GÊNERO, INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: UMA LEITURA CRÍTICA DE DOCUMENTOS INSTITUCIONAIS NO TOCANTINS

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
GÊNERO, INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: UMA LEITURA CRÍTICA DE DOCUMENTOS INSTITUCIONAIS NO TOCANTINS
Autores
  • Chaiany Reges Da Silva Gonçalves
  • Alana Moreira Dias
  • Mônica Suelen Ferreira de Moraes
  • Nilcelio Sacramento de Sousa
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398565-genero-interseccionalidades-e-educacao-matematica--uma-leitura-critica-de-documentos-institucionais-no-tocantin
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Educação Matemática, Gênero, Interseccionalidades, Formação Docente
Resumo
Historicamente, a presença feminina nas ciências exatas, em especial na Matemática, tem sido marcada por processos de exclusão e invisibilização. A construção social que associa racionalidade e lógica a características masculinas produziu estereótipos que afastam as mulheres dessas áreas, restringindo suas trajetórias educacionais e profissionais (Louro, 1997). Essa desigualdade revela que a ciência, longe de ser neutra, está atravessada por relações de poder que legitimam determinadas pessoas como produtores/as de conhecimento e marginalizam outras (Foucault, 2005). No contexto escolar, como aponta Louro (2019), a escola atua como espaço de produção e validação de discursos de gênero, influenciando a autopercepção e as possibilidades de escolha de meninas e mulheres nas disciplinas distas exatas. Rangel, Oliveira e Coutinho (2014) ressaltam que, embora atividades cotidianas desempenhadas por mulheres envolvam raciocínios e estratégias matemáticas complexas, esses saberes raramente são reconhecidos como legítimos, perpetuando hierarquias simbólicas entre conhecimentos formais e informais. Essa perspectiva dialoga com a crítica feminista à ciência, que, conforme Sardenberg (2007), reivindica a valorização de diferentes formas de produzir conhecimento e a construção de uma ciência orientada pela justiça social e pela pluralidade epistemológica. Com base nesse referencial, este trabalho [1] — em andamento — dá continuidade a um levantamento bibliográfico, ampliando-o por meio de uma análise documental que busca compreender como as questões de gênero, sexualidade e diversidade aparecem em documentos institucionais da de universidades e escolas do Tocantins. A análise abrange os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de instituições de ensino superior que ofertam o curso de Matemática do estado do Tocantins e os Projetos Político-Pedagógicos (PPPs) de escolas estaduais dos municípios de Arraias e Combinado (TO), buscando identificar as diretrizes e legislações que orientam a promoção da equidade de gênero nesses contextos. A pesquisa ancora-se nos Estudos de Gênero e na crítica feminista à produção científica, reconhecendo, a partir das contribuições de autoras como Louro (1997, 2019), dos estudos foucaultianos sobre poder e saber (Foucault, 2005) e das reflexões de Sardenberg (2007) acerca das relações de gênero e conhecimento, que o currículo pode ser compreendido como uma construção social atravessada por relações de poder. Com base nas ideias desenvolvidas por Souza e Silva (2017), Silva (2022) e Macedo (2006), a análise dos documentos institucionais nesta pesquisa se fundamenta na compreensão do currículo como um campo discursivo e político, atravessado por relações de saber e poder que produzem pessoas e identidades. Inspirados nas teorizações foucaultianas e na crítica pós-crítica do currículo, consideramos que os PPCs e os PPPs não são apenas prescrições formais, mas arenas de produção cultural (Macedo, 2006), nas quais se articulam discursos normativos sobre gênero, sexualidade e diversidade. Nesse sentido, o exame dos textos curriculares busca evidenciar as marcas de gênero e os regimes de verdade que operam na Educação Matemática, problematizando os modos pelos quais o conhecimento matemático e as práticas educativas se alinham, ou resistem, às racionalidades neoliberais e heteronormativas (Silva, 2022). Nessa perspectiva, o ensino da Matemática não é neutro, mas reflete disputas simbólicas que definem quem é reconhecido como sujeito/a do saber. Esperamos que a investigação contribua para evidenciar as lacunas e potencialidades presentes nas políticas institucionais e nas práticas formativas, apontando caminhos para uma Educação Matemática mais crítica, interseccional e comprometida com a justiça social e cognitiva. [1] Este trabalho está associado ao projeto “Meninas e Mulheres na Docência em Matemática no Tocantins: Ingresso, Formação, Permanência e Ascensão”, financiado pelo CNPq (Chamada nº 31/2023). Referências FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005. 236 p. LOURO, Guacira. Gênero, sexualidade e educação. Petrópolis: Vozes, 1997. LOURO, Guacira. Pedagogias da sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes. (Org.). O corpo educado: Pedagogias da sexualidade. 4 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019, p. 4-24. MACEDO, E. 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Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GONÇALVES, Chaiany Reges Da Silva et al.. GÊNERO, INTERSECCIONALIDADES E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: UMA LEITURA CRÍTICA DE DOCUMENTOS INSTITUCIONAIS NO TOCANTINS.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398565-GENERO-INTERSECCIONALIDADES-E-EDUCACAO-MATEMATICA--UMA-LEITURA-CRITICA-DE-DOCUMENTOS-INSTITUCIONAIS-NO-TOCANTIN. Acesso em: 29/06/2026

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