UM ESTUDO INTERSECCIONAL DO MACHISMO E DA INTOLERÂNCIA NAS TRAJETÓRIAS DE HIPÁTIA E MARIE CURIE.

Publicado em 27/03/2026 - ISSN: 3086-4682

Título do Trabalho
UM ESTUDO INTERSECCIONAL DO MACHISMO E DA INTOLERÂNCIA NAS TRAJETÓRIAS DE HIPÁTIA E MARIE CURIE.
Autores
  • Liliana Jurado
Modalidade
Resumo - Apresentação de Trabalho
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades e suas Interseccionalidades em Educação Matemática
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398434-um-estudo-interseccional-do-machismo-e-da-intolerancia-nas-trajetorias-de-hipatia-e-marie-curie
ISSN
3086-4682
Palavras-Chave
Interseccionalidade, Machismo Estrutural, Estudos de Gênero, Educação Matemática
Resumo
Este trabalho propõe-se a uma análise comparativa e estruturada das experiências de opressão enfrentadas por duas das figuras intelectuais importantes da história: Hipátia de Alexandria (Matemática e Filósofa, século IV/V) e Marie Curie (Física e Química, século XIX/XX). Reconhecendo que a pesquisa deve estar alinhada aos Estudos de Gênero e Sexualidades e suas interseccionalidades na Educação, nosso objetivo central é transcender a mera biografia. Buscamos investigar como o machismo estrutural se manifestou em formas distintas, mas igualmente destrutivas, ao longo de seculos diferentes. A metodologia adota a lente interseccional para demonstrar que a misoginia raramente opera isoladamente. A trajetória de Hipátia, por exemplo, ilustra um ataque complexo. Como mulher intelectual e com poder político, ela foi alvo de uma severa opressão de gênero que se somou de maneira fatal à intolerância religiosa. Sua morte brutal não foi apenas um ato sexista, mas a culminação da violência gerada pelo fanatismo religioso contra sua visão de mundo racionalista. Em contraste, a vida de Marie Curie, na virada para a Era Moderna, revela um machismo predominantemente institucional e moralista. As barreiras iniciais foram impostas pela exclusão feminina das universidades. Posteriormente, mesmo após suas descobertas revolucionárias, ela enfrentou uma tentativa de apagamento de seu mérito científico, como evidenciado pela sua exclusão inicial na indicação do Prêmio Nobel de 1903. O auge da hostilidade ocorreu em 1911, quando, prestes a receber seu segundo Prêmio Nobel (de Química, pela descoberta do rádio e do polônio), foi alvo de um escândalo midiático por sua vida pessoal. Tal episódio demonstra a interconexão da misoginia com a xenofobia (por ser estrangeira) e um moralismo social conservador da sociedade parisiense. Em vez de avaliar o trabalho de uma cientista, a imprensa e a opinião pública focaram em desqualificá-la por sua conduta de mulher. Um ponto crucial é o papel dos pais de ambas: figuras masculinas que desafiaram as normas sociais de suas épocas ao prover o incentivo e a formação intelectual. Essa contradição entre o apoio privado e a hostilidade pública que as cientistas encontraram, por sua vez, reforça a natureza estrutural da opressão de gênero. O estudo se justifica pela sua relevância pedagógica na Educação Matemática. A análise comparativa das trajetórias críticas de Hipátia e Marie Curie oferece aos futuros docentes ferramentas conceituais para desnaturalizar o machismo e o sexismo. Este recurso é fundamental para uma prática docente que se comprometa ativamente com a formação antidiscriminatória e a valorização da diversidade.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 2ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

JURADO, Liliana. UM ESTUDO INTERSECCIONAL DO MACHISMO E DA INTOLERÂNCIA NAS TRAJETÓRIAS DE HIPÁTIA E MARIE CURIE... In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/anaisegsem/1398434-UM-ESTUDO-INTERSECCIONAL-DO-MACHISMO-E-DA-INTOLERANCIA-NAS-TRAJETORIAS-DE-HIPATIA-E-MARIE-CURIE. Acesso em: 29/06/2026

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