POR QUE REFLETIR SOBRE O DISTANCIAMENTO DO GÊNERO FEMININO NAS CIÊNCIAS DITAS EXATAS EM SALA DE AULA?

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

DOI
10.29327/anaisegsem.1398502  
Título do Trabalho
POR QUE REFLETIR SOBRE O DISTANCIAMENTO DO GÊNERO FEMININO NAS CIÊNCIAS DITAS EXATAS EM SALA DE AULA?
Autores
  • Emilly Camilly de Aguiar Pereira Silva
  • Kaylane de Andrade Silva
  • Adryanne Maria Rodrigues Barreto de Assis
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398502-por-que-refletir-sobre-o-distanciamento-do-genero-feminino-nas-ciencias-ditas-exatas-em-sala-de-aula
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Mulheres na Ciência, Representatividade Feminina, Estereótipos de Gênero
Resumo
Apesar dos avanços nas políticas educacionais, a discussão sobre gênero e sexualidade nas escolas é um tema ainda ausente, sobretudo quando abordamos as construções sociais que atravessam o campo da Educação Matemática. Diante disso, levantamos alguns questionamentos: qual o papel destinado socialmente aos meninos e às meninas? De que forma essas construções interferem e impactam as relações das mulheres com a Matemática? Segundo Souza e Fonseca (2024) essas construções sociais se perpetuam, tomando como justificativa de que é natural das mulheres esse desenvolvimento mais subjetivo. Enquanto isso, seria da natureza masculina a racionalidade. Logo, as ciências ditas exatas, como a Matemática e a Física, dentre outras, neste sentido, são, historicamente, direcionadas aos meninos. Enquanto disciplinas que demandam “maior sensibilidade”, são direcionadas e atribuídas às meninas. Como resultado, esses estereótipos são reproduzidos tanto no ambiente familiar e escolar e na sociedade de um modo geral; logo, tornam-se naturais e reforçam a ideia de que há diferenças entre os gêneros. Por consequência, gera a convicção de que existem papéis que se encaixam melhor em um determinado gênero do que em outro; e que devem ser exercidos dessa forma já “pré-estabelecida” (Louro, 2004). Essas concepções, como afirmado por Souza e Fonseca (2024) são um dos fatores que causam o distanciamento do gênero feminino nas áreas das ciências exatas, aumentando, assim, a desigualdade de gênero. Além desse elemento, como afirmado por Souza e Ávila (2020), há também a ausência de representatividade feminina nas ciências exatas. Nomes de mulheres que tiveram significativa contribuição para essas áreas de conhecimento, como Hipátia de Alexandria, Marie Curie e Katherine Johnson não são tão conhecidos na sociedade, diferentemente de nomes de homens como Pitágoras, Isaac Newton e Albert Einstein. Diante desta realidade, acredita-se que essa diferença na promoção de representações no campo das ciências exatas, como também destacado por Silveira, Ferreira e Souza (2019), automaticamente, influencia na motivação de mulheres e meninas a alcançarem essas áreas, por não se sentirem identificadas nesses ambientes, majoritariamente ocupados e representados por modelos masculinos. Logo, é passível de reflexão a necessidade de se pesquisar sobre esse distanciamento do gênero feminino nas áreas exatas, compreendendo as razões históricas e simbólicas do distanciamento feminino nas ciências exatas, propondo, assim, estratégias pedagógicas que promovam equidade e representatividade, especificamente no campo da Educação Matemática, no intuito de romper com esses paradigmas e promover o pensamento crítico sobre a temática em sala de aula. Diante do exposto, objetiva-se compreender qual a necessidade de se pesquisar sobre o distanciamento e propor estratégias para estimular as meninas/mulheres a embarcarem, principalmente, no campo da Educação Matemática. A pesquisa ampara-se nas ideias de Louro (2004) sobre gênero enquanto uma construção social; além das as principais ideias de Educação Crítica de Ole Skovsmose (2014), que dialoga sobre sua necessidade de diálogo com os problemas sociais; e, por fim, Esquincalha (2024) em seu diálogo e pesquisas sobre feminismo, necessidade de diálogo entre gênero e sexualidade dentro das escolas. Partindo da busca pela resposta da necessidade de se refletir sobre essa temática, os autores supracitados dialogam entre si quando todos eles tocam em um eixo em comum: sociedade. Assim, a partir desses referenciais (Louro, 2004; Skovsmose, 2014; Esquincalha, 2024) é possível compreender que as desigualdades de gênero na Matemática não são naturais, mas social e historicamente construídas, e que o espaço escolar pode tanto reproduzir quanto transformar essas estruturas simbólicas. Dessa forma, partindo do pressuposto que essas delimitações simbólicas - as questões de gênero - são construções sociais, é necessário pensar em reflexões para romper com esses estereótipos; busca-se, então, dialogar sobre uma educação que parte dos problemas sociais, como a reflexão sobre essas construções de gênero. Em suma, o resumo em questão busca promover noções de equidade e levantar a necessidade de discutir sobre essa temática, buscando não normalizar esses estereótipos, enfatizando a necessidade de diálogo da Educação com os problemas sociais, inserindo informações sobre movimentos sociais (como o feminismo) e, ainda, levantando alguns questionamentos sobre as representações sociais, a fim de romper com essas construções simbólicas. Para isso, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e reflexiva, de caráter qualitativo, a partir das leituras críticas das obras de Louro (2004), Skovsmose (2014) e Esquincalha (2024). A análise se concentra na observação e reflexão dos processos históricos e simbólicos que subsidiaram o afastamento das mulheres das Ciências ditas Exatas, além de estratégias pedagógicas para romper com esses estereótipos. Pois o reconhecimento e tensionamento dessa temática (enquanto urgência social), é essencial para a democratização do acesso à Ciência e a legitimidade de acesso das mulheres a esses campos de estudo. REFERÊNCIAS ESQUINCALHA, A. da C. (Org.). Estudos de Gênero: o que a matemática tem a ver com isso? Conversas iniciais com licenciandes e docentes que ensinam matemática na educação básica. Brasília, DF: SBEM Nacional, 2024, 199p. LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petropólis: Vozes, 2004. SILVEIRA, C.; FERREIRA, G.; SOUZA, A. A. A representação feminina nas ciências exatas de uma universidade federal. Revista Feminismos. Salvador, v. 7, n. 3, p. 32-46, set./dez. 2019. Disponível em: https://www.feminismos.neim.ufba.br. Acesso em: 1 nov. 2025. SKOVSMOSE, O. Um convite à educação matemática crítica. Campinas: Papirus, 2014, 141p. SOUZA, L. M de; ÁVILA, M. A. Mulheres na ciência e tecnologia: revisão de literatura. Revista Científica On-line Tecnologia - Gestão - Humanismo, v. 10, n. 1, p. 127-142, 2020. SOUZA, M. C. R. F. de; FONSECA, M de C. F. R. Relações de Gênero, Matemática e Discurso: enunciado sobre mulheres, homens e matemática. 2ed. Belo Horizonte, MG: Autêntica Editora, 2024, 114p.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

SILVA, Emilly Camilly de Aguiar Pereira; SILVA, Kaylane de Andrade; ASSIS, Adryanne Maria Rodrigues Barreto de. POR QUE REFLETIR SOBRE O DISTANCIAMENTO DO GÊNERO FEMININO NAS CIÊNCIAS DITAS EXATAS EM SALA DE AULA?.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398502-POR-QUE-REFLETIR-SOBRE-O-DISTANCIAMENTO-DO-GENERO-FEMININO-NAS-CIENCIAS-DITAS-EXATAS-EM-SALA-DE-AULA. Acesso em: 29/06/2026

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