CORPOS QUE CONTAM E (DES)CONTAM: PERFORMATIVIDADE, CURRÍCULO E GÊNERO NA TESSITURA ENTRE ARTE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
CORPOS QUE CONTAM E (DES)CONTAM: PERFORMATIVIDADE, CURRÍCULO E GÊNERO NA TESSITURA ENTRE ARTE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA
Autores
  • Mateus dos Santos Galucio
  • Ana Clédina Rodrigues Gomes
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398455-corpos-que-contam-e-(des)contam--performatividade-curriculo-e-genero-na-tessitura-entre-arte-e-educacao-matemat
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Educação Matemática; Gênero; Performatividade; Corpos Trans; Currículo.
Resumo
A relação entre gênero, sexualidade e Educação Matemática tem emergido como campo fértil para repensar os modos de ensinar, aprender e produzir saberes. As obras Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática: tensionamentos e possibilidades (Esquincalha, 2022) e Estudos de Gênero: o que matemática tem a ver com isso? (Esquincalha, 2024), revelam que a Matemática, frequentemente percebida como neutra, universal e abstrata, é também um território atravessado por relações de poder, discursos normativos e corpos silenciados. Essa compreensão abre espaço para uma Educação Matemática comprometida com as diferenças e com a pluralidade das existências humanas, em sintonia com perspectivas decoloniais e interseccionais. É nesse horizonte que se insere a pesquisa “Currículo e Performatividade: a diversidade de gênero em corpos trans no Balé Folclórico da Amazônia – BFAM”, que mergulha nas experiências estéticas e educativas de jovens trans, travestis e LGBTQIAPN+ que dançam e se expressam artisticamente no BFAM, grupo que representa o Pará e o Brasil em festivais culturais nacionais e internacionais. O estudo parte de uma vivência pessoal do autor como dançarino parafolclórico na região amazônica, experiência que foi aprofundada e teoricamente enriquecida durante o mestrado, sendo agora continuada no doutoramento. A investigação, de caráter qualitativo e autoetnográfico, com escrita indisciplinada, acompanha os processos de (trans)formação de sujeitos por meio da arte, compreendendo o currículo como uma escritura performática, que se dá nos corpos, nos gestos, nos ritmos e nas expressões que se constroem coletivamente no Distrito de Icoaraci – território de memórias, ancestralidades e resistência amazônica, onde o grupo de dança mantém sua sede e realiza seus ensaios. A partir de uma perspectiva inspirada em Foucault (2009) e Louro (1997, 2008), entende-se que “não há poder sem liberdade e sem potencial de revolta”, e que os corpos dançantes do BFAM produzem um “discurso reverso” (Louro, 2008, p. 41), desafiando o disciplinamento dos corpos e mentes imposto historicamente pela heteronormatividade. Esses corpos em movimento, ao performarem o sagrado, o profano e o popular, inscrevem-se como textos vivos, expressando uma pedagogia da desobediência que, pela arte, desmantela condicionamentos de gênero e sexualidade. Ao aproximar essa discussão da Educação Matemática, abre-se um campo de reflexão sobre o currículo como espaço performativo, onde o conhecimento é produzido também a partir dos corpos e afetos. Tal como os textos de Esquincalha (2022, 2024) apontam, discutir gênero e sexualidades em Matemática é um gesto político que tensiona o ideal de neutralidade e convoca educadoras e educadores a perceberem o ensino como prática cultural e relacional. Assim como no BFAM, onde os corpos dançam a diferença e desafiam a norma, o ensino de Matemática pode tornar-se espaço de insurgência, de produção de subjetividades e de reconhecimento de saberes outros — artísticos, populares, corporais e amazônicos. A pesquisa sobre o BFAM mostra que os corpos trans, ao dançarem, produzem uma escrita que transcende o texto escolar: uma escrita corporal que comunica, ensina e subverte. Esse movimento se aproxima das provocações presentes em Estudos de Gênero: o que Matemática tem a ver com isso?, ao afirmar que as aulas de Matemática também são atravessadas por performances — de gênero, de comportamento, de linguagem, ensinos outros — que precisam ser vistas e problematizadas. O corpo trans no BFAM, tal como descrito por Chaves (2015), é lugar e instrumento de luta política. Ele “[trans]gride, [trans]forma e [trans]figura” (p. 64), atravessando fronteiras simbólicas e epistemológicas. Essa potência pode inspirar práticas educativas que valorizem a multiplicidade dos modos de existir e aprender. Em sala de aula, o gesto matemático — contar, medir, calcular, ordenar — pode ser ressignificado como prática de reconhecimento, não de controle. As intersecções entre esses campos — arte, gênero, corpo e matemática — desafiam a linearidade dos currículos e reivindicam uma aprendizagem que acolha as subjetividades. A vivência particular e coletiva de quem dança e ensina, conforme mostra a pesquisa, estimula a percepção do corpo como espaço de saber e de produção de conhecimento. Essa dimensão sensível e estética, quando trazida para a formação docente e para o ensino da Matemática, permite que o ato pedagógico se transforme em gesto político, afetivo e decolonial. Ao associar os estudos de gênero e sexualidade na Educação Matemática à performatividade dos corpos trans no Balé Folclórico da Amazônia, esta reflexão propõe pensar a docência e o currículo como territórios de criação, resistência e reexistência. Corpos que dançam e corpos que aprendem podem, juntos, reinventar o espaço escolar e o modo como o conhecimento é produzido e partilhado. A Matemática, então, deixa de ser apenas linguagem de exatidão para tornar-se linguagem de expressão — de corpos, afetos, afetações e existências que contam outras histórias e que performam o direito de ser, saber, ensinar, [re]existir. REFERÊNCIAS CHAVES, Silvane Lopes. Sobre corpos insolentes: corpo trans, um ensaio estético da diferença sexual em educação. 2015. 109p. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação. Universidade Federal do Pará. Belém. ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição (Org.). Estudos de gênero e sexualidades em educação matemática: tensionamentos e possibilidades. Brasília, DF: SBEM Nacional, 2022. E-book. ESQUINCALHA, Agnaldo da Conceição; et al. (Orgs.). Estudos de gênero: o que matemática tem a ver com isso? Conversas iniciais com licenciandas e docentes que ensinam matemática na educação básica. Brasília, DF: SBEM Nacional, 2024. E-book. FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1993. FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 32. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2009b. LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 1997. LOURO, Guacira Lopes. Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2000. LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. LOURO, Guacira Lopes. Gênero e sexualidade: pedagogias contemporâneas. Revista Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 32, n. 2, p. 237–254, 2008.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GALUCIO, Mateus dos Santos; GOMES, Ana Clédina Rodrigues. CORPOS QUE CONTAM E (DES)CONTAM: PERFORMATIVIDADE, CURRÍCULO E GÊNERO NA TESSITURA ENTRE ARTE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398455-CORPOS-QUE-CONTAM-E-(DES)CONTAM--PERFORMATIVIDADE-CURRICULO-E-GENERO-NA-TESSITURA-ENTRE-ARTE-E-EDUCACAO-MATEMAT. Acesso em: 29/06/2026

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