“É CLOSE ERRADO”: COMO A PAUTA ANTITRANS AMEAÇA A PROMOÇÃO DA EQUIDADE E O ENSINO NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA.

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
“É CLOSE ERRADO”: COMO A PAUTA ANTITRANS AMEAÇA A PROMOÇÃO DA EQUIDADE E O ENSINO NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA.
Autores
  • Bruna Dayana Lemos Pinto Ramos
  • Erikah Pinto Souza
  • Jéssica Maria Oliveira de Luna
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398521-e-close-errado--como-a-pauta-antitrans-ameaca-a-promocao-da-equidade-e-o-ensino-na-educacao-matematica
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Transfeminismo, Educação Matemática Crítica, Equidade de Gênero
Resumo
O Brasil, apesar de avanços legais e sociais, enfrenta um cenário de intensa hostilidade contra a população de travestis e transexuais. A violência, que atinge seu ápice nos alarmantes índices de assassinatos, é sustentada por um discurso político e social que visa deslegitimar as identidades de gênero e restringir direitos fundamentais. O Brasil, pelo 16º ano consecutivo, é o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, segundo dados do dossiê de 2024 da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e tais crimes são marcados por requintes de crueldade. Além disso, tem crescido em diversas partes do mundo, e com particular intensidade no Brasil, mobilizações lideradas por setores neoconservadores que colocam o gênero em uma posição de centralidade em suas pautas. O chamado "discurso antigênero" fundamenta declarações oficiais, medidas institucionais e propostas legislativas que visam combater o que denominam "ideologia de gênero". Este movimento tem um impacto direto na educação, tanto na área da formulação de políticas educacionais – como nos Planos Municipais e Estaduais de Educação, onde menções a gênero e orientação sexual foram alvo de intensas disputas, resultando em vetos, omissões ou inserções que submetem a abordagem desses temas à concordância das famílias – quanto no cotidiano escolar, onde a recusa em reconhecer a identidade de gênero de estudantes trans e travestis cria barreiras significativas para o acesso e, principalmente, para a permanência na escola. A violência institucional se manifesta de várias formas, desde a recusa em usar o nome social até a negação do acesso a banheiros correspondentes à identidade de gênero do estudante. Assim, a ofensiva antitrans emerge nos espaços escolares como um fenômeno particularmente agudo, cujos efeitos não se limitam a componentes curriculares explicitamente envolvidas com questões de identidade, como Sociologia ou História, mas permeiam todo o ambiente escolar, inclusive o ensino de Matemática. O componente curricular de Matemática nas escolas é frequentemente percebido como um domínio neutro, objetivo e universal. Contudo, esta suposta neutralidade é uma construção que historicamente associou a matemática a um ideal de razão masculino, branco e eurocêntrico, marginalizando outros grupos. No cotidiano da sala de aula, tal estrutura excludente se materializa em um currículo cis-heteronormativo, onde os exemplos e problemas retratam invariavelmente uma realidade estritamente binária e heterossexual, apagando a existência de pessoas trans, travestis e outras identidades dissidentes reforçando a invisibilidade e sensação de inadequação. Perante este cenário duplamente excludente propomos neste trabalho – como ferramenta de análise e resistência – uma articulação entre os conceitos de Educação Matemática Crítica baseada nos trabalhos de Ole Skovsmose e o transfeminismo como categoria que possibilita mediar essa situação. Nos perguntamos também, a partir do questionamento levantado por Judith Butler em seu livro “Quem tem medo do gênero?”, quem são os principais atores desses ataques na nossa atualidade e o que podemos fazer enquanto educadoras matemáticas para promover uma educação mais justa e inclusiva para pessoas trans e travestis.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

RAMOS, Bruna Dayana Lemos Pinto; SOUZA, Erikah Pinto; LUNA, Jéssica Maria Oliveira de. “É CLOSE ERRADO”: COMO A PAUTA ANTITRANS AMEAÇA A PROMOÇÃO DA EQUIDADE E O ENSINO NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA... In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398521-E-CLOSE-ERRADO--COMO-A-PAUTA-ANTITRANS-AMEACA-A-PROMOCAO-DA-EQUIDADE-E-O-ENSINO-NA-EDUCACAO-MATEMATICA. Acesso em: 29/06/2026

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