias. Essa aproximação entre o CCIH e as rotinas assistenciais da UTI Adulto possibilitou maior visibilidade e reconhecimento da importância das ações de controle de infecção dentro do processo de cuidado intensivo, reforçando o compromisso institucional com a qualidade e a segurança na assistência ao paciente crítico. Considerações finais: A inserção da enfermeira do Controle de Infecção Hospitalar no round multiprofissional da UTI Adulto configura-se como uma prática inovadora e de grande relevância para a qualidade assistencial e a segurança do paciente. A presença sistemática da CCIH nesse espaço contribuiu para a tomada de decisão clínica, a implementação de estratégias de prevenção de IRAS e o fortalecimento da integração multiprofissional. Ressalta-se a importância de institucionalizar essa prática como política interna de segurança do paciente.
Título do Evento
Inovação em Práticas de Saúde e Enfermagem Baseadas em Evidências
Cidade do Evento
Florianópolis
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Internacional Inovação em Práticas de Saúde e Enfermagem Baseada em Evidências
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MALFUSSI, Luciana Bihain Hagemann de. ATUAÇÃO DA ENFERMEIRA DO CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR NO ROUND MULTIPROFISSIONAL DE UTI ADULTO: RELATO DE EXPERIÊNCIA.. In: Anais do Seminário Internacional Inovação em Práticas de Saúde e Enfermagem Baseada em Evidências. Anais...Florianópolis(SC) UFSC, 1. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/bpso-brasil-567452/1197825-ATUACAO-DA-ENFERMEIRA-DO-CONTROLE-DE-INFECCAO-HOSPITALAR-NO-ROUND-MULTIPROFISSIONAL-DE-UTI-ADULTO--RELATO-DE-EXP. Acesso em: 22/05/2026

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