REFLEXÕES SOBRE ACOLHIMENTO, DIVERSIDADE E FORMAÇÃO HUMANA NO ENSINO MÉDIO A PARTIR DA VIVÊNCIA DE UMA ALUNA TRANS.

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
REFLEXÕES SOBRE ACOLHIMENTO, DIVERSIDADE E FORMAÇÃO HUMANA NO ENSINO MÉDIO A PARTIR DA VIVÊNCIA DE UMA ALUNA TRANS.
Autores
  • Évelyn Chiaveli
  • Fernando Luís Pereira Fernandes
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398631-reflexoes-sobre-acolhimento-diversidade-e-formacao-humana-no-ensino-medio-a-partir-da-vivencia-de-uma-aluna-tra
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Acolhimento, Diversidade, Educação, Trans, Interseccionalidade.
Resumo
O presente trabalho, no formato de relato de experiência, busca refletir sobre o papel da escola como espaço de acolhimento, respeito à diversidade e formação cidadã, tendo como base a vivência de uma aluna trans do terceiro ano do Ensino Médio de uma escola estadual no município de Uberaba, estado de Minas Gerais. O relato aqui apresentado nasce da prática cotidiana de uma instituição que reconhece a importância da escuta, da empatia e da valorização das identidades como elementos constitutivos do processo educativo, em uma sociedade ainda marcada por desigualdades e preconceitos. A experiência é orientada por uma perspectiva interseccional (Collins, 2019; Crenshaw, 2002), entendendo que gênero, sexualidade, classe e raça são dimensões que se cruzam e produzem diferentes experiências de ser e aprender. A escola em questão tem se consolidado como um espaço democrático e plural, comprometido com a defesa da liberdade de ser e com a promoção de uma educação humanizadora. Em suas práticas cotidianas, busca-se reafirmar o princípio de que as/os/es estudantes devem ter liberdade para expressar suas identidades e vivências, encontrando na escola um lugar de escuta, diálogo e reconhecimento. Essa postura institucional tem sido essencial para o fortalecimento da autoestima e da trajetória escolar de estudantes LGBTQIAPN+, especialmente de pessoas trans, que historicamente enfrentam exclusão e evasão no sistema educacional (Junqueira, 2009, Esquincalha, 2022). A aluna em questão deixa claro que, ao longo do processo educativo, os estudos e atividades desenvolvidas na escola por alguns professores contribuíram significativamente para o engrandecimento pessoal e coletivo, promovendo reflexões sobre respeito, diversidade e cidadania. As discussões sobre gênero e sexualidade têm sido incorporadas de forma transversal ao currículo por meio de metodologias que favorecem a interdisciplinaridade e o pensamento crítico (Skovsmose, 2000). É necessário romper com a ideia de neutralidade científica e reconhecer o valor das experiências de vida das/ dos/ des estudantes como fonte legítima de saber. O diálogo entre a teoria acadêmica e a prática cotidiana tem ampliado o entendimento de que a escola é um território de produção de conhecimento plural. Nesse contexto, o relato da aluna trans, cuja trajetória é um movimento de resistência e transformação, constitui o eixo central deste trabalho. Sua vivência expressa a potência da escola pública como espaço de acolhimento, solidariedade e emancipação. A seguir, apresenta-se alguns recortes do relato da estudante, que descreve suas percepções sobre o ambiente escolar, as relações de amizade e respeito, e os desafios e conquistas vividos ao longo de sua trajetória no Ensino Médio: “Olá, meu nome é Duda, sou uma garota trans e vou contar um pouquinho sobre a minha vida e experiência sendo uma garota trans dentro de uma escola. Eu sempre gostei de coisas que a sociedade julga como “coisas de mulher”. Na escola muitos meninos me zombavam por eu brincar de boneca, ficar só no grupinho das meninas e não jogar futebol, mas nunca tive um apoio sobre isso.” A experiência de Duda mostra como os preconceitos e estereótipos de gênero ainda estão presentes no nosso dia a dia, especialmente quando alguém não se encaixa nas expectativas que a sociedade impõe sobre o que “meninos” e “meninas” devem gostar ou fazer. É importante a reflexão sobre o respeito, a empatia e o acolhimento, a escola deve ser um espaço seguro, onde a diversidade seja valorizada. “No segundo ano do ensino médio comecei o ano com o pé direito, me sentia mais feminina, as pessoas já me tratavam como uma menina e eu tive muito apoio da direção da escola, todos me apoiaram demais, claro que ainda tinha olhares e piadas de mau gosto, mas eu já não ligava mais. Agora no terceiro ano do ensino médio, prestes a sair da escola e ingressar na vida adulta, tive uma grande reflexão sobre minha jornada, e graças a minha professora de finanças (que eu amo demais) eu me fiz a seguinte pergunta, o que é ser mulher? Ser mulher vai muito além de um órgão ou a capacidade de engravidar, ser mulher é mágico, é aprender que não precisamos nos sentir oprimidas por alguém, é lutar por direitos, é ajudar o próximo, é chorar, é sorrir, e mesmo nos dias difíceis saber que pode contar com a sororidade e pra mim, ser mulher é viver, e mais do que tudo ser mulher é lutar. ” Como afirmam Collins (2019) e hooks (2019), o conhecimento e o afeto são dimensões indissociáveis da prática educativa. A escola que acolhe e valoriza a diferença não apenas ensina conteúdos, mas forma sujeitos críticos e conscientes de seu lugar no mundo. Nesse sentido, as práticas de inclusão e as discussões sobre gênero e sexualidade se configuram como verdadeiras ações extensionistas dentro da educação básica, ao conectar o saber escolar às realidades sociais e às lutas por equidade e respeito. Conclui-se que o presente relato a experiência relatada reafirma a importância de promover um currículo interseccional, que reconheça e valorize as múltiplas identidades presentes no espaço escolar. A trajetória da aluna trans e o compromisso da escola com o acolhimento e a liberdade de ser demonstram que a educação é, antes de tudo, um ato de cuidado e transformação. Nesse sentido, formar em Ciências e Matemática não se limita à transmissão de conteúdos, mas à construção de sujeitos, críticos e sensíveis às complexidades do mundo contemporâneo. Referências COLLINS, Patricia Hill. Bem mais que ideias: a interseccionalidade como teoria social crítica. Tradução de Regiane Augusto de Mattos. São Paulo: Boitempo, 2019. CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o Encontro de Especialistas em Aspectos da Discriminação Racial Relativos ao Gênero. Revista Estudos Feministas, v. 10, n. 1, p. 171–188, 2002. ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição. Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. 2022. hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2019. JUNQUEIRA, Rogério Diniz. Diversidade sexual na educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília: MEC/UNESCO, 2009. SKOVSMOSE, Ole. Educação matemática crítica: a questão da democracia. Campinas: Papirus, 2000.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CHIAVELI, Évelyn; FERNANDES, Fernando Luís Pereira. REFLEXÕES SOBRE ACOLHIMENTO, DIVERSIDADE E FORMAÇÃO HUMANA NO ENSINO MÉDIO A PARTIR DA VIVÊNCIA DE UMA ALUNA TRANS... In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398631-REFLEXOES-SOBRE-ACOLHIMENTO-DIVERSIDADE-E-FORMACAO-HUMANA-NO-ENSINO-MEDIO-A-PARTIR-DA-VIVENCIA-DE-UMA-ALUNA-TRA. Acesso em: 29/06/2026

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