RELAÇÕES DE GÊNERO NA VELHICE: MULHERES IDOSAS PROTAGONIZANDO PRÁTICAS DE NUMERAMENTO ENQUANTO DESENVOLVEM UMA PESQUISA DE OPINIÃO

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
RELAÇÕES DE GÊNERO NA VELHICE: MULHERES IDOSAS PROTAGONIZANDO PRÁTICAS DE NUMERAMENTO ENQUANTO DESENVOLVEM UMA PESQUISA DE OPINIÃO
Autores
  • Larissa Aparecida Resende Pires
  • Flávia Grossi
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398893-relacoes-de-genero-na-velhice--mulheres-idosas-protagonizando-praticas-de-numeramento-enquanto-desenvolvem-uma-p
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Mulheres idosas, Práticas de numeramento, Pesquisa de opinião, Metodologia NEPSO, Relações de gênero.
Resumo
O presente trabalho discute como mulheres idosas protagonizam práticas de numeramento relacionadas às questões geracionais e de gênero enquanto participam da elaboração de uma pesquisa de opinião, a partir da metodologia do Programa Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião (Nepso). No campo educacional, cresce o interesse em compreender as formas de aprendizagem das pessoas idosas e as relações que estabelecem com o conhecimento matemático (SILVA; JULIO, 2023). Muitas dessas pessoas encontram nos espaços educativos a possibilidade de (re)significarem suas trajetórias, superar exclusões históricas e participar de novas práticas de letramento e de numeramento (GROSSI; FONSECA, 2023). Conforme Soares (2001), a escola e outros ambientes formativos assumem um papel central em uma sociedade grafocêntrica, na qual o uso da linguagem escrita e das representações matemáticas constituem uma parte essencial da vida social. Nesse contexto, adota-se o conceito de práticas de numeramento, entendido como o conjunto de ações e interações sociais que envolvem conhecimentos matemáticos no cotidiano (GROSSI; FONSECA, 2023). Esse conceito amplia a compreensão sobre as práticas matemáticas, reconhecendo o seu caráter discursivo e sociocultural e evitando restringi-las ao âmbito escolar (FONSECA, 2017). Assim, a aprendizagem é compreendida não apenas como um processo cognitivo individual, mas como uma ação social e comunicativa, marcada por contextos distintos, memórias e relações sociais (FREIRE, 1967). A pesquisa foi realizada no Programa de Extensão Universidade para a Terceira Idade da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Esse programa é composto por mulheres e homens com idade igual ou superior a 60 anos, que se reúnem todas as terças-feiras para participarem de palestras, desenvolverem atividades de diferentes naturezas e para organizarem as festividades e as ações do grupo. Para trabalhar com esse público, propomos que o grupo desenvolvesse uma pesquisa de opinião utilizando a metodologia proposta pelo Programa Nepso. O Programa tem como objetivo disseminar a pesquisa de opinião como uma potente ferramenta pedagógica para ser desenvolvida na Educação Básica, no Ensino Superior e em instituições educativas que, não necessariamente, estejam voltadas para a escola. Nessa proposta de investigação, utilizamos a observação participação para compreender como as pessoas idosas protagonizavam práticas matemáticas enquanto desenvolviam a metodologia. Para isso, utilizamos apontamentos em diário de campo e gravações em áudio que nos ajudaram a construir o corpus de análise que, posteriormente, foi submetido à análise do discurso. Na metodologia Nepso, as pessoas precisam, inicialmente, escolher um tema que as interesse. Em seguida, devem estudar sobre o tema, definir a população e a amostra que será investigada. Na sequência, elaboram um questionário para aplicá-lo. Por fim, elas tabulam os dados produzidos e os analisam. O grupo de pessoas idosas escolheu como tema para a pesquisa de opinião: “A saúde pública para a pessoa idosa no município de São João del-Rei”. Durante todas as atividades destacamos uma participação ativa das mulheres mobilizando saberes cotidianos, memórias e vivências pessoais de desigualdades, de direitos e de lutas. Neste resumo, trouxemos um recorte da pesquisa que mostra as discussões que se desenvolveram durante a escolha do tema. Todas as pessoas foram divididas em pequenos grupos, com cinco a seis integrantes, para escolherem um tema que lhes interessavam saber mais a partir da opinião de outras pessoas. Dentro de cada grupo, as pessoas conversaram sobre diferentes temas. Um dos grupos discutiu sobre os estereótipos relacionados ao envelhecimento, questionando as representações sociais da velhice. Uma das participantes do grupo comentou: “Quem disse que nós, idosos, não podemos tomar uma cerveja ou um vinho num sábado à noite?” Esse posicionamento revela o desejo das pessoas idosas, especialmente, o desejo das mulheres idosas de romperem com as interdições simbólicas, as quais foram e ainda são submetidas, e de reivindicarem certa autonomia sobre o próprio tempo e lazer, sobre os prazeres e desejos. Nessa perspectiva, identificamos que esse público mobiliza a categoria etária como uma prática matemática que articula possibilidades e impedimentos, definem deveres e direitos. Essas discussões demonstraram que as práticas de numeramento mobilizadas pelas pessoas idosas não se restringem a apenas informações numéricas que se remetam ao que conhecemos como matemática escolar. Essas práticas envolvem a leitura e a interpretação crítica de situações sociais, uma argumentação baseada em referências temporais e quantitativas e uma construção de significados a partir de contextos sociais distintos. Ao relacionarem tempo, idade e experiências vividas, as mulheres idosas se reafirma como sujeitos de conhecimento, dotadas de repertórios próprios e de capacidade reflexiva sobre a própria realidade (GROSSI; FONSECA, 2023). Conclui-se, portanto, que o posicionamento da mulher idosa mencionado neste texto (e o de tantas outras) também evidencia a participação e o empoderamento na velhice, especialmente, das mulheres, em que elas não apenas compartilham suas vivências, mas também se reconhecem como sujeitos políticos e produtoras de conhecimento. Nesta investigação, a metodologia NEPSO mostrou-se, particularmente, como uma ferramenta capaz de favorecer a participação social das pessoas idosas, o fortalecimento da cidadania e a desconstrução de estereótipos relacionados à gênero e à questão geracional, contribuindo, assim, para um envelhecimento mais digno e ativo. REFERÊNCIAS FONSECA, M. C. F. R. Práticas de numeramento na EJA. In: CATELLI JUNIOR, R. (Org.). Formação e prática na educação de jovens e adultos. São Paulo: Ação Educativa, 2017, p. 105-115. FREIRE, P. Educação como prática da Liberdade. 1 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967. GROSSI, F. C. D. P.; FONSECA, M. C. F. R. “Da cerveja, cês não quer tirar a validade, não?”: mulheres idosas alfabetizandas na EJA apropriando-se de práticas matemática hegemônicas. Educação Matemática Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 4, p. 390-412, 2023b. Disponível em: http://dx.doi.org/10.23925/1983-3156.2023v25i4p390-412. SILVA, G. H. G.; JULIO, R. S. (Orgs.). Educação Matemática para e com idosos: práticas pedagógicas e pesquisas emergentes. São Paulo: Editora Dialética, 2023. SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PIRES, Larissa Aparecida Resende; GROSSI, Flávia. RELAÇÕES DE GÊNERO NA VELHICE: MULHERES IDOSAS PROTAGONIZANDO PRÁTICAS DE NUMERAMENTO ENQUANTO DESENVOLVEM UMA PESQUISA DE OPINIÃO.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398893-RELACOES-DE-GENERO-NA-VELHICE--MULHERES-IDOSAS-PROTAGONIZANDO-PRATICAS-DE-NUMERAMENTO-ENQUANTO-DESENVOLVEM-UMA-P. Acesso em: 29/06/2026

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