GÊNERO, INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: UM ESTUDO SOBRE A APROPRIAÇÃO DAS PRÁTICAS DE NUMERAMENTO NO CONTEXTO DO EMPODERAMENTO FEMININO NA TECNOLOGIA

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

DOI
10.29327/anaisegsem.1398806  
Título do Trabalho
GÊNERO, INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: UM ESTUDO SOBRE A APROPRIAÇÃO DAS PRÁTICAS DE NUMERAMENTO NO CONTEXTO DO EMPODERAMENTO FEMININO NA TECNOLOGIA
Autores
  • Jéssica Rodrigues
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398806-genero-interseccionalidades-e-educacao-matematica--um-estudo-sobre-a-apropriacao-das-praticas-de-numeramento-no
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Constituição de Sujeitos Sociais, Relações de Gênero e suas Interseccionalidades, Empoderamento Feminino, Apropriação de Práticas de Numeramento
Resumo
Este trabalho apresenta uma reflexão teórica e metodológica de uma pesquisa de doutorado em andamento, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGE/FaE/UFMG), na linha de Educação Matemática. A investigação parte da constatação da persistente desigualdade de gênero no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), apesar de representarem 51,5% da população brasileira, as mulheres ocupam apenas 39% dos empregos na área (Brasscom, 2024). Essa disparidade é frequentemente atribuída à falta de estímulo ou as "interdições" que dificultam o acesso feminino a este campo, desde a infância até a idade adulta. Tais assimetrias são produto de uma sociedade marcada historicamente pelo “aprisionamento das mulheres à sua conformação física” (Souza; Fonseca, 2010, p. 22). Articulando-se diretamente ao tema central do evento, "Interseccionalidades em pauta", esta pesquisa reconhece que o "gênero" não opera isoladamente. As desigualdades são atravessadas por diferentes marcadores sociais – de etnia, de raça, de classe, de territórios, de geração, de religiosidade, de profissão, entre outros –, presentes em diversas instâncias que ultrapassam o espaço escolar e naturalizam as funções a serem desempenhadas e os deveres atribuídos a mulheres e homens na sociedade ocidental (Souza; Fonseca, 2010). Nesse contexto, o estudo volta-se para protagonistas historicamente marginalizadas no campo das Ciências Exatas: meninas estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental que vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A pesquisa é desenvolvida no contexto da Organização Não Governamental (ONG) Código X, um projeto social em Ouro Preto (MG) focado no empoderamento feminino, onde atuo como mentora voluntária desde 2024. O projeto visa transformar a realidade de meninas dos anos finais do Ensino Fundamental em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O propósito da ONG é ampliar o acesso dessas estudantes ao campo da tecnologia, desenvolver suas habilidades na área e fomentar um ambiente mais inclusivo em um setor historicamente marcado pelo domínio masculino. O objetivo geral da investigação é compreender como as meninas participantes da ONG Código X se apropriam de práticas matemáticas — aqui entendidas como práticas sociais e discursivas, e por isso denominadas "práticas de numeramento" — e como, nesse processo, elas se constituem como sujeitos sociais. A pesquisa busca analisar especificamente os modos como essas meninas interpretam, ressignificam, negociam, incorporam e resistem às normas e expectativas de gênero nos contextos da tecnologia e da educação matemática. Para tal, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada na etnografia como lógica de investigação. O material empírico, atualmente em produção, está sendo produzido por meio de observação participante, com gravações em áudio e vídeo e notas em um diário de campo, durante as atividades da "Jornada Código X" — um percurso formativo que inclui uma "Maratona Tech", “Pré Trilha” e a "Trilha Online" com aulas sobre pensamento computacional, tecnologia social, algoritmos e desenvolvimento de aplicativos. Para realizar a análise do material empírico, compreendemos a categoria de "gênero" não como uma realidade biológica, mas como uma construção social, conforme defendido por Souza e Fonseca (2009). Nessa perspectiva, as "práticas de numeramento" são vistas como fenômenos socioculturais que ocorrem em espaços "generificados". A "apropriação" dessas práticas, baseada em Smolka (2000), é entendida como o papel ativo das meninas em "tornar seu" esse conhecimento, o que nem sempre significa "tornar adequado" às expectativas sociais, abrindo espaço para a contestação e para a resistência. Alinhado a isso, a "constituição de sujeitos sociais" e o "empoderamento" são compreendidos, neste estudo, sob uma perspectiva Freiriana, como um processo de conscientização e transformação das relações de dominação. Assim, para a análise dos dados produzidos, será utilizada a análise social do discurso (Fairclough). O objetivo é identificar como os marcadores sociais atravessam os discursos das meninas e quais posições discursivas elas assumem. A investigação propõe-se a analisar as interações discursivas das participantes da ONG Código X como instâncias nas quais elas confrontam, narram e interpretam o mundo. Por ser uma pesquisa em andamento, não são apresentados resultados conclusos, mas sim reflexões sobre a intenção do estudo. O reconhecimento do direito das meninas à participação em atividades de tecnologia e educação matemática reforça a necessidade de estudos que as compreendam como sujeitos sociais – de conhecimentos e aprendizagens, de vivências e culturas, de direitos e expectativas, de saberes e práticas, de sonhos e realizações, de lutas e conquistas, de vozes e silenciamentos, de esperanças e transformações. Investigar a vivência escolar e social dessas meninas, tomando como referência os processos de apropriação das práticas de numeramento, pode trazer contribuições relevantes tanto para o campo da Educação Matemática quanto para estudos sobre empoderamento feminino, tecnologia e educação em contextos de vulnerabilidade social.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

RODRIGUES, Jéssica. GÊNERO, INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: UM ESTUDO SOBRE A APROPRIAÇÃO DAS PRÁTICAS DE NUMERAMENTO NO CONTEXTO DO EMPODERAMENTO FEMININO NA TECNOLOGIA.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398806-GENERO-INTERSECCIONALIDADES-E-EDUCACAO-MATEMATICA--UM-ESTUDO-SOBRE-A-APROPRIACAO-DAS-PRATICAS-DE-NUMERAMENTO-NO. Acesso em: 29/06/2026

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