VOZES QUE CONTAM: ESCREVIVÊNCIAS, ESTATÍSTICAS E RESISTÊNCIA POÉTICA

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
VOZES QUE CONTAM: ESCREVIVÊNCIAS, ESTATÍSTICAS E RESISTÊNCIA POÉTICA
Autores
  • ANA CAROLINA OLIVEIRA FIGUEIREDO DOS SANTOS
Modalidade
Resumo - Oficina
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1399045-vozes-que-contam--escrevivencias-estatisticas-e-resistencia-poetica
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Educação Matemática, Escrevivência, Epistemologias Negras, Interseccionalidades, Poesia de Resistência.
Resumo
A oficina “Vozes que Contam” propõe um espaço de encontro entre matemática, literatura e identidade, explorando as escrevivências como epistemologia negra e poética de resistência. Inspirada na obra Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, e nos conceitos de Conceição Evaristo, a proposta busca entrelaçar arte, estatística e crítica social, convidando os participantes a transformar dados e números em poesia e denúncia. A atividade dialoga diretamente com o tema do evento, “Interseccionalidades em pauta”, ao articular raça, gênero e produção de conhecimento, destacando o protagonismo de mulheres negras e suas vozes como parte essencial das práticas educativas e científicas. A oficina parte da compreensão de que os números, frequentemente tratados como neutros, também carregam marcas de contextos históricos e sociais. Gráficos, tabelas e índices de desigualdade podem ser lidos como narrativas, desde que olhados com sensibilidade e consciência crítica. Ao cruzar dados estatísticos sobre desigualdade racial e de gênero com a literatura afro-brasileira e a poesia de resistência, pretende-se ressignificar o lugar da matemática e da linguagem na escola, reconhecendo-as como ferramentas para ler, questionar e transformar o mundo. Essa proposta insere-se no campo da educação matemática crítica, mas também no da educação literária e humanizadora, ao afirmar que todo número tem uma história e toda história pode ser contada também por meio de números. A atividade inicia-se com uma roda de leitura e escuta, em que trechos de Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, são intercalados com textos e falas de Conceição Evaristo sobre o conceito de escrevivência, bem como com a escuta do samba-enredo da Portela do ano de 2024. A cada leitura, os participantes são convidados a refletir: que histórias conhecemos que se parecem com essas? Que dores e resistências ecoam nessas vozes? Esse primeiro momento tem como objetivo criar um ambiente de acolhimento e partilha, reconhecendo a importância da oralidade e da escuta sensível como formas de construção coletiva de saberes. Em seguida, são apresentados gráficos e tabelas reais que mostram dados sobre a presença de mulheres negras nas universidades, diferenças salariais, representatividade na literatura e participação em espaços de poder. Esses números são analisados coletivamente, com perguntas provocativas como “O que esses dados escondem?” e “O que sentimos ao olhar para esses números?”. Assim, a leitura dos dados torna-se também um exercício de empatia, consciência e denúncia. Após esse momento de leitura crítica, os participantes são convidados a criar poemas-dados, unindo elementos numéricos e poéticos. Cada pessoa escolhe entre escrever uma escrevivência pessoal, narrando uma vivência que se conecta ao tema da resistência, ou compor versos que transformem as estatísticas em linguagem sensível. A proposta é que o número ganhe voz, que o gráfico se torne metáfora, e que a escrita se converta em gesto político. Essa etapa valoriza a criatividade e a autoria, estimulando a expressão poética como meio de pensar a realidade e de se posicionar diante dela. No encerramento, realiza-se uma roda de leitura dos poemas e escrevivências produzidos. O compartilhamento é entendido como parte fundamental do processo: ouvir o outro, reconhecer-se nas histórias e perceber como diferentes linguagens, matemática, literária e corporal, podem se articular na produção de sentidos. O fechamento é simbólico, com a leitura coral da frase de Conceição Evaristo: “Eles combinaram de nos matar, mas a gente combinou de não morrer.” Essa leitura coletiva reafirma a potência das vozes negras e femininas como presença e permanência, encerrando o encontro em tom de resistência e esperança. A oficina é voltada a educadores, estudantes, licenciandos e pesquisadores das áreas de Educação Matemática, Letras, Pedagogia e Estudos de Gênero, bem como a qualquer pessoa interessada em práticas interdisciplinares e humanizadoras. Espera-se que os participantes reconheçam as escrevivências como epistemologia e metodologia de ensino, reflitam criticamente sobre o papel social da matemática e experimentem a criação poética como forma de denúncia e libertação. Nessa perspectiva, números e versos tornam-se linguagens complementares na luta por visibilidade, justiça e equidade. Assim, a proposta reafirma a importância de uma educação que ouve, acolhe e transforma, fazendo da sala de aula um espaço onde cada voz possa contar, e recontar, as histórias que o mundo insiste em silenciar.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, ANA CAROLINA OLIVEIRA FIGUEIREDO DOS. VOZES QUE CONTAM: ESCREVIVÊNCIAS, ESTATÍSTICAS E RESISTÊNCIA POÉTICA.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1399045-VOZES-QUE-CONTAM--ESCREVIVENCIAS-ESTATISTICAS-E-RESISTENCIA-POETICA. Acesso em: 29/06/2026

Trabalho

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