A GENERIFICAÇÃO DO CUIDADO EM CENA: EXPERIÊNCIAS DE UM ESTÁGIO À LUZ DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
A GENERIFICAÇÃO DO CUIDADO EM CENA: EXPERIÊNCIAS DE UM ESTÁGIO À LUZ DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA
Autores
  • Glauber Carvalho da Silva
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398653-a-generificacao-do-cuidado-em-cena--experiencias-de-um-estagio-a-luz-da-educacao-matematica-critica
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Gênero, Cuidado, Educação Matemática Crítica
Resumo
Este texto apresenta uma experiência de estágio vinculado à disciplina EDM0427 – Metodologia do Ensino de Matemática I ministrada por Raquel Milani na Universidade de São Paulo para discentes da Licenciatura em Matemática. O estágio foi realizado com uma turma do segundo ano do Curso Técnico em Serviços Sociais integrado ao Ensino Médio em aulas de Estatística na ETEC CEPAM, São Paulo, sob a supervisão do professor Pedro Henrique Barcarolo, responsável pela disciplina. É salutar mencionar que as atividades foram planejadas e executadas junto com Maíra Heloísa Silva Oliveira. Ademais, a partir de notícias na mídia, recolhemos uma sentença sobre o uso da Matemática para falar de uma realidade social: a generificação do trabalho de cuidado. Assim, planejamos um conjunto de seis aulas com os objetivos de questionar a ideia de neutralidade na Matemática, pensar sobre o lugar do cuidado na rotina das pessoas e refletir criticamente acerca dos papéis de gênero socialmente construídos, bem como os seus desdobramentos na vida cotidiana. Nossa proposta era construir um cenário de investigação com referência à realidade e nos ampararmos na Educação Matemática Crítica para que es estudantes refletissem criticamente sobre os agenciamentos políticos da matemática. Para alcançar o desejado, inicialmente fizemos a leitura da notícia selecionada com a turma do estágio e realizamos uma discussão para a seguinte questão: “Quem vocês acham que é responsável pela maior parte do trabalho de cuidado, homens ou mulheres? E por que isso acontece?”. Dessa forma, pudemos notar as concepções discentes sobre a temática em tela e propomos um trabalho a ser desenvolvido: uma pesquisa em grupo (de quatro a cinco integrantes), na qual a questão-mote foi a discutida em sala e as hipóteses deveriam ser levantadas por quem compõe o grupo. Solicitamos que cada estudante entrevistasse duas mulheres e dois homens, para que o grupo escrevesse um relatório com uma análise qualitativa e quantitativa (utilizando os conceitos de média, moda, mediana, gráficos e tabelas aprendidos nas aulas passadas) e apresentasse, em formato livre, os resultados obtidos. O diálogo estabelecido desde o primeiro contato com es estudantes foi essencial para o desenvolvimento das aulas. O exercício da escuta ativa, para compreender quais os significados atribuídos ao cuidado, sob a lente des alunes, possibilitou-nos planejar a regência a partir das necessidades práticas e teóricas demonstrada pela turma. Sendo assim, com o decorrer das aulas, apresentamos uma discussão teórica sobre o trabalho de cuidado, segundo uma perspectiva antropológica; comentamos como deveriam ser realizadas as entrevistas; ajudamos os grupos a elaborarem o roteiro de entrevistas e, posteriormente, fazerem as análises das respostas obtidas. Vale comentar que, para exemplificar o que desejávamos com essa proposta de trabalho, realizamos a pesquisa e apresentamos no formato de seminário os resultados que obtivemos, mostrando também outras possibilidades/formatos de apresentação como poesias e músicas. Pudemos notar que desde o início a turma se engajou na discussão, mostrando uma sensibilização acerca das questões de gênero e o trabalho de cuidado, uma vez que elas fazem parte do seu dia a dia ou de pessoas próximas. Todos os grupos partiram da mesma hipótese: mulheres exercem mais o trabalho de cuidado. Além de buscar compreender o porquê desse fato, um dos grupos elaborou questões para pensar em soluções para a desvalorização desse trabalho, quando exercido cotidianamente. Após as apresentações realizadas pelos grupos, é notável que estabelecer esse cenário para investigação durante as aulas contribuiu para que es alunes desenvolvessem um olhar crítico sobre a generificação do cuidado e os usos da Matemática e Estatística, de modo a notá-los como dotados de uma política. Por conseguinte, se percebe que o desenvolvimento desse estágio geriu na turma um olhar atento para o papel sociopolítico da Matemática e a possibilidade de leitura de mundo a partir dos saberes matemáticos construídos. Uma análise das respostas obtidas com as questões obrigatórias no relatório, bem como as apresentações realizadas, revelam que es estudantes se sensibilizaram às questões de gênero, questionaram os papéis socialmente impostos às categorias mulher e homem, notaram que sistemas de opressão operam marcando de modo desigual a trajetória das pessoas, trazendo a reflexão sobre como outros marcadores sociais da diferença como classe e raça se intersectam com gênero, a fim de compreenderem as particularidades do cuidado.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Glauber Carvalho da. A GENERIFICAÇÃO DO CUIDADO EM CENA: EXPERIÊNCIAS DE UM ESTÁGIO À LUZ DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA CRÍTICA.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398653-A-GENERIFICACAO-DO-CUIDADO-EM-CENA--EXPERIENCIAS-DE-UM-ESTAGIO-A-LUZ-DA-EDUCACAO-MATEMATICA-CRITICA. Acesso em: 29/06/2026

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