IDENTIDADES LÉSBICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE DE EDUCADORAS MATEMÁTICAS: TRAJETÓRIAS DE RESISTÊNCIAS E POTÊNCIAS

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
IDENTIDADES LÉSBICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE DE EDUCADORAS MATEMÁTICAS: TRAJETÓRIAS DE RESISTÊNCIAS E POTÊNCIAS
Autores
  • Luana Giacomini Barbosa
  • Júlio César Augusto do Valle
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398614-identidades-lesbicas-na-formacao-docente-de-educadoras-matematicas--trajetorias-de-resistencias-e-potencias
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Lésbicas, Formação Docente, Educação Matemática
Resumo
Este trabalho apresenta uma pesquisa em andamento vinculada ao Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Autorias Docentes e Currículos (GEPAC), intitulada “Identidades lésbicas na formação docente de educadoras Matemáticas: trajetórias de resistências e potências”, orientada pelo Prof. Dr. Júlio César Augusto do Valle. A investigação nasce do desejo de desinvisibilizar as experiências, os atravessamentos e as potências de professoras-pesquisadoras lésbicas que atuam ou se formam na área de Educação Matemática, compreendendo como suas identidades interpelam suas trajetórias formativas, afetivas e profissionais. A proposta emerge da constatação de que a Matemática, historicamente associada à racionalidade, à objetividade e à neutralidade, tem se constituído como um campo cisheteronormativo e excludente, no qual certas existências, especialmente lésbicas, permanecem silenciadas ou tornadas invisíveis. Enquanto mulher lésbica e membra da comunidade Matematiqueer, bem como integrante da sua Comissão de Divulgação, parto também de um lugar de implicação e pertencimento, compreendendo a investigação como um movimento ético-político de resistência, de autorreconhecimento e de reafirmação de si e das outras. A pesquisa assume, portanto, um compromisso com a produção de conhecimento situada, engajada e afetiva — uma produção que se insere nas epistemologias feministas, queer e decoloniais e que entende a Educação Matemática como um território de disputas simbólicas e políticas. O projeto se ancora na perspectiva teórica da Educação Matemática Crítica (SKOVSMOSE, 2000a; 2000b), articulada a autores e autoras que tensionam as relações entre gênero, sexualidade e formação docente (BUTLER, 1990; LOURO, 2008; MEYER, 2014; FONSECA; SOUZA, 2010; ESQUINCALHA, 2022). Inspirada também pelas reflexões de Freire (1987), a pesquisa reconhece o diálogo e a escuta sensível como práticas emancipadoras e políticas. A noção de interpelação (ALTHUSSER, 1985) é mobilizada para compreender de que modo os discursos e normas que regulam a docência em Matemática produzem sujeitos e subjetividades, mas também como esses sujeitos resistem e se (re)constroem nas frestas desse sistema. A proposta metodológica insere-se na tradição qualitativa e narrativa, buscando compreender as experiências vividas por meio da escuta e análise de narrativas de professoras-pesquisadoras lésbicas vinculadas ao GEPAC. As participantes comporão um grupo focal, espaço pensado como um dispositivo de partilha e reflexão coletiva, em que o diálogo entre as mulheres convocará memórias, sentidos e afetos em torno de suas trajetórias. Pretende-se investigar quais atravessamentos as identidades lésbicas produzem na formação e atuação docente, quais potências e desafios emergem dessa vivência e como o reconhecimento entre pares pode se constituir como um gesto político de afirmação e pertencimento. A escolha pelo grupo focal busca justamente criar um espaço de troca, cuidado e construção conjunta, no qual as participantes possam se reconhecer nas experiências das outras, desafiando a lógica da solidão e do silenciamento que frequentemente marca as trajetórias de lésbicas na academia e na educação básica. A análise das narrativas seguirá a abordagem temática (FONSECA et al., 2022), identificando padrões, tensões e movimentos de resistência presentes nas falas, a partir de uma leitura interseccional que articula gênero, sexualidade e pertencimento institucional e social. O projeto inscreve-se em um movimento mais amplo de desinvisibilização de corpos, vozes e epistemologias dissidentes na Educação Matemática (VALLE; BUENO, 2024). Ao reunir e articular as vozes das participantes do grupo focal, a pesquisa pretende produzir um artigo acadêmico voltado ao ensino de Matemática sob uma perspectiva inclusiva, no qual as experiências e reflexões das professoras-pesquisadoras lésbicas sejam tomadas como autoridades epistemológicas. Tal produção visa tensionar os modos de conceber quem ensina e quem produz conhecimento matemático, valorizando saberes que historicamente foram marginalizados. Mais do que investigar, a proposta deseja criar condições de reconhecimento e legitimidade para essas mulheres, impulsionando processos de autoconhecimento e reafirmação identitária. Pergunta-se, portanto: o que significa ser uma mulher lésbica professora de Matemática em um campo marcado pela neutralidade e pela lógica da universalidade? Quais são os limites e obstáculos enfrentados, e como se transformam em estratégias de resistência e potência? Como as vivências e afetos lésbicos podem reconfigurar a docência, inspirando práticas pedagógicas mais sensíveis à diversidade e às experiências humanas? A pesquisa reconhece que falar sobre lesbianidade na Educação Matemática é também reivindicar o direito de existir em espaços de saber que insistem em nos tornar invisíveis. É afirmar que o ensino e a formação docente não se fazem apenas de conteúdos e técnicas, mas de corpos, mentes, histórias e afetos que ensinam e aprendem. Ao valorizar as narrativas dessas educadoras, a investigação almeja colaborar com a construção de currículos mais plurais e descolonizados, que não apenas tolerem, mas celebrem a diferença. Espera-se que o estudo contribua para ampliar os debates sobre gênero e sexualidade na Educação Matemática, incentivando a produção de práticas pedagógicas críticas, antidiscriminatórias e libertadoras. Pretende-se, também, inspirar outras pesquisadoras e educadoras lésbicas a se reconhecerem como sujeitas de conhecimento, rompendo com o apagamento histórico que marca suas presenças e ausências. Ao se inserir no contexto da 2ª Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática (E²GSEM), este trabalho se soma ao esforço coletivo de construir uma Matemática mais humana, política e diversa, que reconheça a força transformadora das existências lésbicas e de todas as identidades dissidentes que a compõem.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BARBOSA, Luana Giacomini; VALLE, Júlio César Augusto do. IDENTIDADES LÉSBICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE DE EDUCADORAS MATEMÁTICAS: TRAJETÓRIAS DE RESISTÊNCIAS E POTÊNCIAS.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398614-IDENTIDADES-LESBICAS-NA-FORMACAO-DOCENTE-DE-EDUCADORAS-MATEMATICAS--TRAJETORIAS-DE-RESISTENCIAS-E-POTENCIAS. Acesso em: 29/06/2026

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